Cheira a Porto em Chamonix

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Texto e fotos: Rute Barbedo

 

Vir aos Alpes na última semana de Agosto é um “três-em-um” que este grupo de runners do Porto e de Vila do Conde não quis perder. Correr em alta montanha, conviver num ambiente especial e visitar os amigos emigrados na Suíça fizeram com que começassem a preparar o tour de Mont-Blanc muito antes da partida, no início deste ano.

Já que a primeira prova em que um deles participa é na quarta-feira – o TDS, de 119 km e 7200 metros de desnível positivo – as vésperas são para treinar, investir na aclimatização e aproveitar as esplanadas pela noite. “Hoje fomos lá em cima [em 7 km, subiram 1300 metros] e, enquanto, por aqui [na cidade de Chamonix] estavam mais de 20 º C, lá nevou!”, conta o portuense Paulo César, com um sorriso de criança.

 

“Tem de se estar cá”

É por isso que é importante chegar alguns dias antes da prova: para perceber os mecanismos, a topografia e a respiração do Monte Branco. Para quem tem o tempo contado, é importante vir, seja como for, porque “por mais que haja relatos e fotos, não se consegue transmitir o que isto é; tem de se estar cá para perceber”, conta Hélder Silva, estreante na Meca do trail.

Hélder também é do Porto, corre há três anos, mas começou a sentir que já tinha feito todas as provas da “lista” em Portugal. E qual é o próximo sonho que ferve na cabeça de um runner senão o UTMB? “Quem vê de fora acha-nos malucos”, diz. Por vezes são, realmente, porque não conhecem os limites, como confessa Hélder: “Prefiro não saber.” Tudo porque se tem “respeito pela montanha”, mas não se pode ter medo dela.

Entre Hélder, Paulo, Luís Silva, Vítor Cardoso e Sérgio Coelho, o objectivo varia. Uns querem superar-se na barreira dos minutos; outros na distância; outros, ainda, apenas vieram para participar e concluir a prova. “É uma semana completa”, descreve Luís, entre os amigos, e isso é o que importa.