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Ana Farias, licenciada em Ciências da Nutrição.

 

A chegada do verão traz consigo uma fruta bem característica, de sabor adocicado: a melancia (Citrullus lanatus). Da família do melão, da abóbora e do pepino, a melancia é originária das regiões da África tropical onde é cultivada há mais de 4000 anos, tendo sido trazida para algumas regiões da Europa. Encontra-se normalmente disponível de Julho até Setembro, em diferentes variedades que se distinguem pela cor exterior (preta ou com riscas esverdeadas) e pela forma (a variedade preta é mais redonda enquanto a riscada é oval).

Perfil nutricional
A água é o principal componente da melancia. Com cerca de 93% de água é um fruto com um valor calórico reduzido, apresentando apenas 26kcal/100g. Ao contrário de outros frutos, tem menor teor em açúcares. Contém um aminoácido característico denominado por L-citrulina. Este permite que a melancia resista aos danos oxidativos em ambientes adversos. Apresenta valores consideráveis de vitaminas B6 e C e também de magnésio e potássio. A sua cor interior vermelha intensa deve-se ao pigmento denominado licopeno, um carotenóide presente noutros alimentos como o tomate, a toranja, a goiaba ou a papaia.

Benefícios para a saúde
A melancia é muito apreciada no verão não só pelo seu sabor ímpar, mas também por ser uma fruta “leve”. Devido às suas características torna-se também uma fruta ideal para os atletas, particularmente durante e após o esforço físico. Pelo seu conteúdo em água auxilia na hidratação, fornecendo ao mesmo tempo vitaminas, minerais e anti-oxidantes. A vitamina B6 ajuda na redução do cansaço e da fadiga. O magnésio e o potássio contribuem para o normal funcionamento muscular. O aminoácido L-citrulina parece aumentar a síntese proteica e a disponibilidade de arginina, essencial para o metabolismo e recuperação muscular. Em relação aos fitonutrientes, destaca-se o licopeno, considerado um dos carotenóides com maior actividade anti-oxidante. No seu conjunto, particularmente o licopeno e a vitamina C são importantes na protecção das células contra as oxidações indesejáveis, que estão associadas a algumas doenças e também ao envelhecimento precoce.

Como escolher
Este fruto deve apresentar-se simétrico e firme, de superfície cerosa, sem fendas nem cortes. Uma das técnicas empíricas utilizadas para averiguar se a melancia estará “pronta a consumir” consiste em fechar a mão e, com o nó dos dedos, bater na sua casca: se o som emitido for oco é porque, à partida, a fruta estará madura. Apresenta, habitualmente, uma zona amarelada numa das extremidades, que corresponde ao local onde esteve em contacto com o solo.

Utilização
A melancia é geralmente consumida ao natural, mas é também utilizada em sumos, saladas de fruta ou adicionada nas saladas com hortícolas. Mais recentemente tem sido incorporada em novas receitas como gaspacho de melancia, sorvete e pode ainda aromatizar a sua água se for congelada em cubos e posteriormente adicionada ao seu jarro. Em algumas regiões do mundo, as sementes da melancia são também consumidas tostadas com a adição de um pouco de sal.

 

Recuperação cardíaca e muscular

O teste foi feito em apenas sete atletas do sexo masculino, mas pode ser um primeiro passo para a descoberta de um possível efeito benéfico da melancia ao nível da recuperação cardíaca e muscular. Pelo menos, foi o que mostrou o estudo (1) que se baseou na ingestão pelos atletas, divididos em grupos, de 500 ml de sumo de melancia natural, 500 ml de sumo de melancia enriquecido e placebo. Os atletas que ingeriram o sumo de melancia, seja na sua forma natural ou enriquecida, apresentaram uma recuperação mais rápida da frequência cardíaca e muscular após 24 horas.

1.http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/jf400964r

 

Sugestão Celeiro

Melancia biológica