António Manuel Fernandes, jornalista profissional desde 1990, é atualmente colaborador do jornal Record, comentador na SportTv, editor de um magazine de notícias online, produzindo ainda trabalhos de comunicação para alguns organizadores de provas e é o correspondente do site da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF)) Autor do livro “Cem Anos de Maratona em Portugal”, foi co-fundador da primeira empresa profissional de organização de provas e colaborou em todos os diários desportivos e ainda nos diários generalistas Diário Popular (até à sua extinção) e Correio da Manhã.Foto: Foto: DR/facebook.com/SportLisboaBenficaModalidad
O Circuito de Meetings de Portugal já está a andar. É uma oportunidade que os atletas têm de participar em provas, podendo potenciar ao máximo as suas capacidades do momento, sem a pressão adicional de não poder falhar. Ainda assim, embora tenha falhado na informação para os espectadores (que não eram muitos), o Meeting Cidade de Lisboa tinha condições para acolher uma boa prova.
Foi o que levou alguns atletas ao Meeting Cidade de Lisboa, que acabou por produzir alguns resultados agradáveis, sendo o mais proeminente de todos, pela categoria do resultado, o triunfo de Tsanko Arnaudov, do Benfica, no lançamento do peso (19,53 metros), derrotando o colega de equipa Francisco Belo, que não ficou longe (18,95 metros).

Foto: Patrícia Silva/DR/facebook.com/AtletismoSLB
Empolgante foi a prova dos 100 metros, com recorde pessoal para José Lopes, do Benfica (10s39′), com o sportinguista Ancuian Lopes por perto (10s45m), com Diogo Antunes (Benfica) quase lá (10s51′). Nota para o júnior Delvis Santos, do Benfica, com 10s56′, ficando a um centésimo dos mínimos para o mundial da categoria! Quem conseguiu esses mínimos foi Patrícia Silva, do Benfica. A filha de Rui Silva e Susana Cabral correu os 1500 metros em 4m24s04′.
Entretanto, houve mais jovens em destaque, como João Coelho, do Benfica, que correu os 400 metros em 47s91m (recorde pessoal); ou como José Carlos Pinto (Benfica), que fez recorde pessoal nos 800 metros com 1m49s26′ (e entrou nos 50 melhores de sempre), derrotando Emanuel Rolim (1m49s30′); e como Hugo Ganchas, que venceu os 1500 metros em 3m49s12′.
Nas restantes provas, Rafael Jorge (Benfica), correu em 21,25 segundos (o seu melhor desta temporada); Tiago Pereira (Benfica), venceu o triplo com 16,30 metros, 10 cm à frente de Carlos Veiga, do Sporting, e na altura, os benfiquistas Paulo Conceição e Vitor Korst saltaram 2,11 metros.
A última prova acabou por ser o salto com vara, com o sportinguista Edi Maia a passar 5,30 metros (ainda tentou 5,40), mas as condições já não eram as melhores.
Em femininos, as velocistas foram prejudicadas pelo vento (Cátia Azevedo, do Sporting, nos 200 metros, venceu em 24s32′), sendo os melhores resultados obtidos pelas sportinguistas Marta Onofre, com 4,20 metros, no salto com vara, e Jessica Inchude, com 16,36 metros no peso, e Rivinilda Mentai, do Benfica, que correu os 400 metros em 53,65 segundos.
POR CÁ…
Meeting de Aveiro com muito vento
Um dia depois do Meeting de Lisboa, Aveiro também teve um meeting, embora este não esteja incluído no circuito. Também muito marcado pelo vento, com os velocistas e saltadores a saírem prejudicados, os melhores resultados aconteceram no lançamento do martelo, com o triunfo de Dário Manso a fazer o melhor resultado do ano com 66,88 metros, à frente de António Vital e Silva (64,48 metros).
No lançamento do disco, Filipe Vital e Silva lançou 55,20 metros. Na mesma prova feminina, a juvenil Eva Gonçalves (NA Cucujães) lançou 40,30 metros.
