Grande Trail Serra D’Arga: Entrevista a Carlos Sá

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A sexta edição do Grande Trail da Serra D’Arga® (GTSA) tem um estatuto de “Edição Especial” devido aos incêndios que assolaram a região do Alto Minho. A organização da prova manteve em área ardida os trilhos das provas, que se realizam entre 24 e 25 de Setembro em Caminha, Ponte de Lima e Viana do Castelo, de forma a sensibilizar e consciencializar para a realidade do impacto dos incêndios na natureza. A prova principal de 53km, percorre 17km em zonas afetadas pelos incêndios numa chamada de atenção de que só se protege o que se conhece, de que é preciso divulgar para preservar. Durante os dois dias do evento serão realizadas acções de reflorestação nas quais participam atletas e comunidade.

 

Que constrangimentos provocaram os incêndios à organização do Grande Trail Serra D’Arga?

Os incêndios que assolaram a região neste Verão foram de tal forma graves que nos obrigaram a ponderar se faríamos ou não o GTSA. Tivemos que repensar toda a logística e alterar os percursos.  No fundo, foi como fazer uma prova nova.

Como foi possível alteraro percurso em tão curto espaço de tempo?

Trabalhámos dia e noite e alterámos cinco percursos mantendo as distâncias anunciadas, o que só foi possível conhecendo muito bem todos os recantos da serra e a sua envolvência.

Quais foram as principais preocupações da organização na escolha do novo percurso?

Preocupámo-nos em manter um percurso homogéneo onde os atletas possam alterar ritmos, com zonas rolantes e partes bastante técnicas, com passagens em locais que são autênticos recantos do Minho esquecido e capaz de fluir numa competição de massas como é o GTSA. A localização dos abastecimentos foi outra das preocupações, mas conseguimos um ajuste equilibrado.

Essas alterações tornaram o percurso mais difícil?

Não, pelo contrário tornaram o percurso mais fácil. Evitámos grandes subidas onde poucos correm, pois são zonas que foram devastadas e, por isso, altamente penalizadores para o atleta, se estiver um dia quente, e, por outro lado, se estiver a chover, a erosão provocaria estragos que nos obrigariam a cancelar a prova.

Que apoio tem a organização recebido das autarquias neste projecto de “Edição Especial” com vista à preservação e recuperação da área ardida?

Estamos a trabalhar em conjunto para mudar este ciclo e poder contar no futuro com uma serra mais verde e com mais árvores do que as que tinha antes desta tragédia. Os amantes do desporto de natureza são provavelmente as pessoas que mais usam a serra hoje e todos temos de nos empenhar para fazer algo por ela.

Que feedback têm recebido dos atletas e da comunidade relativamente à intenção de plantarem 1000 árvores no primeiro dia de prova?

Está a ser uma iniciativa com a qual todos se identificam. Provavelmente vamos alterar esta acção para os dois dias para que a maioria possa participar. Temos de alertar e envolver as massas nestas acções.

Que atletas da elite nacional e internacional há a destacar como presenças na prova?

Este ano temos o Campeonato do Mundo no final de Outubro e os atletas seleccionados estão “proibidos” de competir seis semanas antes para não correm o risco de lesões. Praticamente todos estão na Arga a ajudar na logística e a incentivar os seus colegas. A selecção de Cabo Verde estará novamente em força e muitos espanhóis, como é habitual. Os dados estão lançados para termos um bom GTSA.

Para quem se vai aventurar pela primeira vez numa ultra-distância, que conselhos partilha?

Começar no GTSA será para sempre uma boa experiência. Terá de gerir muito bem a sua corrida. O GTSA tem muitos atletas e muito rápidos, além disso as partidas conjuntas, neste caso, da ultra e dos 33 km pode dificultar essa mesma gestão, pelo que terão de fazer a sua própria corrida como se estivessem a correr sozinhos.

Quais as expectativas em relação ao evento?

Gostariamos de relançar o GTSA para algo ainda mais forte no futuro, e espero que os atletas fiquem agradados com as alterações efectuadas e com vontade de voltar aos percursos originais.