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Em três anos, o nome de Sofia Lopes Roquete subiu nas tabelas de classificação do trail running quase tão rápido como a atleta escala serras e encumeadas. A RUNning esteve à conversa com a vencedora da Taça de Portugal de Trail Ultra Endurance.

Texto: RUTE BARBEDO

Foto: CELESTINO SANTOS

A primeira corrida de Sofia foi há cinco anos, sobre o asfalto, quando um quilómetro era um misto de tédio cerebral e frete muscular. Hoje, aos 34 anos, depois de duas filhas e uma rendição absoluta ao trail, faz t(r)emer as pernas de muitos homens. Não tem falhado pódios. Foram 14 há dois anos e 17 em 2015. Acha que este ano começou “em baixo de forma”, mas os factos são outros: foi vencedora do UTAX (Ultra Trail Aldeias do Xisto) e a primeira portuguesa a cortar a meta no MIUT (Madeira Island Ultra Trail®). Recebe-nos na Cova do Coelho – assim se chama a sua casa – em Manique (Cascais), com o mar ao fundo e, nas traseiras, um grande declive onde costuma treinar. Está a aprender a ser esteticista e cosmetologista. Nasceu em Lisboa, ri muito e tem uma inclinação natural para actividades manuais. Começamos por aí.

Em 2003, nem sei se fazia ginásio, acho que não. Comecei pouco antes de as minhas filhas nascerem [em 2005 e em 2007]. Em miúda, a minha disciplina preferida era Educação Física. E gostava de Educação Visual e Tecnológica, de fazer coisas com as mãos. Até sei fazer tapetes de Arraiolos…

Como é que se aprende Arraiolos vivendo em Tires?

Foi com uma senhora que era minha vizinha. Tinha talvez uns 12 anos e ia muitas vezes fazer serão com ela. É uma boa memória…

 Entretanto mudaste-te para Manique. Onde ficaram os tapetes?

Nunca mais peguei nisso [risos].

 Esse teu lado prático, de trabalho manual, vem da mãe ou do pai?

Por acaso não sei. Mas o meu pai pôs-me a alcunha de bicho-do-mato. E isso tem tudo a ver com o trail. Eu era birrenta, em criança, mas adorava estar em cima das árvores, dos muros. Fazia com cada coisa que o meu pai via-me, ficava sem respiração e só depois é que dizia: “Sai daí!” Sempre tive queda para brincadeiras na rua, andar de bicicleta e essas coisas de criança.

 Mas quem te puxou para a corrida foi a tua irmã…

É engraçado porque ela corre muito menos do que eu [risos]. Ela tentou umas vezes puxar-me para a corrida mas aquilo nunca correu muito bem. Uma vez, nem sei bem quando (ainda não conhecia o meu marido e isso aconteceu aos 16 anos), havia uma volta de mais ou menos um quilómetro ali no Monte Real, em Tires. Era para dar duas voltas e eu dei uma e disse: “Nunca mais! Vou-me já embora!” Mais tarde, já andava no ginásio, fiz uma corrida de 10 km e fiquei tão dorida… Devia ter líquido por todos os lados, mas fiquei à frente dela, embora tenha feito uma hora. Foi em 2011. A partir daí não parei. Fazia 5 km no paredão de Cascais e achava que era a maior…  Depois queria baixar os tempos e ser cada vez melhor.

 Quando percebeste que a corrida estava a tornar-se um assunto sério?

Uma vez fui correr à Serra [de Sintra] e fiquei deslumbrada. Mas quando olhei para o relógio e vi que em 20 minutos só tinha feito 2 km… Às vezes o que é mais difícil é o que nos alicia mais. Comecei a gostar mesmo daquilo e a estrada já não “puxava” porque os circuitos das localidades que se faziam eram provas de 4 km e eu nunca fui muito de velocidades. Agora ainda percebo mais isso. Sem conhecer ninguém, juntei-me ao grupo do Trail da Salamandra, numa quinta-feira à noite. Não dormi bem nos dois dias anteriores, a pensar: “Ai, meu Deus, e se eles correm muito?” Mas foi correndo bem e até percebi que tinha algum jeito. Ao fim de um ano quis tentar fazer uma ultra, foi a dos [Trilhos dos] Abutres.

Até então qual tinha sido a tua distância máxima?

Já tinha feito uma maratona de estrada, mas correu-me extremamente mal. Nos Abutres, fui ganhando confiança, mas sem me esticar muito. Acabei e ainda fiz um terceiro lugar no meu escalão. Depois fui fazendo quase sempre pódios.

 Quando começaste a ser treinada?

No ano passado, em Fevereiro, comecei com a Maria Vargas. E há três semanas mudei para o Pedro Tomás, da CAFTP [Centro de Avaliação Física e Prescrição de Treino]. Eu estava a treinar por minha iniciativa e não tenho bases de desporto, por isso não sabia se estava a fazer bem.

 Sentes diferenças?

No trail, sinto muita dificuldade em ver a evolução, porque não dá para cronometrar ou porque temos o mesmo percurso mas mudam as condições atmosféricas…

 Mas estás a preparar-te para o Campeonato do Mundo de Trail…

Sim. Um dos objectivos do ano é esse, embora tenha outros. Eu estava em baixo de forma no início deste ano. Tive um problema respiratório, não treinei, aumentei de peso, tudo junto [ri muito]. Pensei que isto ia correr muito mal. Mas fui para o UTAX no mês passado e ganhei [28.ª classificada da geral e primeira entre as mulheres], e fui automaticamente seleccionada para os Campeonatos do Mundo de 2017, em Itália.

 Quais são as previsões?

O treinador diz que eu tenho possibilidade de evolução e eu quero acreditar que sim. Às vezes não quero pensar nisto como uma coisa muito a sério, mas levo a sério. Sou muito certa nos treinos, não gosto de pensar se vou evoluir ou não, foco-me no presente.

 

Novo rosto da Suunto

Um dia na Madeira, outro nos Açores, duas horas na fisioterapia, outras com o treinador. Como é que tudo isto, no mundo amador, se sustenta? Tem sido “muito difícil”, mas o trail e a projecção de Sofia Roquete expandiram-se de tal forma que o cenário mudou. “Nunca pensei ter uma marca desta dimensão associada a mim”, afirma Sofia, referindo-se à Suunto, o seu mais recente patrocinador (a seguir à Decathlon, à Alpha Run, ao Gabinete de Fisioterapia no Desporto e à Nutrimania).

A atleta confessa que “não faria metade sem os apoios” actuais e conta a experiência com o novo relógio com GPS multidesportivo da Suunto, o Ambit3 Vertical: “O primeiro treino foi nos 110 km do UTAX e percebi que o relógio é muito fiável. ” Outra das vantagens é a longa autonomia. No MIUT, Sofia correu durante 19 horas com banda corporal e a bateria não a deixou ficar mal.

O gadget da família Ambit3 Connected permite um planeamento rigoroso do percurso e um seguimento do nível de esforço. Mede a pressão barométrica, informa sobre o perfil da altitude em rota (mostrando o restante desnível), emite alertas por vibração e suporta um máximo de 100 horas de autonomia.

 

Junho 2016