INTERNACIONAL
Liga Diamante acidentada

Foto: IAAF
Xangai recebeu a segunda paragem da Liga Diamante, com um dia com muita humidade (e calor), tornando-se mesmo prejudicial para os atletas nos momentos finais da competição, com duas provas a ficarem marcadas por acidentes. No salto em comprimento, o chinês Yuhao Shi, que saltara 8,43 metros (recorde pessoal) e vira o sul-africano Luvo Manyonga ultrapassá-lo com 8,56 metros (melhor marca mundial do ano), deu tudo no salto final para triunfar em “casa”, mas o piso molhado e a tábua de chamada encharcada foram motivo de acidente e o atleta fez uma entorse grave que o deixou caído na caixa de areia e teve de sair de maca.
Já na prova dos 3000 metros obstáculos femininos, quando lutava pela vitória, a queniana Norah Jeruto tentou passar o obstáculo sem colocar o pé no mesmo e quando voltou a ter contacto com o solo escorregou e caiu, dando oportunidade ao triunfo de Beatrice Chepkoech (9m07s27′), que estava a lutar com ela ombro-a-ombro! Jeruto ainda fez 9m09s30’!
A última prova do programa, 100 metros masculinos, trouxe a surpresa do triunfo do britânico Reece Prescod (10s04′), sobre o chinês Bingtian Su (10s05′), numa prova em que o campeão mundial Justin Gatlin (10s20′) foi sétimo. A sua pior classificação de sempre na Liga Diamante ou em grandes competições.
Excelente o triunfo de Steven Gardiner, das Bahamas (43s99′), nos 400 metros, um recorde do meeting, mas mais significativo é o facto de o atleta ter corrido duas vezes abaixo dos 44 segundos no espaço de uma semana!
Surpreendentes os triunfos dos quenianos Wycliffe Kinyamal (1m43s91′), nos 800 metros, com recorde do meeting, e Timothy Cheruiyot (3m31s48′), nos 1500 metros, com melhor marca mundial do ano; já nos 110 metros, o campeão olímpico e mundial, Omar McLeod, da Jamiaca, mostrou a boa forma esperada com 13s16′, igualando a melhor marca mundial do ano; no salto com vara, o duelo entre Renaud Lavillenie (França) e Pyotr Lisek (Polónia) terminou com ambos empatados a 5,81 metros, com o francês a vencer por ter menos uma falha do que o polaco; e nos 5000 metros masculinos, Birhanu Balew (Bahrain) foi o mais forte, com 13m09s64′ (melhor marca mundial do ano).
Nas restantes provas femininas, destaque para a vitória de Shaunae Miller-Uibo (Bahamas), nos 200 metros, em recorde do meeting (22s06′); o mesmo sucedendo na prova de 100 metros barreiras, com triunfo de Brianna McNeal (USA) em 12s50′; e também com recorde do meeting no lançamento do dardo, para a heroína da casa Huihui Lyu (66.85 metros).
Depois, as “suspeitas” do costume venceram as suas provas com as respectivas melhores marcas mundiais do ano (ao ar livre): a colombiana Caterine Ibarguen no triplo (14,80 metros), a russa (agora atleta neutra) Mariya Lasitskene na altura (1,97 metros) e a chinesa Lijiao Gong no peso (19,99 metros).
Finalmente, a outra prova com melhor marca mundial do ano foi a de 400 metros barreiras, com triunfo de Dalilah Muhammad (USA) em 53,77 segundos.
#GoSydGo, a marca que se impõe
Já a abordámos nesta coluna algumas vezes, a fantástica júnior norte-americana Sydney McLaughlin. Mas a atleta de 19 anos, com a ashtag #GoSydGo, “insiste” em continuar nas luzes da ribalta e este fim-de-semana cortou quase um segundo (85 centésimos) ao seu recorde mundial de juniores de 400 metros barreiras colocando-o agora em 52s75′.
