Há 15 anos na corrida que lhe aperta a garganta

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Era criança quando a II Guerra lhe bateu à porta e adolescente quando começou a correr. No ano em que o UTMB nasceu, em 2002, Robert Etellin ainda percorria montanhas em competição, aos 69 anos. Hoje é o voluntário mais querido da comunidade alpina.

Texto e foto: Rute Barbedo

 

É voluntário desde a primeira edição do Ultra Trail du Mont-Blanc. “Nunca falhei um UTMB”, conta o francês  Robert Etellin, de 84 anos, que vive junto ao glaciar de Bossons, em Chamonix. Usa, nos dias do evento, um chapéu castanho-escuro de feltro e os típicos guizos com que saúda a passagem dos atletas.
Entre os 2000 voluntários do evento de trail, é impossível Robert passar despercebido. A organização leva-o para todo o lado, fazendo os possíveis para que este ex-atleta amador esteja presente nos momentos mais marcantes do UTMB, seja às cinco da manhã em Courmayeur (Itália) ou às nove da noite em Chamonix.
“Comecei a correr há 66 anos”, declara o francês à RUNning, que destaca como ponto alto nestas lides a aventura na Ilha da Reunião, em pleno Oceano Índico, onde Etellin superou os 3000 metros de altitude. “3069”, precisa.
Aos 84 anos, sabe todas as datas e outros números de cor. “Participei em oito campeonatos de corrida, em França e Itália.” Os registos da Federação Francesa de Atletismo dão conta das performances mais recentes, como o 628.º lugar no Campeonato Francês de Montanha, no ano 2000, ou a 126.ª posição na Corrida do Vuache, em 2006. Quase sempre nos últimos lugares da tabela. Porquê? Bom, em 2006, Etellin tinha 73 anos.
Hoje, já sem físico para correr, o habitante de Chamonix entrega-se ao desporto como observador e fervoroso apoiante. “Todos os anos, estar no UTMB faz-me sentir calor no coração e prende-me a garganta”, confessa, de brinde feito para estar novamente em 2018 pelos trilhos.