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Por Dr. Nuno Moura, ortopedista na CUF Descobertas e na CUF Alvalade

 

É no equilíbrio entre as forças mecânicas “agressoras” da estrutura óssea e os mecanismos de reparação “protectores” do osso que surgem as fracturas de stresse, também chamadas fracturas de fadiga. Por definição, ocorrem em indivíduos com osso “normal” que é submetido a forças repetitivas excessivas que suplantam os mecanismos de reparação do osso. Vão-se acumulando pequenas lesões (micro-fracturas) que, pela falta de repouso, não são adequadamente reparadas e podem convergir em verdadeiras fracturas e comprometer a integridade estrutural do osso.

Estas fracturas não ocorrem de igual modo em todos os ossos, sendo mais frequentes em locais mais sujeitos a forças agressoras (que variam conforme o tipo de actividade física desempenhada) e que possuam menor capacidade de regeneração (por serem menos vascularizados), quase sempre em zonas de osso cortical (ver “Localizações mais comuns”).

 

Manifestação e prevenção

Quanto aos factores de risco para o seu aparecimento, estes podem ser separados em intrínsecos (inerentes ao próprio indivíduo e por isso pouco modificáveis – como sejam a idade, o género, o metabolismo ósseo, os suportes muscular e articular); e extrínsecos, que incluem as diversas variáveis do treino como o volume, intensidade e duração do mesmo, mas também o calçado, a superfície de treino e o tipo de desporto. É sobre estes últimos que vai assentar a maioria das estratégias de prevenção, das quais um exemplo simples é a troca de sapatilhas de corrida após uma determinada distância (pela perda das propriedades de absorção do choque da própria estrutura da sola) ou a utilização de palmilhas específicas que distribuam mais adequadamente as cargas sobre o pé em indivíduos com pés planos.

A forma mais frequente de manifestação da fractura de stresse é a dor durante o exercício, que habitualmente melhora ou desaparece com o repouso, voltando a surgir após a retoma desportiva, principalmente se o período de descanso for curto. Estas queixas surgem principalmente em duas situações:

 

Períodos de aumento significativo da intensidade do treino;

Nos chamados “weekend warriors”, nos quais se praticam actividades físicas muito intensas, mas apenas em períodos intermitentes e sem treino regular.

 

Prevalência e tratamento

As fracturas de stresse representam 10% de todas as lesões associadas a sobrecarga no desporto, valor que pode atingir os 20% quando avaliamos os praticantes de corrida. O médico especialista poderá realizar uma investigação adequada e detectar as alterações ósseas que surgem numa fase muito precoce na ressonância magnética nuclear e, consoante a localização e estádio, classificar a lesão em “alto risco” (maior propensão para recuperação lenta, progressão para fractura completa, atraso ou ausência de consolidação e dor crónica), “médio risco” ou “baixo risco”.

Embora grande parte das fracturas de stresse sejam tratáveis através de uma abordagem conservadora (repouso, com ou sem imobilização, com restrição absoluta das cargas, nomeadamente no membro inferior até ao desaparecimento completo das queixas e reintrodução progressiva da actividade desportiva), algumas fracturas de alto risco, principalmente quando não detectadas em fases precoces, poderão justificar a necessidade de tratamento cirúrgico. Esta opção pode igualmente ser colocada de forma quase imediata nos casos de fractura de tensão do colo do fémur; ou em atletas de elite para garantir uma retoma o mais precoce possível da actividade desportiva sem compromisso da sua performance.

Numa sociedade em que se exaltam cada vez mais os benefícios (inequívocos, é certo) do exercício físico, é fundamental termos igualmente a percepção dos nossos limites, para que possamos explorar com confiança as capacidades desta máquina quase perfeita que é o corpo humano.

 

Localizações mais comuns

Tíbia | 33%

Ossos do tarso | 20%

Metatarsos | 20%

Fémur | 11%

Perónio |   7%

Cintura pélvica |   7%