Kilian Jornet, afinal, vai correr no UTMB ao abrigo de um regime de excepção

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Kilian Jornet - Hardrock100_(c) Philipp Reiter_007

Texto: Teresa Mendes

Foto:  Philipp Reiter

Numa reacção oficial às publicações sobre os directores de corridas norte-americanas, nos sites UltraRunnig.com e TrailRunnerMag.com, no final de Junho, que dizem recusar-se a pagar os pontos de qualificação da International Trail Running Association (ITRA), a Associação responde, num comunicado oficial que será publicado hoje no seu site, a que a RUNning teve acesso em exclusivo, que “cada organização é livre de decidir as exigências de qualificação necessárias para o registo das suas corridas e de decidir se querem ou não ser avaliadas pela ITRA”.

Recorde-se que a polémica teve início quando, há algumas semanas, a prova Hardrock Hundred recebeu alegadamente m e-mail de Catherine Poletti, directora do UTMB, que dizia que Kilian Jornet desejava participar na prova, mas como a organização da Hardrock não pagou a taxa exigida pela ITRA para a prova ser acreditada por esta entidade, o atleta teria ficado sem os pontos de qualificação necessários para poder participar.

O comunicado ao qual a RUNning teve acesso explica que a Hardrock Hundred aceitou ser uma corrida de qualificação e que quando os pormenores estavam a ser acertados o contacto foi estranhamente quebrado, sem que tenha voltado a responder aos e-mails da ITRA. “A Associação recebeu um e-mail do UTMB, no dia 19 de Março, a indicar que a Hardrock Hundred aceitou a sua proposta de passar a ser uma corrida de qualificação”. Simultaneamente, “o UTMB disse ao director daquela corrida que este seria contactado para acordarem os pormenores da proposta, que foi aceite”, prossegue o comunicado. “Três dias depois, a ITRA contactou a Hardrock, tal como solicitado, por e-mail, mas como a ITRA não recebeu qualquer resposta ao último e-mail enviado concluiu que a Hardrock não estava interessada em juntar-se à estrutura. As negociações acabaram aqui e, como tal, a Hardrock não é uma corrida ITRA, nem foi avaliada pela ITRA”, conclui o organismo.

Relativamente a Kilian Jornet, o comunicado avança que “a organização do UTMB já garantiu os pontos do atleta”. “Tendo em conta as suas recentes performances e uma vez que a Hardrock Hundred tem um número limitado de finalistas (entre 110 e 125), o UTMB optou por adicionar 6 pontos de retroactividade à corrida, a título excepcional, permitindo aos corredores a qualificação. Esta escolha foi aprovada por Dale Garland, o director da Hardrock”, esclarece a informação à imprensa.

Num comunicado extenso, a Associação refuta ainda, ponto por ponto, o conteúdo do artigo publicado, respondendo, por exemplo, que Catherine e Michel Poletti não são donos da ITRA ou do UTMB. “A ITRA é uma associação e a sua governação é assegurada por um Comité Directivo e um Conselho Executivo. Michel Poletti é o actual presidente eleito, Catherine Poletti é um dos membros-fundadores da ITRA. Os dois não têm qualquer poder de decisão dentro da associação”, sublinha o documento.

É rejeitada igualmente a acusação de ser uma empresa com fins lucrativos, com receitas na ordem dos milhões de euros. “A ITRA é uma associação sem fins lucrativos. A sua declaração financeira é pública”.