O exercício físico ainda é um luxo?

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Segundo um estudo do Observador Cetelem Desporto e Saúde 2018, apenas 32% dos portugueses praticam exercício físico – valores insuficientes, principalmente quando os estudos indicam que 13,6% do total de mortes prematuras em Portugal são atribuídas à inactividade física.

O estudo foi levado a cabo pela empresa de estudos de mercado Nielsen e teve por base uma amostra representativa de 600 indivíduos residentes em Portugal Continental, de ambos os géneros e com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, que foram inquiridos telefonicamente, e os resultados indicaram que, apesar da crescente sensibilização para um estilo de vida saudável, ainda existem várias condicionantes que o dificultam. Entre elas, a mais preponderante é a falta de dinheiro.

 

Falta de dinheiro, de tempo e de gosto são as principais razões

“A falta de poder de compra generalizada obrigou os portugueses a redefinir prioridades e a gerir melhor a forma como gastam o seu dinheiro, levando à concentração dos gastos em bens de primeira necessidade” – é o que diz o estudo do Observador Cetelem. Assim, algumas das actividades consideradas supérfluas, como hobbies ou, neste caso, o ginásio, foram relegadas para segundo plano, de forma a reduzir os gastos. Esta é uma das razões pelas quais as estatísticas mostram que 68% dos inquiridos afirmam não praticar exercício físico. Além da falta de dinheiro, as principais razões apontadas são a falta de tempo (40%), a falta de gosto (23%) ou de vontade (17%). Existem ainda outros motivos, relacionados com questões de saúde, falta de companhia ou o facto de não ver resultados práticos no esforço investido.

Foto: Arquivo

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As mulheres e as classes média e baixa são as que treinam menos

Segundo os dados revelados pelo estudo em causa, dos 32% que praticam exercício físico, 63% são homens entre os 18 e ao 34 anos. Por oposição, as mulheres e a geração entre os 45 e os 65 anos são as que treinam menos. Outra revelação deste estudo é que a prática desportivo é mais comum junto da população que vive em centros urbanos e com boas condições financeiras: “Em termos socioeconómicos, é importante destacar que 95% dos praticantes de actividade física provêm de classes com rendimentos elevados e 84% dos que não praticam qualquer actividade física são oriundos de classes com rendimentos médios e baixos.”

 

Menos de um terço da população portuguesa faz exercício físico

Mas apesar deste número, a verdade é que se verifica um aumento generalizado da preocupação com a saúde e têm-se vindo a assistir a uma melhoria das condições de vida da população, juntamente com um maior alerta em relação à prática de exercício físico e a uma alimentação mais saudável. Segundo o estudo do Observador Cetelem Desporto e Saúde 2018: “Entre as motivações para a prática de exercício físico destaca-se a manutenção da forma física (64%), que leva a que 62% dos inquiridos faça três a quatro treinos por semana. Contudo, este não é o único motivo que leva os portugueses a exercitar o corpo. As respostas dos inquiridos sugerem que razões de saúde (15%) e perda de peso (10%) são também importantes objectivos pessoais, assim como motivações de natureza estética ou social: diversão, integração num grupo ou o reforço de relações sociais.”

Sejam quais forem os motivos, o importante é que haja cada vez mais uma preocupação com a saúde aliada à prática desportiva no nosso país, e que o alerta seja dado, já que, segundo o Observatório Global para a Actividade Física, 13,6% do total de mortes prematuras em Portugal são atribuídas à inactividade física, contra a média global de 9%. “E, segundo informação prestada pela Direcção Geral de Saúde, a falta de inactividade física acarreta para Portugal custos estimados de, pelo menos, 900 milhões de euros”, acrescenta o estudo.

 

Estudo do Observador Cetelem Desporto e Saúde 2018: PR 09MAI Apenas 32%25 dos portugueses praticam exercício físico