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Por Ana Faria, licenciada em Ciências da Saúde

O açaí é um fruto roxo escuro proveniente da palmeira denominada açaizeiro (euterpe oleracea). Este fruto fez sempre parte da alimentação dos povos indígenas da América do Sul (particularmente na floresta tropical brasileira), significando “fruto que chora”. É colhido manualmente duas vezes por ano, contudo, o seu consumo não ocorre in natura. Do fruto é extraída a polpa, que é a forma mais consumida, mas também o caroço (que pode ser aproveitado no artesanato) e o caule, para a obtenção do palmito. A polpa pode ser comercializada à temperatura ambiente, mas, pelo facto de ser um alimento de fácil deterioração, é normalmente submetida a um processo de congelação. Apesar de existirem várias maneiras de processar a polpa do açaí, aquela que mantém as propriedades naturais é a liofilização e redução a pó.

Perfil nutricional

Em 100 g de polpa congelada, apresenta cerca de 106 kcal; 0,9 g de proteína; 18 g de hidratos de carbono; 2,4 g de fibra; e 3,4 g de gordura. Destaca-se o seu elevado teor em ácido oleico (ómega 9, uma gordura monoinsaturada) e em ácido linoleico (ómega 6, uma gordura polinsaturada). É ainda uma boa fonte das vitaminas A, C, E e do complexo B, e de minerais como o cálcio, o ferro, o fósforo, o magnésio e o potássio. As antocianinas, o pigmento responsável pela cor roxa do fruto, compõem a maioria dos fitoquímicos presentes, estando intimamente ligadas ao poder anti-oxidante do açaí. Testes ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity) mediram a capacidade anti-oxidante in vitro demonstrando que o açaí apresenta níveis de substâncias com propriedades anti-oxidantes superiores às do vinho tinto, das uvas vermelhas e dos mirtilos.

Benefícios para a saúde

O elevado teor em antocianinas faz do açaí um superalimento. Estes compostos têm um potente poder anti-oxidante, protegendo contra o stresse oxidativo, melhorando a circulação sanguínea e, consequentemente, potenciando a saúde cardiovascular. Por outro lado, as gorduras presentes (ómega 6 e 9) encontram-se em proporções semelhantes às encontradas no azeite, actuando como adjuvantes na redução dos níveis de colesterol. O conteúdo em vitaminas A e C permite o reforço do sistema imunitário e previne o envelhecimento precoce. O seu conteúdo em fibras apoia o bom funcionamento intestinal, contribui para a redução dos valores de colesterol e para o retardar da digestão e da absorção de hidratos de carbono, com vantagem para o controlo dos níveis de glicemia.

Para integrar numa alimentação variada

O açaí deve ser integrado numa alimentação variada, equilibrada e completa. A polpa congelada poderá ser misturada em batidos, sumos, sobremesas, cereais e gelados. O fruto em pó liofilizado poderá ser adicionado a bebidas de origem vegetal (soja, amêndoa, aveia) ou simplesmente misturado em água, podendo também ser adicionado na confecção de bolos e sobremesas. Hoje existe uma vasta gama de produtos contendo açaí, como gelados, sumos e suplementos alimentares. O ramo da cosmética natural também utiliza este fruto nas suas formulações, como por exemplo em máscaras faciais anti-envelhecimento e hidratantes.

O que dizem os estudos?

Um estudo de intervenção controlado publicado no jornal Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism analisou o efeito de uma bebida de açaí em atletas, concluindo que esta poderá ser útil e prática para melhorar o desempenho durante um treino de alta intensidade, nomeadamente reduzindo o stresse muscular e melhorando a tolerância ao esforço.

Ao mesmo tempo, um estudo piloto concluiu que as bebidas à base de açaí poderão ajudar a reduzir os níveis de colesterol e a reduzir os factores de risco associados à síndrome metabólica (como os valores elevados de insulina, glicose e da proteína C reactiva – PCR – um marcador para a inflamação) em indivíduos obesos. Neste estudo não controlado, o consumo de polpa de fruto de açaí contribuiu para a redução dos níveis dos marcadores seleccionados.