No mesmo fim-de-semana, a norte-americana Kendal Ellis (22 anos), baixou pela primeira vez dos 50 segundos (49s99′) nos 400 metros planos, batendo o recorde universitário e fazendo a melhor marca mundial do ano (afastando, precisamente, Sydney McLaughlin).
Atenção ao brasileiro Almir dos Santos

Foto: Tania Moura/CBAt
Outro meeting com bons resultados surgiu em Guadalupe, nas Caraíbas, onde estiveram Pichardo e Évora (ver “Para lá da fronteira”) no triplo salto, prova em que o brasileiro Almir dos Santos (vice-campeão mundial de pista coberta) voltou a “voar baixinho” e saltou 17,53 metros (v: 0,3), ascendendo a terceiro melhor brasileiro de sempre, atrás de Jadel Gregório (17,90 metros) e João Carlos Oliveira (17,89 metros, em altitude). Ainda há dois anos o brasileiro não chegava aos 16 metros!
Almir dos Santos derrotou Will Claye (campeão mundial em pista coberta), dos Estados Unidos, que fez 17,40 metros, o mesmo que o benfiquista Pedro Pablo Pichardo (que teve um segundo melhor salto de 17,13 metros).
Na mesma prova, mas em femininos, venceu a norte-americana Tori Franklin com um recorde dos Estados Unidos (14,84 metros), superando os 14,71 metros de Keturah Orji obtidos em 2016. A espanhola Ana Peleteiro aproveitou para fazer um recorde pessoal (14,42 metros, tinha 14,40 metros em pista coberta).
Nota para o regresso da pluri-campeã olímpica e mundial Allyson Felix (EUA), que acabou por vencer os 100 metros, em 11,30 segundos.
Prodígio de 15 anos na Grã-Bretanha
Entretanto, a finalizar, chegam notícias da Grã-Bretanha, prova com largo historial na velocidade prolongada e meio-fundo curto, com um jovem de 15 anos (faz 16 daqui por alguns dias), Max Burgin, a correr os 800 metros em 1m47s50′ (melhor marca mundial de sempre para esta idade).
PARA LÁ DA FRONTEIRA
Triplistas de Benfica e Sporting mostram-se em Guadalupe
Uma semana depois de se terem defrontado em Doha, no primeiro meeting da Liga Diamante, Nelson Évora e Pedro Pablo Pichardo voltaram a defrontar-se. Desta vez em Baie Mahualt, no Meeting de Guadalupe, e de novo o benfiquista se impôs claramente.
Depois dos 17,95 metros (melhor marca mundial do ano) em Doha, Pichardo não foi agora além dos 17,40 metros (foi terceiro), ainda assim bem melhor do que Nelson Évora, que saltou 16,62 metros, ficando em oitavo.
Mariana Machado com mínimos em Ourense
Já no meeting de Ourense, na Galiza, destaque para o triunfo, nos 1500 metros, da jovem bracarense Mariana Machado, que cortou a meta em 4m21s77′, confirmando os mínimos para os mundiais de juniores, que se realizarão em Tampere (Finlândia).
Houve mais portugueses em competição, destacando os triunfos, no salto em comprimento, de Teresa Vaz de Carvalho, com 6,16 metros (v: 0,0), e de Ivo Tavares, com 7,42 metros (v: 0,0).
Muita participação nos 1500 metros masculinos, com o sportinguista Fernando Serrão, com 3m49s16′, a ser o melhor português, seguindo-se-lhe Paulo Barbosa (3m49s58′), Sérgio Teixeira (3m49s80′) e Nuno Lopes (3m50s33′).
Hugo Rocha em Manchester
Entretanto, outro português competiu no estrangeiro. Hugo Rocha foi a Manchester (Grã-Bretanha), participar no SportCity do British Milers Club, terminando a prova no sétimo lugar, com a marca de 3m45s15′, a sua melhor deste ano, sendo o segundo sub-23 da competição. O vencedor foi Ossama Meslek com 3m42s16′.



