Azores Trail Run – Triangle Adventure – Entrevista a João Mota, ultra-runner e coach de trail running

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“Todas as etapas têm a sua singularidade, o que faz da Azores Trail Run – Triangle Adventure um evento apaixonante e desafiante”

Foto: Carlos Pedro 

 

João Mota, ultra-runner e coach de trail running e endurance é totalista das provas organizadas pela Azores Trail Run. Este ano, o projecto “2mãos4patas” leva-o para o continente africano, pelo que não irá alinhar na partida da Triangle Adventure, a 7 de Outubro. No entanto, este atleta, coach e fã dos Açores partilha a sua experiência no arquipélago e deixa algumas notas para quem vai embarcar nesta aventura.

O que te levou aos Açores para participar na edição de 2015 da Azores Trail Run – Triangle Adventure?

O que me leva sempre aos Açores é a constatação de que estou perante eventos de qualidade elevada. Sou totalista de todas as provas da marca Azores Trail Run e já tive a oportunidade de praticar a modalidade em várias ilhas (Faial, Pico, São Jorge e Santa Maria) e encontro sempre o total compromisso com os atletas, da organização ao voluntariado, das entidades governamentais à extraordinária simpatia e disponibilidade do povo açoriano.

Que pontos destacas da prova?

Quando falo sobre trail nos Açores digo sempre o mesmo e já é um slogan: “Os Açores são um ecossistema de Trail Running”. É impossível determinar em qual das ilhas podemos desfrutar mais da modalidade, porque todas oferecem desafios diferentes.

A primeira etapa é disputada na ilha do Pico, começa ao nível do mar e só termina no ponto mais alto de Portugal. É um desafio exigente porque o percurso da Casa da Montanha até ao cume é parecido com alta montanha devido à sua tecnicidade e pendentes inclinados.

A segunda etapa é na exótica ilha de São Jorge, que faz lembrar os trilhos do MIUT [Madeira Island Ultra Trail].

A terceira e última etapa é na ilha do Faial. A partida é na paisagem lunar do Vulcão dos Capelinhos e o momento mais vibrante e exigente do percurso é disputado numa quota de 1000 metros ao longo do diâmetro da Caldeira do Faial.

Todas as etapas têm a sua singularidade, o que faz da Azores Trail Run – Triangle Adventure um evento apaixonante e desafiante. 

Quais as maiores dificuldades que identificaste?

O facto de ser efetuado por etapas e em três dias faz com que o organismo entre em processo de recuperação; sensações como dores musculares próprias da regeneração muscular começam a surgir logo na segunda etapa e é necessário saber gerir.

As viagens de barco entre ilhas e o pouco tempo de descanso entre etapas são factores que podem dificultar a recuperação e a logística. Os horários de partida estão sempre dependentes das condições meteorológicas e de segurança da travessia por via marítima.

É preciso encarar estas contingências com muita calma e tranquilidade. A organização tudo faz para que os factores externos tenham o menor impacto possível no desenrolar dos eventos.

Para quem vai fazer uma prova por etapas pela primeira vez, que questões consideras essenciais ao nível da preparação?

O aspecto mais importante de todos é a avaliação pessoal. É importante que o atleta tenha em consideração a sua condição físico-atlética, devendo efectuar um exame médico desportivo.

O Azores Trail Run Triangle Adventure, apesar de ser disputado por etapas, é um evento de endurance com 100km e 12 000 metros de desnível acumulado. Neste contexto, é preciso alguma experiência em provas semelhantes.

Devem procurar orientação no que diz respeito ao planeamento, mesmo que não tenham objectivos competitivos. A orientação por um plano de treino permite que os atletas consigam atingir os seus objectivos de uma forma optimizada e orientada para a promoção da saúde e desempenho.

Tens sugestões de equipamento a levar, além do que está previsto no regulamento?

Não há necessidade da utilização de equipamento adicional ao que a organização considera como obrigatório e aconselhado. No entanto por uma questão de segurança acho que todos os atletas deviam ter formação de sobrevivência em montanha e orientação por cartografia. Não há nenhum problema em aprender algo mais e enriquecer os conhecimentos.

Tendo em conta que a prova decorre num ambiente um pouco diferente do continente, consideras uma mais-valia ir alguns dias antes da prova para o arquipélago? 

Em termos meramente desportivos, não é relevante ir alguns dias mais cedo, pois a prova não se disputa em altitude. A ascensão ao Pico não é relevante; são somente 4 km entre a Casa da Montanha e o cume, e é efetuada em caminhada durante a semana por turistas. Por outro lado, os Açores merecem que as pessoas fiquem mais dias e desfrutem da sua cultura e da simpatia das suas gentes.

Que “dicas” podes deixar ao nível da gestão entre etapas?

O mais importante é seguir todas as recomendações da organização, estar atento à informação que será disponibilizada nos dias antes da prova e participar atentamente no briefing.

Recomendo que todos aproveitem o final das etapas para descansar e fazerem a melhor alimentação possível. Devem ter o cuidado com a manutenção de aspetos fundamentais, como por exemplo a hidratação dos pés, a ingestão de líquidos e a utilização de equipamento em boas condições após a conclusão de cada etapa.

Olhando para a tua prestação na Triangle Adventure, o que farias diferente numa participação futura?

Infelizmente este ano não irei participar; estarei pela primeira vez no continente africano a disputar uma prova de trail em autonomia quase total e em regime de ultra-endurance. Irei correr pela causa animal abraçando o projeto 2mãos4patas, que é superiormente coordenado pela Cristina Couceiro também ela atleta de Trail Running.

No que diz respeito a uma futura participação, não faria nada diferente. Tenho obtido bons resultados nas participações de anos anteriores, mas considero que um bom desempenho passa também por conseguir desfrutar ao máximo das belezas das ilhas, ter uma palavra de atenção para todos os voluntários, que tudo fazem para que não falte nada e colaborar com a organização a fim de tornar para todos os participantes da Azores Trail Run – Triangle Adventure uma memorável aventura de trail running.