Algarviana Ultra Trail (ALUT) – Dia 3 – 2/12/17

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Por Vanessa Pais

Fotos: Miguel Judas e Ana Águas

O Nino é o maior (aqui está, como prometido!)

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Hoje começamos pelo fim. Já está. Feita. O título foi o que prometi ao Nino Raleiras, porque fez a etapa de Bensafrim a Vila do Bispo, de 30 km, depois de dois dias a correr, em menos de quatro horas, para que eu pudesse ter tempo para fazer a minha etapa, de Vila do Bispo ao Cabo de São Vicente, ainda de dia. Por isso, aqui está feito o reconhecimento, sem querer ferir os sentimentos do Miguel Judas, que se portou também como um herói. Aliás, nunca pensámos terminar os 300 km tão cedo (o tempo limite é até amanhã, às 18h30) e ainda por cima em segundo lugar!

 

 

 

 

 

 

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Agora depois de estar tudo mais calmo e o percurso cumprido, podemos dizer que esta é uma prova bastante interessante. Claro que depende do gosto de cada um, mas como gosto de correr em estradão, esta prova é ideal, particularmente a etapa que me saiu em sorte, a final. A chegada, com todos os elementos da equipa, a organização e o “Team Águas-Portela” foi espetacular. Até foi possível empurrar o bebé no carrinho até à meta. Ele ia extremamente contente. Riu durante toda a recta final, o que foi uma motivação adicional. Voltando às características do percurso, esta é uma prova rápida, rolante e a dificuldade são mesmo os quilómetros e, nesta primeira edição, as noites frias. Para quem não gosta de estradão ou de percursos rolantes, o ALUT pode não ser tão atractivo, excepto para testar a resistência numa distância como esta. Já para as estafetas, a conversa é bem diferente. Como têm acompanhado, através do nosso relato, todo o planeamento, logística e necessidade de improviso pode parecer, em certos momentos, uma odisseia difícil de ultrapassar.

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Ó trilho, onde estás?

Apesar de termos terminado quase um dia mais cedo do que o esperado, a noite passada não foi nada fácil. Andámos “perdidos” várias vezes. Primeiro, o Miguel Judas, que não encontrava a saída de São Bartolomeu de Messines. Mais à frente houve novo percalço, com direito a silvas e tudo. Por volta das 20h00 lá chegou a Silves, já nós estávamos no alojamento, porque o bebé mal chega a noite põe com toda a gente em casa. A previsão era de que o Rui Lobo, que fez a etapa de Silves a Monchique, uma das mais difíceis, demorasse cerca de 4h30 a percorrer os mais de 30 km do percurso. Mas perdeu-se e de forma crítica.

Por volta das 2h00, quando o bebé acordou para comer, vi no live tracking que o Rui estava ao lado do trilho e liguei ao Miguel Judas, que o ia render para uma etapa dupla, de Monchique a Marmelete e de Marmelete para Bensafrim. Já tinham dado pelo facto e todos tentávamos encaminhá-lo, porque estava já muito perto de Monchique. Lá encontrou o caminho, mas o Miguel só conseguiu partir depois das 3h00. Esta espera stressante e os quilómetros já percorridos, maioritariamente de noite (o Miguel acabou por correr sempre de noite), ditaram que os últimos 20 km fossem feitos a andar. Por isso, só chegou a Bensafrim às 11h30. Foi um esforço brutal que revelou um verdadeiro espírito de equipa.

Perante este cenário, a expectativa era a de que o Nino não conseguisse chegar a Vila do Bispo antes das 16h30/17h00, o que faria com que eu saísse para os meus 12 km de noite. Esse era realmente um problema, porque não corro à noite habitualmente e não gosto nada de o fazer. Além disso, nunca tinha corrido com GPS e tinha mesmo medo de me perder. Como à noite o bebé fica agitado com a minha ausência, estava realmente preocupada. Mas o Nino foi grande e “despachou” os quase 30 km da etapa até às 15h15. Foi de tal forma rápido que mal tivemos tempo para fazer o check-in no alojamento em Vila do Bispo e almoçar. Uma verdadeira correria, que é, afinal, o que define um desafio como este. Corre quem está em prova e, por vezes, ainda mais quem está a apoiar.

No apIMG_9788oio não está só a equipa, mas também os amigos que se oferecem para vir de malas e bagagens ajudar (obrigada, Ana e Fred!), bem como os elementos da organização (obrigada a todos, especialmente ao Bruno e à Cláudia, ao Germano e ao Pascal). Na hora dos agradecimentos é importante ainda referir o apoio da Salomon, que equipou estes cinco aventureiros, da Suunto, que cedeu relógios a toda a equipa, mas também à Essence Prime Care, que me está a apoiar neste regresso à corrida pós-parto. Não percam o resumo desta aventura, contado também pelo Miguel e pelo Nino, na próxima edição da RUNning!