Anna Frost: “Sou o produto de muitos anos de tentativa erro”

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Anna-Frost

Quem visita o blogue de aventuras de Anna Frost depara-se com uma lista de admiradores não- -secretos. A neozelandesa – que vai co-organizar um evento na Madeira de 26 de Maio a 4 de Junho – é, para muitos, um modelo de liberdade cuja face mais visível é o running. Mas Anna também pinta e produz joalharia, faz jardinagem, dá aulas de ioga. A maior herança da família foi essa: ser tudo.

 

T: Rute Barbedo   F: Kelvin Trautman

 

Sentes que és uma inspiração para outras pessoas?

Nunca senti que fosse diferente, gosto tanto de correr como qualquer outra pessoa. Fazêmo-lo por razões semelhantes, começamos a corrida numa única linha de partida e terminamos no mesmo lugar. Mas sinto-me inspirada e motivada quando dizem que adoram acompanhar as minhas jornadas. Faz-me feliz saber que consigo partilhar experiências tão maravilhosas.

 

Houve algum momento de viragem na tua vida em que decidiste tornar-te runner?

Sempre adorei estar ao ar livre e sempre pratiquei o máximo de desportos que conseguia, por isso, a corrida veio muito naturalmente. Mas foi em 2004 que realmente a descobri e que me apaixonei por ela.

 

Vens de um país conhecido pela sua imensa diversidade. O que há da cultura neozelandesa que faz de ti a mulher que és hoje?

Os meus pais sempre me encorajaram a abrir os meus horizontes e a voar. Mesmo que me sentisse em baixo, eles incentivavam a levantar-me e a tentar de novo. Devo-o a eles.

 

Mas quem é a Anna Frost? Como explicas a alguém o que fazes e como vives o dia-a-dia?

Sou o produto de muitos anos de tentativa e erro, de aprendizagem e de mudança. Como todos nós. Sim, sou uma runner, mas também sou uma aventureira, amiga, tia, filha, irmã, noiva, joalheira e guia de corridas.

 

Começaste como desportista e professora, profissionalmente. No entanto, agora também tens uma relação com marcas, tens de gerir o teu blogue e a tua imagem. Tornaste-te uma empresária?

Creio que tinha de fazê-lo. E essa é a parte ligada ao running em que não sou boa. Ainda assim, aprender novas competências na área dos negócios tem sido muito recompensador.

 

Mas como te organizas?

Não tenho propriamente uma metodologia de organização. Estou sempre a viajar de corrida/ /evento para outro evento/corrida. Por isso, o meu estilo de vida e os treinos têm de ser muito flexíveis.

 

Andas de hotel em hotel?

Não fico em hotéis se não tiver de fazê-lo. Adoro acampar e dormir no carro, e se ficar num lugar mais do que uma semana, arranjo um pequeno apartamento para que me possa sentir parte da comunidade, mesmo que seja por pouco tempo.

 

Alguma vez dás por ti a pensar que o ritmo é demasiado exigente e que deverias abrandar?

Sim, frequentemente acho que seria muito bom ter uma “casa”, mas depois acabo por ficar entusiasmada com novas viagens e continuo assim por mais um ano. O tempo [de parar] chegará.

 

O que te levou a ser activista em relação aos direitos das mulheres?

Sou mulher e sei aquilo que mereço. Não acho que seja difícil ser mulher, mas é diferente. E temos de continuar a lutar por aquilo que acreditamos.

 

O teu desafio mais recente foi a prova The Coastal Challenge, em que 27h08m41,9s levaram-te à primeira posição em lágrimas. Como foi a experiência?

Foi uma viagem incrível. Precisei de três tentativas para conseguir acabar o desafio, mas finalmente consegui fazê-lo e ainda vencer. Foi uma autêntica montanha russa, numa prova difícil, quente, húmida, bonita e tão divertida!

 

Que memória tens dos Açores e da Madeira?

Adorei os Açores. São tão exuberantes e exóticos. Voltarei lá com toda a certeza. E quanto à Madeira, gostei tanto que decidimos organizar uma prova de trail running e um retiro de aventura na ilha [www.trailrunadventures.com].

 

Quais são os teus planos para o futuro? Teremos a Anna Frost a correr aos 70 anos?

Virão mais corridas, mais trabalho com as SisuGirls e com a [organização] Children of Uganda, um dia talvez tenha filhos, vou fazer coaching, ensinar ioga, fazer joalharia, pintura, jardinagem e tanto mais…

 

 

O amor que corre

Nasceu a 1 de Novembro de 1981, na Nova Zelândia

Maiores vitórias: a Hardrock100 e o livro (publicado pelas SisuGirls, uma comunidade global focada em incentivar raparigas a ter coragem para fazer coisas novas) Fearless Frosty

A maior dor: perder pessoas amadas

Uma experiência memorável: ter sido atacada por um iaque na Maratona do Evereste, em 2009

Uma estratégia a não repetir: há estratégias que podem não resultar mas que valem a pena viver, porque aprendemos muito com elas

A corrida mais longa: uma corrida por etapas de 15 dias no Nepal e 100 Milhas non-stop

A maior frustração na corrida: lesões

O acontecimento mais feliz no running: ter conhecido o amor da minha vida