O dia foi cinzento para os portugueses

Foto: Trail Bem Viver
Este fim-de-semana corre-se em Magrelos e em S. João das Lampas
12 May, 2018
Foto: GDM
Tiago Pereira e Inês Moreira vencem Trail Bem Viver
13 May, 2018
IMG_2456 (2)

Texto e fotos: Rute Barbedo

IMG_2113 (2)O objectivo da Selecção Nacional de Trail era ficar, por equipas, entre as cinco primeiras e colocar, ao mesmo tempo, um a dois atletas entre os 10 a 15 melhores. Mas apesar de um dia maioritariamente de sol, ele não brilhou particularmente para os portugueses. André Rodrigues (com treinos bastante condicionados nos últimos 40 dias, que comprometeram o programa de estágios da Selecção) foi o melhor atleta luso, ocupando o 28.º lugar, com o tempo de 9h43m57s. O corredor manteve a linha da frente entre os portugueses desde a partida e conseguiu acompanhar o ritmo elevado imposto por atletas como Zach Miller (8.º na meta, mas durante mais de metade dos trilhos líder absoluto), Luis Alberto Hernando – agora tricampeão mundial de trail – ou Cristofer Clemente (segundo lugar), apesar de algumas falhas de percurso, como a falta de hidratação.

Hélio Fumo, que se manteve durante uma grande parte da prova no encalço de André Rodrigues, acabou por sucumbir a uma crise aguda de dor nos membros inferiores com a qual lutou durante mais de duas horas. Tendo abandonado o Mundial depois da subida interminável de Vistabella, juntou-se a Bruno Sousa no quadro português de desistências. Luís Fernandes passou, então, de terceiro a segundo melhor português, alcançando uma 40.ª posição na classificação geral. Luís Duarte e Tiago Romão foram os seguintes a chegar à meta, nas posições 67 e 75.

A resistência de Inês Marques

IMG_1865Talvez a melhor notícia tenha vindo do plano feminino, com Inês Marques a realizar uma prova prudente e a conseguir uma fórmula que lhe permitiu rondar o 20.º lugar ao longo dos 85 km, posição que fixou na meta, com um tempo de 11h05m41s. Na véspera da corrida, a atleta de 25 anos confessou à RUNning que o seu objectivo individual nesta competição era ficar entre as 30 melhores. Mais do que alcançado, portanto. Marisa Vieira foi 31.ª; Sofia Roquete, 34.ª; Cristina Couceiro, 37.ª; Lucinda Sousa, 50.ª; Ester Alves, 65.ª; e Fernanda Verde, 94.ª.

 

 

 

Em que nível estão os portugueses?

Entremos em dados comparativos. No plano feminino, a quanto tempo estamos da campeã mundial, Ragna Debats, dos Países Baixos? Pouco mais de uma hora e dez minutos. Colossal? Não tanto, se considerarmos os menos de cinco anos de Inês Marques no trail (apesar dos 20 de experiência na corrida) contra os 39 de vida – nove como trail runner – de Ragna, que levou para este Mundial o título de campeã europeia de skyrunning e um “bronze” no Mundial de 2016 em Portugal. No entanto, o tempo de Ragna – 9h55m – foi melhor do que o de quatro dos cinco portugueses que concluíram a prova. (Sobre este e outros assuntos relacionados com a prestação portuguesa, a RUNning optou por não abordar os responsáveis técnicos no calor da corrida, mas prometemos regressar ao tema.)

Espanha reinou

IMG_2188 (2)No plano geral, Espanha mostrou-se fortíssima tanto no lado feminino como masculino. As apostas no já bicampeão Luis Alberto Hernando parecem ter surtido efeito e o espanhol, apesar de ter estado uma boa parte atrás do americano Zach Miller – conhecido pelos seus ataques ferozes desde o arranque -, levou a prova com disciplina e maturidade. Enquanto Miller subia até ao ‘pueblo’ de Vistabella com a respiração visivelmente perturbada e um olhar como que alucinado na direcção do posto de abastecimento, Luis mantinha a concentração em cada movimento e avançava compassado. “Vai acabar por ultrapassá-lo, vai ser ele a ganhar”, ouvia-se entre os apoiantes que assistiam ao duelo EUA/Espanha.

Como se não bastasse a grande vitória do atleta de 40 anos, Cristofer Clemente foi escalando lugares – aos 31 km ia em 42.º e aos 62 km já ocupava a quinta posição, mostrando que numa prova destas não há como lançar prognósticos – para atingir a ‘prata’ do Mundial de Penyagolosa. Thomas Evans, do Reino Unido, brilhou com um terceiro lugar.

Do lado feminino, além da performance soberba de Ragna – que apesar de estar a correr pelos Países Baixos, nasceu na Catalunha -, destacaram-se as marcas de Laia Cañes – a atleta “da casa” que tinha cartazes com o seu nome na chegada à meta – e a francesa Claire Mouguel.