Feng Shui: acupunctura para a casa

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Os espaços onde vivemos e que partilhamos influenciam a percepção que temos da vida e condicionam a nossa saúde física, mental e emocional. Assim, de acordo com o Feng Shui, coisas simples como mudar um móvel de sítio ou a cor das paredes pode melhorar muito o seu bem-estar. Não acredita? Ora veja.

 

T: Ana João Fernandes F: DR

 

Já visitou a casa de alguém e sentiu uma energia alegre ou triste, leve ou pesada? Trata-se da energia Qi, uma força invisível que flui através do meio ambiente, das casas e do corpo humano. Este conceito é essencial para entender o Feng Shui, que, significando literalmente “vento e água”, assenta as suas bases na cosmologia oriental e estuda a influência dos espaços no nosso bem-estar.

O que é que isto tem a ver com corrida? A performance depende da nossa forma física e emocional e esta arte milenar promete, segundo Paula Oliveira, professora na Escola Nacional de Feng Shui, influenciar a vida em termos de saúde física, mental e emocional. “Através do conhecimento de como a energia Qi flui pelo espaço circundante, poderemos analisar excessos e estagnações desta mesma energia vital e a sua interacção com o campo energético dos seres humanos. Depois de feitas as necessárias correcções, é possível solucionar ou melhorar problemas emocionais, financeiros, profissionais e de saúde”, defende.

O simples facto de se alterar a cor de uma parede, reordenar a disposição da mobília ou colocar plantas naturais numa determinada posição poderá melhorar substancialmente a condição energética da nossa habitação e, consequentemente, de nós próprios e de tudo o que se relaciona connosco e faz parte de nós. É neste contexto que pode influenciar até, em última análise, a nossa performance na corrida. No entanto, o que é bom para uma pessoa ou uma casa pode não o ser para outra. “A arte do Feng Shui é individualizada. As generalizações são inúteis e, algumas vezes, até perigosas”, esclarece Paula Oliveira.

 Feng Shui clássico versus contemporâneo

Existem abordagens distintas dentro do Feng Shui: a clássica, que referencia um conhecimento milenar e que é praticada no Oriente; e a contemporânea, que bebeu das fontes originais, mas evoluiu durante o século XX para melhor satisfazer a mente ocidental. “É que a cultura e forma de pensar de um oriental e de um ocidental são diametralmente opostas”, refere a especialista. E exemplifica: “O ocidental é formatado desde que começa a pensar para acreditar na visão separatista do universo. Já ao oriental é ensinado que existe uma ligação entre todos os fenómenos” – perspectiva esta que tem sido, de resto, cada vez mais corroborada pelo desenvolvimento da Física Quântica.

Uma diferença entre o Feng Shui clássico e o contemporâneo é que no primeiro não existe o conceito de “intenção”, isto é, não depende do facto de o habitante acreditar mais ou menos no processo. “Tal como numa consulta de acupunctura, o terapeuta não pede ao paciente para acreditar no tratamento – vai, simplesmente, colocar a agulha no local correcto e libertar o bloqueio energético –, também as harmonizações no Feng Shui clássico não dependem do factor humano”, expõe Paula Oliveira. E acrescenta: “Muitas vezes apelidamos o Feng Shui clássico de uma verdadeira acupunctura da casa.”

A escolha de aplicação desta arte depende, em primeiro lugar, do objectivo da pessoa. “Por exemplo, para a harmonização do espaço ou o design de interiores, o Feng Shui contemporâneo é o indicado”, usando ferramentas como “a decoração, simbologia pessoal, cor e forma segundo os princípios do sistema dos cinco elementos (madeira, metal, água, terra e fogo)”. Já para questões como a “actuação em doenças concretas ou aumento de prosperidade, os cálculos clássicos terão porventura ferramentas, curas e aplicações mais objectivas”, acrescenta a docente da Escola Nacional de Feng Shui.

Acumulando o conhecimento e a experiência de inúmeras gerações ao longo dos séculos, no Feng Shui clássico defende-se que existem direcções e locais mais auspiciosos do que outros. Assim, elaboram-se mapas energéticos de uma casa, com o apoio da tradicional bússola chinesa, denominada Luo Pan, e do cálculo das Estrelas Voadoras, uma das principais ferramentas de Feng Shui. Depois de analisadas as características da habitação efectuam-se as alterações e curas necessárias, de modo a potenciar a prosperidade, a riqueza ou o desempenho e reconhecimento social (benefícios yang) e a reforçar a saúde, a vida familiar e as relações humanas ou o desenvolvimento interior (benefícios yin).

 

O Bagua

BaguaÉ a representação de um conceito filosófico fundamental da China antiga, cuja tradução literal significa oito trigramas ou oito mutações. Cada direcção dos pontos cardeais está associada a um elemento, um membro da família e uma cor, mostrando também quais os objectos ou características que podem ser utilizados para activar a sorte de cada direcção. É uma das ferramentas mais simples de Feng Shui.