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T: Ana João Fernandes

O joelho é a maior e mais complexa articulação da espécie humana. Possibilitando vários tipos de movimento (flexão, extensão e rotação), está submetida a grandes cargas, que podem atingir picos de cerca de 10 vezes o nosso peso. Ainda assim, qualquer dor deve ser vista como um sinal de alarme.

Antes de serem desportistas, os corredores são pessoas e, nessa condição, podem ser acometidos por qualquer patologia do joelho”, começa por lembrar João Gamelas, especialista em Ortopedia e Traumatologia e em Medicina Desportiva e coordenador da Unidade de Ortopedia do Hospital Lusíadas Lisboa.

Especificamente na corrida, o ortopedista destaca:
A patologia de sobrecarga: Existem lesões que resultam de impactos ou esforços repetidos. “Frequentemente, corridas em maiores distâncias e em terrenos mais duros (principalmente por indivíduos não habituados) ou posturas desadequadas prolongadas no tempo são causa de dor no joelho (gonalgia) porque levam ao desenvolvimento de tendinites”, elucida João Gamelas.
A manifestação mais frequente, nos corredores, é “a tendinite do tendão patelar, nomeadamente no pólo inferior da rótula (entesopatia)”, refere o ortopedista, acrescentando: “Aparece por sobrecarga destas estruturas, relacionada com corrida de longas distâncias, em pisos duros, com impactos repetidos, condicionando microtraumatismos de repetição e encurtamento muscular.”
A patologia traumática: De acordo com o especialista, “podem estar na origem de dor no joelho episódios traumáticos simples (como contusões por queda) ou mais complexos (como entorses), em que podem ser afectadas diferentes estruturas que compõem a articulação”. Podem ainda ocorrer fracturas, resultantes de traumatismos de maior intensidade.

Outras causas de dor no joelho
Existem, ainda, outras causas de gonalgia, como a patologia reumática ou a patologia degenerativa (artroses), que, “de um modo geral, aparecem de forma frequente e progressiva após os 50 anos”, afirma o ortopedista. As gonartroses podem surgir em joelhos sem patologia prévia (muitas vezes, com incidência familiar), ou podem ser secundárias a patologias ocorridas no passado.

Atitudes preventivas
“As melhores soluções são sempre as preventivas”, refere João Gamelas. Para evitar as lesões traumáticas, o especialista recomenda a “prática de corrida em sítios seguros, bem iluminados, com equipamentos que permitam estar atento, ver bem e ser bem visto, em pisos regulares e não excessivamente duros e com bom calçado desportivo, adaptado ao objectivo e à função”.
Para prevenir a patologia de sobrecarga, o ortopedista acrescenta a necessidade de “um bom planeamento do treino, com bom aquecimento prévio e alongamento musculo-tendinoso subsequente e com incremento gradual e progressivo das características do treino e da corrida”.
Um bom treino significa uma boa metodologia para permitir uma adequada adaptação das estruturas anatómicas a novas solicitações e objectivos. E essa adaptação precisa de tempo. Por isso, aconselha o médico: “Cuidado com as mudanças bruscas (de distância, de intensidade e de ritmo da corrida, de calçado, do tipo de piso, etc.)”.

Ter dor não é normal
O especialista é taxativo: “O aparecimento de dor nunca é normal e deve ser visto como um sinal de alarme que deve fazer pensar e rever o esquema de treino e equacionar o plano de corrida, com diminuição transitória das cargas.”
“Ainda que muitas das causas de gonalgia sejam benignas, provocando dores transitórias, algumas são graves e podem deixar sequelas, pelo que, em caso de dúvida e/ou de persistência da dor, é importante consultar um médico especialista.” Os tratamentos (medicação, fisioterapia, agentes físicos) são tanto mais eficazes quanto as medidas correctoras das circunstâncias que estão na origem do aparecimento da lesão e da sintomatologia (correcções posturais e posicionais e hábitos, rotinas e comportamentos desportivos e de treino).