Atletas criticam calendário nacional de Trail 2018

T: Teresa Mendes F: DR

Apesar de não se conhecerem ainda as regras do Campeonato Nacional de Trail do próximo ano, a Associação de Trail Runnig de Portugal (ATRP) revelou já o calendário para 2018. Sem regulamento, os atletas dizem que é complicado programarem o seu ano. Para além disso, como aconteceu em 2017, existe um elevado número de corridas, o que está a motivar várias críticas de clubes e atletas.

O circuito nacional de ultra endurance tem 11 provas, o circuito nacional de ultra trail inclui 28 e o circuito nacional, 39. Ao todo, são 78 provas.

Bruno Coelho, o atleta da Satecnosoloutdoor/Lasportiva, que ganhou recentemente o passaporte para a Selecção Nacional de Trail, diz não entender o motivo de a ATRP contemplar tão elevado número de provas. “Desculpem, mas não percebo… Taças de dois campeonatos separadas por 15 dias, provas e mais provas! Algumas que foram uma vergonha mantém-se no campeonato! Outras que descem de critério! Como foi dito várias vezes, e por várias pessoas, o rumo teria de ser outro, pois este não vai ao encontro da qualidade, mas sim quantidade, e apenas faço referência ao lado de atleta”, desabafa na sua página de Facebook.

João Ferreira, da Coimbra Trail Running, salienta igualmente “a grande quantidade de provas no calendário ATRP, incluindo a Taça de Portugal e provas série 150 organizada por uma associação de corrida”, acusando a Associação de ser “Trail for the boys”.

Ultra Cerveira retira prova do calendário

Entretanto, a ATRP divulgou ontem, dia 7, um comunicado, dando conta da decisão da organização da Ultra de Cerveira de retirar a sua prova dos calendários desta Associação. “Cabe-nos informar o público em geral e associados em particular das incidências desta repentina, premeditada e inesperada tomada de posição dos seus responsáveis. A ATRP tem a obrigação de proporcionar a todos os associados condições de competição, e de ser equitativa – geográfica e desportivamente – na elaboração de calendários, objectivo que faz e fará por garantir”, lê-se no referido comunicado.

Segundo a ATRP, o presidente da Escola Desportiva de Viana fez chegar no dia 6 de Novembro a digitalização de um termo de responsabilidade, assinado e carimbado, que vinculava a organização do Ultra Trail de Cerveira às regras de integração que todas as restantes organizações subscreveram. “Só assim se justifica a inclusão no calendário ATRP”, lê-se na informação. Mas, acrescenta o documento, “a ATRP pôde constatar que a mesma prova constava de um calendário provisório de uma outra competição, não permitido pelo termo que havia assinado”.

Rui Jorge Silva, presidente da Escola Desportiva de Viana já respondeu via Facebook, alegando que “a ATRP nunca respondeu aos seus pedidos formais de esclarecimento/reclamações”. Informa ainda que “todos os pedidos de esclarecimento e inclusive, uma reclamação de uma classificação de uma prova que estava ferida de ilegalidade, nunca mereceu por parte da ATRP qualquer resposta formal ou informal”.

“Esta má prática pressupõe uma total falta de respeito por uma Instituição de Utilidade Pública com mais de 42 anos de existência e que para além da secção de Trail, lida com mais 8 modalidades distintas num universo de mais de 1500 praticantes”, argumenta Rui Jorge Silva, lamentando ainda que a resposta a um comunicado seja tão imediata e que o clube continue à espera dos pedidos institucionais, feitos por correio electrónico para os e-mails da ATRP há mais de 4 meses”.

 

O calendário de provas do próximo ano é o seguinte:

CAMPEONATO NACIONAL DE ULTRA ENDURANCE

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CAMPEONATO NACIONAL DE ULTRA TRAIL

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CAMPEONATO NACIONAL DE TRAIL

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