Algarviana Ultra Trail: Mais do que uma prova, um encontro com as nossas raízes

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Atravessar o Algarve de uma ponta a outra entre os dias 30 de Novembro e 3 de Dezembro é o repto da Algarviana Ultra Trail. Nesta que é a prova de trail running mais longa – e talvez uma das mais duras – de Portugal, serão 60 os atletas a partir de Alcoutim, com a meta em Vila do Bispo, sempre por trilhos e montanhas.

Segundo a organização, este evento pretende não só potenciar o trail running no Algarve, “afirmando a região como uma zona de excelência para a sua prática, em especial nas épocas baixas”, mas também “dar a conhecer todo o seu território, suas riquezas naturais, culturais e patrimoniais”.

Com estes três vértices dum mesmo triângulo: o desporto, a cultura e o turismo, o ALUT tem como objectivo maior, e por via do desporto, “a dinamização das economias menos favorecidas do barrocal algarvio, o combate da sazonalidade e da desertificação interior”, salienta a ATR – Algarve Trail Running e a RTA – Região de Turismo do Algarve, que organizam o evento, em parceria com a Aeroportos de Portugal, Águas do Algarve e apoio da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e do Instituto Português do Desporto e Juventude.

A quase totalidade do percurso desenvolve-se na Via Algarviana, um percurso pedestre de longa distância classificado como Grande Rota (GR13). Inicia-se em Alcoutim, junto ao Rio Guadiana, e estende-se até ao Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo, passando pelas Serras do Caldeirão, Espinhaço de Cão e Monchique. Atravessa, por isso, quase todos os Concelhos do Algarve, desenvolvendo-se sobretudo em zonas florestais passando por aldeias e montes ricos na cultura e tradições de toda a região algarvia.

A ideia original do seu traçado teve como base os caminhos de peregrinação de São Vicente, um mártir do início do século IV que sofreu o martírio em Valência, após ter recusado oferecer sacrifícios aos deuses durante a perseguição aos cristãos na Ibéria por parte do imperador romano Diocleciano. A sua morte terá ocorrido no ano 304. Após a conquista árabe o corpo de São Vicente foi trasladado para o Promontorium Sacrum (Cabo Sagrado como era chamado pelos romanos) e o cabo ficou a chamar-se Cabo de São Vicente.  Desde então, tornou-se num local de peregrinação durante séculos. Em 1173 D. Afonso Henriques ordenou que essas relíquias fossem transferidas para Lisboa.  No entanto, o carácter místico que o Cabo de São Vicente detém deste o período Neolítico mantêm-se até hoje.

Foi também no Cabo de São Vicente que D. Henrique, “o Navegador”, acolhia estudiosos da Europa e do Mundo: cristãos, muçulmanos e judeus que se interessavam por navegação, mapas e construção de embarcações. Esse grupo ficou conhecido como Escola de Sagres e foi muito importante no aperfeiçoamento de instrumentos como o astrolábio e a balestilha e na construção das caravelas.

Seguindo a história, a natureza e a geomorfologia do Algarve, “a Via Algarviana é muito mais do que uma rota pedestre. É um encontro com as nossas raízes mais profundas na necessidade de superação de obstáculos frente a um rumo desconhecido”, destaca ainda a organização.

Mais informações em http://alut.pt/.