Alexandre da Silva: «A corrida é ioga em movimento»

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Alexandre da Silva

Alexandre da Silva é um dos actores mais simpáticos e queridos do público português. Longe das câmaras, é um entusiasta da actividade física. Aos 38 anos, confessa que a corrida é uma forma de equilibrar a condição física, mas também um momento único de introspecção.

Texto: Isabel Rosa
Fotografia: Celestino Santos

Divide-se entre a representação, a moda, a fotografia e a realização. Que lugar ocupa o desporto na vida do Alexandre?
Pratico desporto há 30 anos, dá para acreditar? Joguei hóquei em patins dos 10 aos 20 anos, uma loucura. Antes de chegar a sénior, sofri uma queda na neve e não voltei a jogar. A partir daí passei a dedicar mais tempo ao ginásio, vou praticamente todos os dias. Também faço natação, snowboard e corrida. Nunca tive preparação específica em atletismo, mas gosto de correr por uma questão de condição física. Todos os anos tento fazer, pelo menos, duas meias-maratonas.

Guarda recordações de alguma corrida em especial?
Lembro-me de uma corrida em Almada, devia ter uns 19 anos. Combinei com um grupo de amigos e fomos de barco até Cacilhas. Quando chegámos faltava uma hora para a prova, então tivemos a infeliz ideia de subir a pé até ao Cristo Rei. Quando chegámos estavam a dar o tiro de partida. Foi o aquecimento mais cansativo que fiz na vida [risos]. Nessa altura corria bastante… Agora, a corrida é mais uma forma de equilibrar o gasto calórico do dia-a-dia, mesmo que seja um treino muito solitário.

Em que pensa quando está a correr?
A corrida é ioga em movimento, não costumo pensar em coisas muito complicadas. Mas tenho a mania de definir pequenos desafios – se não os atingir, convenço-me de que qualquer coisa muito importante não vai acontecer [risos]. É a força desses objectivos que imponho a mim mesmo que me faz chegar ao final das corridas. Acaba por ser um momento muito introspectivo… Apesar de ter praticado uma modalidade de equipa durante muitos anos, hoje gosto mais de correr sozinho. Na corrida não há cunhas, não já esquemas, só dependo de mim para atingir os meus objectivos.

Essa introspecção explica o fascínio da corrida?
Em grande parte, mas existem outros factores. Como qualquer actividade física, a corrida torna-se muito viciante. São as endorfinas, as hormonas do prazer, a dizerem-nos para calçar os ténis. Depois, é o desporto mais barato que qualquer pessoa pode fazer. Não é preciso equipamento muito complexo, basta ter pernas e vontade para correr. Além disso, é possível correr em qualquer lado, não estamos limitados a um espaço físico. Sempre que posso, normalmente ao final do dia, vou correr para a zona de Belém ou do Guincho.

Correr está na moda?
Correr é uma moda saudável, mas também um negócio. Há já alguns anos que o desporto passou a ser uma estratégia de marketing para muitas empresas, o que não é necessariamente negativo – eu próprio faço parte da marca Susana Gateira. É uma forma interessante de combater o sedentarismo dos portugueses.

É o padrinho da 13.ª Corrida do Oriente. Quais são as suas expectativas para esta prova?
Foi um convite muito interessante. Enquanto figura pública, gosto de estar associado a projectos que façam parte dos meus interesses e gostos pessoais. Relativamente às expectativas, em qualquer prova, o meu único objectivo é chegar ao fim. Se ficar obcecado com os tempos entro na esfera da competição, e já não é isso que eu pretendo do desporto. Ultimamente tenho feito os 10 km em 40-45 minutos, na Corrida do Oriente vou tentar perceber quais são os meus limites.

Que personalidade convidava para esta prova?
Talvez o Denzel Washington. Admiro muito o trabalho dele e parece-me uma boa pessoa.