Mantenha a microbiota equilibrada e corra mais e melhor

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Diminuir a ingestão de géis industrializados à base de hidratos de carbono, substituindo-os por fruta e uma correcta hidratação, pode ser um passo em direcção a um melhor rendimento na corrida. Quem o defende é o nutricionista Murilo Pereira, Mestre em Microbiologia, que esteve em Portugal, em Outubro, a propósito do 3.º Congresso Europeu de Nutrição Funcional, para explicar como a microbiota influencia o rendimento desportivo e que estratégias devem ser seguidas para um funcionamento adequado da mesma.

Não sabe o que é a microbiota? Nós também não sabíamos. Por isso, perguntámos a este especialista, não só o que é, mas qual a sua importância para a vida dos atletas. “A microbiota (conjunto de micro-organismos que habitam um ecossistema, geralmente bactérias, mas também protozoários, que apresentam uma função importante na decomposição da matéria orgânica e reciclagem dos nutrientes) intestinal interfere directamente na garantia da integridade das células intestinais, e a vitalidade das mesmas é fundamental para que o atleta tenha uma absorção equilibrada dos macro e micro nutrientes necessários para a prática desportiva. Além disso, com a microbiota intestinal adequada, será possível uma recuperação metabólica e imunológica mais efectiva, visto que as células linfóides inatas são activadas pelos fragmentos microbianos, denominados padrões moleculares associados a microrganismos (MMP, na sigla inglesa) e então será optimizada a síntese de interleucinas anti-inflamatórias”, respondeu à RUNning.

Apreendido o conceito, passemos às estratégias que irão garantir o correcto funcionamento da nossa microbiota intestinal e, como tal, a optimização da capacidade de absorção dos nutrientes, potenciando uma maior resposta metabólica e imunológica. Ou, por outras palavras, um maior rendimento e uma melhor recuperação. “A principal estratégia é diminuir a ingestão de aditivos alimentares que proporcionam a eliminação das bactérias benéficas intestinais”, defende Murilo Pereira.

Esta estratégia não é difícil de implementar, garante o especialista, sugerindo duas atitudes nutricionais indispensáveis aos atletas, particularmente aos corredores, a somar à diminuição da ingestão de géis. São elas: “Aumentar a ingestão de vegetais, raízes, brássicas e frutas que sejam fonte de fibras solúveis, bem como ingerir probióticos, microrganismos do grupo das bífido-bactérias e lactobacilos, preferencialmente antes de dormir. Os indivíduos que apresentam distensão abdominal, diarreias ou obstipação, devem diminuir ou eliminar a ingestão de farináceos derivados do trigo, pois podem interferir na permeabilidade e integridade intestinal, e causar alterações da microbiota.”