“Corro de forma apaixonada e nervosa: a minha maior qualidade e o maior defeito”

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André Rodrigues

Para André Rodrigues, “2014 foi uma autêntica montanha russa”: a subir na ambição e a descer nas muitas lesões que o tornaram “mais completo”, como avalia. Isso e os 290 pontos no Circuito Nacional de Trail são as bases de um corpo preparado para o novo ano.

Texto: Rute Barbedo

Vamos ao Trail Aneto, em 2012, a tua estreia na modalidade.

A viagem a Benasque foi, sem dúvida, um momento de viragem. Fiquei com muita vontade de participar em mais uma prova e decidi, a convite do mesmo grupo com quem tinha ido a Benasque correr os 21 km do Grande Trail da Serra D’Arga (GTSA). Aí, sim, fiquei completamente viciado. Passados três meses [já em 2013] estava a correr os 50 km dos Trilhos dos Abutres.

Acho que tive alguma sorte pelo facto de as primeiras provas onde participei terem sido o GTSA e os Abutres, porque são de grande qualidade e deixam qualquer um com vontade de continuar…

Quais são as grandes diferenças entre o André dessa altura e o de hoje?

Não consigo apontar grandes diferenças. Evoluí um pouco, naturalmente, mas continuo a correr da mesma maneira. Em prova, ainda corro de forma muito apaixonada e nervosa, o que acaba por ser ao mesmo tempo a minha maior qualidade e o maior defeito.

Lembras-te dos “erros de principiante”?

Claro que sim! Aliás, continuo a cometer muitos deles: correr demasiados quilómetros, não dormir como deve ser, ter uma alimentação não condizente com o regime de treino, não fazer o que os fisioterapeutas mandam [risos]…

Fora as “desobediências”, agora que se inicia 2015, quais são as tuas prioridades?

Pretendo iniciar gradualmente as minhas aventuras internacionais e também testar-me pela primeira vez na distância de 100 km. Vou continuar a participar apenas em provas que vão ao encontro do que considero ser o trail running, com toda a sua dureza e tecnicidade.

Mas o meu principal objectivo é passar a época sem paragens forçadas devido a lesões [em 2014, André Rodrigues esteve fora de competição de Abril a Julho], de forma a poder cumprir o calendário a que me propus e a conhecer novos locais e montanhas fantásticas.

Estás em preparação para as Skyrunning National Series, que decorrem em Espanha, Andorra e Portugal. São várias provas ao longo do ano,  a altitudes elevadas. Um grande desafio…

Sim. É um evento com um nível competitivo que me vai permitir correr com atletas muito melhores do que eu e, assim, fazer-me evoluir como corredor. A altitude foi outra das razões pela qual escolhi este circuito. Inicialmente tinha pensado só no Mundial de “ultras”, mas aí tinha o entrave de a maior parte da prova principal do circuito se desenrolar acima dos 3 000 metros, e eu não tenho possibilidade de fazer aclimatização para correr a essa altitude. Já no circuito ibérico, a maioria das provas não passa dos 2 500 metros. Depois, desenrolam-se quase sempre até aos 2 000 metros, uma altitude a que estou habituado.

Qual será o teu grande enfoque a nível de treino?

Tenho de me adaptar e ser muito criativo, porque vivo em Leiria, em função do meu trabalho, e apesar de considerá-la uma das cidades mais runner friendly, é complicado treinar para provas em que dezenas de quilómetros são de subida contínua e de grande inclinação. Portanto, tenho de aproveitar os fins-de-semana para treinar algo mais específico.

O que procuras no trail, em última instância?

Não sei. Eu sou uma pessoa de paixões e de visão em túnel para aquilo que me apaixona. Sei que para já quero correr e não penso em muito mais do que isso. O meu objectivo é ir participando em provas cada vez mais competitivas… No topo da minha lista está a Zegama–Askorri, que é de longe a prova de trail mais competitiva do mundo. Se tivesse de escolher um objectivo final para as minhas aventuras na montanha, seria, certamente, alcançar o top 3 em Zegama, um dia.

 


 

Serrano de gema

  • Tem 28 anos.
  • É natural de Alqueve, Arganil.
  • Cresceu e viveu na serra do Açor.
  • Veste a camisola do Juventude Vidigalense.
  • É técnico responsável pelo Centro de Marcha e Corrida de Leiria.
  • A corrida é o único hobby. “Trabalhar, treinar e tentar dar um pouco de atenção a quem me rodeia não me deixa tempo para mais nada.”
  • Domingo é o dia de ir à casa dos pais e treinar os declives do trail.
  • Uma palavra para descrever a montanha: “casa”.