Mário Leal na direcção da ITRA: “Quem deve votar na qualidade das provas tem de gostar o suficiente deste desporto para pagar a sua quota como associado”

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Texto: Teresa Mendes

Foto: Luciano Reis/RUNnig

Mário Leal, que foi escolhido para representar os organizadores portugueses na International Trail Running Association (ITRA), foi também recentemente eleito membro da direcção deste órgão máximo do trail running. Em entrevista à RUNning, o director do Azores Trail Run adiantou que a ITRA está a desenvolver um novo sistema de qualidade para classificar as provas, no qual será o atleta a decidir.

Foi um dos oito elementos escolhidos entre 25 candidatos para representante dos organizadores da ITRA. Foi também eleito, por altura do Campeonato do Mundo de Trail Running, que decorreu em Junho, em Itália, membro da direcção da Associação. Quais acha terem sido os argumentos a seu favor?

Mário Leal (ML): [Risos] Essa é uma pergunta difícil, mas a verdade é que eu, conjuntamente com os italianos Cristina Murgia e Enrico Purgia, fomos os únicos três a ser eleitos à primeira volta, pois conseguimos mais de 50% dos votos. Depois, houve uma segunda volta para eleger os restantes cinco membros. A meu favor esteve provavelmente o facto de começar a ser conhecido entre os organizadores de provas internacionais e também porque tenho o hábito de intervir nas assembleias gerais da ITRA.

Quais os objectivos que se propõe cumprir enquanto representante dos organizadores de trail running na ITRA?

ML: No fundo, eu acabo por ter duas funções. Sou representante dos organizadores portugueses e membro da direcção da ITRA. Como representante nacional vou apostar numa mais efectiva comunicação entre a ITRA e os organizadores portugueses e tentar mostrar junto dos directores de prova nacionais o que é a ITRA, a importância de ter um membro regulador e a relevância de as provas serem certificadas pela ITRA e de os atletas poderem ter os pontos ITRA. Para conseguir levar a cabo essa tarefa o meu trabalho vai começar por conhecer melhor os organizadores portugueses, saber quem são, de forma a melhor poder representá-los.

Enquanto membro da direcção da ITRA vou tentar, sempre que possível, defender os seus interesses, ter um papel activo no futuro e nas actividades da Associação e nas decisões que se adivinham bastante complexas, nomeadamente os campeonatos do mundo ou o relacionamento com a IAAF. Mas, como é óbvio, não vou poder esquecer que sou português e que é importante fazer-me ouvir enquanto tal, pois o trail em Portugal já é um fenómeno muito abrangente.

Considera que a defesa dos interesses portugueses é coincidente com a defesa dos interesses da ITRA?

ML: É evidente que algumas questões poderão não ir no mesmo sentido. Contudo, penso que tudo se resolve com uma atitude pedagógica.

O que envolve essa atitude pedagógica?

ML: Pegando no exemplo dos organizadores de provas americanas que se recusam a pagar os pontos ITRA, considero que os benefícios de pertencer à ITRA têm de ser mais divulgados e incentivados, até porque tem de haver algum critério e organização.

E como é que isso se faz?

ML: Posso avançar que, neste momento, a ITRA tem em desenvolvimento um sistema de qualidade que tem como objectivo classificar as provas consoante a opinião dada pelo inquérito-tipo que a Associação vai fazer a cada participante. Depois, cada prova obterá um selo de qualidade que a vai classificar de acordo com a opinião dos atletas.

E todos os atletas podem classificar as provas?

ML: Este é um processo ainda em discussão, mas na minha opinião, que já transmiti à ITRA, este inquérito só deve ser realizado a atletas associados, ou seja, que pagam a quota da ITRA. Isto para evitar dar um inquérito a alguém que está a fazer a sua primeira prova – eu já tive queixas nas provas de trail de pessoas que dizem que o chão tem pedras e que faz calor [risos]. Como tal, quem deve votar na qualidade das provas tem de ser alguém que goste o suficiente deste desporto para pagar a sua quota como associado.