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Por Ana Farias, Licenciada em Ciências da Saúde, equipa técnica Celeiro

O cacau é a semente do cacaueiro (theobroma cacao L.), da família das malvaceae e o seu nome significa alimento dos deuses. A árvore é originária da América Central e do Sul e encontra-se nas zonas equatoriais húmidas. Depois da colheita, os frutos são esmagados, de onde se extraem a polpa e as sementes – as quais originam o cacau. O cacau é a fonte do chocolate.

Saboroso e nutritivo

Com base na sua composição geral, e comparando com outras sementes, o cacau apresenta um valor nutritivo muito interessante. Dependendo da altura da colheita, o cacau contém cerca de 14 a 18% de proteína e 40 a 50% de gordura. Apesar do seu alto teor de gordura, não é fonte de colesterol. Apresenta ácidos gordos essenciais, da família do ómega 9 – o ácido oleico (gordura monoinsaturada encontrada também no azeite). O cacau é uma excelente fonte de fibra, de minerais essenciais (potássio, fósforo, magnésio, cálcio, ferro e zinco), de algumas vitaminas (ácido fólico, niacina, vitamina A), e apresenta 335 kcal/100g (valores para o cacau em pó).

Faz muito por si

Actualmente, o cacau é amplamente reconhecido como uma fonte rica em flavonóides, antocianidinas, catequinas e polifenóis, com poder anti-oxidante e anti-inflamatório, que lhe conferem a cor castanha. Estudos recentes1 têm sugerido que os flavonóides presentes no cacau podem exercer um papel importante nas actividades cognitivas.

Os polifenóis parecem actuar como protectores das doenças cardiovasculares, diminuindo a oxidação das LDL (low-density lipoprotein) – comummente conhecidas por “mau colesterol” – e reduzindo o risco de enfarte agudo do miocárdio. Os estudos referem que os polifenóis2 contidos no cacau poderão ter um potente efeito inibidor de enzimas, in vitro, na digestão de hidratos de carbono e gorduras. Este efeito, em conjunto com uma dieta baixa em calorias, poderá desempenhar um papel importante no controlo do peso corporal.

Promove o bem-estar

Presentes também no cacau estão as metilxantinas, representadas pela teobromina e pela cafeína (em quantidade bastante inferior do que a teobromina). Estas apresentam propriedades anti-oxidantes e psicoactivas, tendo a capacidade de induzir o relaxamento físico e intelectual. A teobromina funciona também como um estimulante sem os efeitos indesejáveis descritos para a cafeína. A anandamida é outra das substâncias presentes no cacau, a qual induz a libertação de dopamina (neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar).

Há ainda estudos3 que sugerem que os anti-oxidantes contidos no chocolate preto (com teor de cacau superior ou igual a 70%) poderão ter um significado fisiológico importante, ao diminuírem o eventual efeito nocivo do stresse oxidativo ao nível muscular, nomeadamente associado à prática desportiva.

Para comer e não só

Até chegar ao produto final, o cacau sofre algum processamento, durante o qual são utilizadas apenas as suas sementes. O cacau em pó (de preferência puro e magro) pode ser adicionado ao leite ou a bebidas alternativas (soja, arroz, aveia), conferindo um sabor único, ou substituir inclusive o chocolate em receitas de bolos e pudins. Se optar por chocolate, e de forma a maximizar os efeitos benéficos, deverá optar por um com pelo menos 70% de cacau na sua composição. A manteiga de cacau é utilizada muitas vezes como base de alguns cosméticos, como batons, cremes e desodorizantes. Regra geral, apesar dos seus benefícios, o cacau deverá ser consumido com moderação, devido ao seu valor calórico. A porção ideal será de duas colheres de sopa (40 g) por dia.