Por trilhos nunca dantes desbravados

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Inspirada por provas como a BR135 ou a Badwater Ultramarathon, é um dos desafios mais exigentes do calendário nacional, que volta a percorrer seis concelhos da Beira Baixa, debaixo das tórridas temperaturas de Julho.

T: Miguel Judas    F: Cortesia da organização

 

A ideia de organizar uma das maiores ultramaratonas do mundo em Portugal surgiu em 2013, após uma parceria com a organização da BR135, uma prova brasileira que serve de qualificação directa para a Badwater Ultramarathon, realizada anualmente no deserto californiano do Death Valley. Por coincidência, nesse mesmo ano, a mítica prova norte-americana seria ganha por um português, de seu nome Carlos Sá, num feito inédito que inspirou ainda mais a empresa de eventos desportivos Horizontes, organizadora de provas como Oh Meu Deus ou o Território Circuito Centro, a avançar com o projecto.

“Se à paisagem natural juntarmos o clima e a história do nosso país, chegamos à conclusão de que Portugal tem uma série de características únicas como destino de desporto e turismo, ou de ‘maraturismo’, como costumamos dizer por graça”, refere Sandra Costa, da Horizontes. Foi aliás com “a única finalidade de promover e divulgar Portugal”, que decidiram realizar no país “uma das maiores ultramaratonas non-stop do mundo”. A escolha da Beira Baixa para cenário da prova também não foi feita ao acaso, uma vez que esta região, além das características naturais únicas, é “uma das zonas de maior relevância histórica do país, com vestígios e monumentos que vão desde os tempos dos romanos aos templários ou ao período das invasões francesas”.

Com partida em Penamacor e chegada em Castelo Branco, o percurso, de 281 km, é feito de forma contínua e em regime de semi-autossuficiência – com recurso a GPS. Mesmo assim, ao longo do caminho, os participantes encontram vários postos de controlo, com abastecimentos sólidos e líquidos, onde poderão descansar e reabastecer forças, enquanto atravessam locais como a Serra de Malcata, as aldeias históricas de Monsanto e Penha Garcia, o Parque Natural do Tejo Internacional ou geo-sítios com milhões de anos como as Portas de Ródão ou o Vale Almorão.

Aconselha-se, por isso, alguma experiência em corridas de longa distância, acima de 100 quilómetros, e em auto-suficiência para se participar neste intenso desafio que é o PT281. “Além dessa experiência, é ainda necessário ter um treino físico e mental muito grande, de modo a saber gerir a mente para a evasão, a abstracção, a superação e o sofrimento intenso, essenciais para terminar a prova”, aconselha Sandra Costa. Este ano, realiza–se entre 27 a 30 de Julho e, como habitualmente, um dos principais obstáculos é o calor que nesta altura do ano se faz sentir, com temperaturas que facilmente superam os 40 ºC.

Apesar de todas estas dificuldades, o número de inscritos tem subido de ano para ano, como faz questão de sublinhar esta responsável: “Passámos de 16 participantes na primeira edição para 46 na segunda e este ano deveremos ter um número idêntico, mas com a previsão de aumento já nos próximos anos, principalmente de atletas estrangeiros.” Quanto à percentagem de finalistas: “Entre os 40 e os 45 por cento”, responde Sandra Costa, acrescentando que se manteve quase inalterada nas duas edições anteriores.