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Dr. António Nogueira de Sousa, Ortopedista no Hospital Cuf Porto

A incidência de lesões associadas à prática da corrida oscila entre os 37 e os 56%, sendo que entre 50 a 75% são por sobrecarga. A existência de lesão prévia, a ausência ou menor experiência na prática deste desporto e o excesso de treino são considerados factores primordiais de lesão. Mas há outros com relação não-consensual, como a realização de aquecimento e alongamentos; o peso corporal; o desalinhamento dos membros inferiores; a existência de desequilíbrios musculares; a diminuição do arco de mobilidade articular; a frequência e o nível de treino; o tipo de calçado desportivo; e o uso de ortóteses (palmilhas). Alguns autores referem, ainda, que os primeiros quatro a seis meses de prática da modalidade, o período após o regresso de uma lesão, o aumento não progressivo da distância e da velocidade no treino, o repouso insuficiente, o uso de sapatilhas para além dos 650 a 900 km, distâncias de treino semanal superiores a 60-65 km, assim como a ausência de um período anual de pausa são importantes na ocorrência de lesões.

Em diversos estudos epidemiológicos, o joelho surge como a principal região fonte de lesão (40 a 45% dos casos), seguido do conjunto “perna, tornozelo e pé” (35 a 40% das lesões). No ranking das três lesões mais frequentes – “o pódio não desejado” – encontram-se a síndrome patelofemoral, a síndrome da banda ileotibial e a fasceíte plantar, que, em conjunto, representam 35 a 40% das lesões associadas à corrida.

A síndrome patelofemoral  

Manifesta-se por dor na região anterior do joelho, que agrava com a continuação do exercício, com as descidas e em longos períodos sentados. Pode ser acompanhada de crepitação, sensação de instabilidade e derrame. São factores predisponentes: o joelho valgo, o recurvatum do joelho, o pé plano, a pronação exagerada do pé, o exagero da anteversão femoral, a torsão tibial aumentada, a patela alta, a laxidez ligamentar e os desequilíbrios musculares da coxa. O tratamento passa por diminuir a intensidade do treino e evitar os percursos com inclinações, sendo que a fisiatria e o uso de ortóteses apresentam, habitualmente, bons resultados.

Síndrome da banda Ileo-tibial 

Caracteriza-se por dor ao nível do compartimento lateral do joelho. A sensibilidade ao nível do epicôndilo femoral lateral agudiza-se com a corrida, sobretudo em planos inclinados, e aumenta com a pressão local nos movimentos de flexão/extensão do joelho. São factores predisponentes: o excesso de supinação do pé; a dismetria dos membros inferiores; e um joelho varo exagerado. O treino em pisos duros e a utilização de calçado com suporte medial são factores apontados por alguns autores. O tratamento conservador consiste na correcção da fraqueza do médio nadegueiro. Os alongamentos, a massagem local, a crioterapia e a modificação do plano de treino são úteis na terapêutica e na prevenção.

Fasceíte Plantar 

São factores predisponentes o excesso de peso; o sexo feminino; as alterações da arcada plantar (pé cavo e pé plano); a hiperpronação do antepé; a tensão do tendão de Aquiles; a dismetria dos membros inferiores; a excessiva torsão tibial; a anteversão femoral; e as cunhas de suporte medial, no calçado. O aumento da intensidade e da carga de treino são também factores de risco. Nos primeiros passos de manhã, ao levantar, a dor é muito intensa, aliviando quase de seguida e aumentando novamente de intensidade no final do dia (piora depois do treino). O tratamento de primeira linha são os anti-inflamatórios não-esteróides e o repouso, associados a um programa de alongamentos rigoroso.