Texto e fotos: Rute Barbedo
É o terceiro ano de Portugal, como selecção, no Mundial de Trail Running e, para muitos elementos da equipa, é também o terceiro ano a vestir a camisola nacional. Portugal já se sente mais confortável, por isso, na competição, embora o dia da prova seja uma incógnita para todos, favoritos inclusive. “Temos uma equipa mais coesa e acho que, também por isso, as outras selecções já olham para nós como equipa que pode estar no top 5″, declara José Brito, do corpo técnico da Selecção.

José Brito, técnico da selecção nacional de trail
Mas a maturidade não é o único ponto a favor, de acordo com uma sondagem da RUNning junto do grupo português. Os atletas mais experientes – como Lucinda Sousa, por exemplo – cumprirão um papel importante na gestão de equipa, tendo em conta o percurso duro, num terreno em grande parte de pedra solta, com muita alternância de desníveis e uma última subida “de morte”, juntamente com o calor seco de Castellón. “Não há água nenhuma na montanha”, frisa José Brito. E a experiência poderá contrabalançar com o sangue novo de atletas como Inês Marques ou Luís Fernandes.
Olhos postos no Fumo
No plano individual, as apostas recaem sobre Hélio Fumo, o corredor português que neste momento mais se destaca no ranking da ITRA (a Associação Internacional de Trail Running). “Acreditamos que ele tem muito boas hipóteses de ficar nos dez primeiros. E não é uma questão de foco, porque focados estamos todos. É o nível em que ele está”, afirma o colega de selecção, Luís Fernandes. “Mas o mais importante é trabalharmos o resultado enquanto equipa. E o facto de já conhecermos o percurso, de termos vindo cá em estágio, é uma vantagem em relação a muitas selecções”, acrescenta Luís Duarte. Além disso, Portugal estudou muito bem toda a organização no que toca ao apoio durante a prova. A equipa técnica, que prestará apoio clínico, logístico e nutricional, estará presente em três postos de abastecimento. “Muitas selecções só conseguem ter apoio num dos pontos”, compara José Brito.
Com maior número de selecções participantes – algumas desconhecidas, em termos de comportamento no terreno, mas com elevada experiência de montanha e de alto rendimento, como o Peru ou a Suécia – o campeonato de Penyagolosa mostra-se como um dos mais competitivos da história. Na véspera da corrida de 85 km que definirá os campeões do mundo, que começa às seis da manhã (hora espanhola), as estratégias variam nas imediações dos três hotéis que acolhem selecções, organização e jornalistas, em Benicassim. Para uns, o descanso é a melhor preparação, para outros, a estratégia passa por habituar o corpo ao calor e correr ao meio-dia.



