Prevenção de lesões em férias: Corrida na areia

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Por Rita Tomás e Marcos Miranda (respectivamente fisiatra e especialista em Medicina Desportiva na Clínica Cuf Alvalade, em Lisboa)

Para os amantes da corrida, o Verão significa a oportunidade de diversificar a superfície de treino. Normalmente não se usa qualquer tipo de calçado, pelo que o contacto com a areia (seca ou molhada) é feito directamente com a planta do pé. Nos últimos anos, a corrida sem calçado ou com calçado minimalista tem conquistado entusiastas entre os desportistas. Ao correr na praia poderá ter um primeiro contacto com esta modalidade, sem o risco de abrasão cutânea causada por outras superfícies, como o alcatrão.

A corrida/marcha em areia seca tem sido utilizada em protocolos de reabilitação de lesões desportivas, por atenuar as forças de impacto no solo e trabalhar outros aspectos como a propriocepção. A corrida em areia pode ainda melhorar a consciencialização da posição do pé, por não existirem barreiras entre os mecanoreceptores plantares e a superfície de apoio.

O padrão de recrutamento muscular em corrida em areia seca é diferente do habitual (alcatrão ou relva), com maior activação dos músculos dos compartimentos posterior e interno da perna. Esta particularidade contribuiu para a existência de dores musculares depois da corrida, sobretudo nos primeiros treinos e se a duração/distância forem excessivas. Uma forma de contrariar este risco é começar com corridas curtas e fazer alongamentos musculares após cada sessão, sobretudo dos gémeos e solear.

Para uma velocidade idêntica, a corrida em areia seca corresponde a um maior dispêndio energético. Para o mesmo tipo de exercício (sprints, treino de agilidade, etc.), atingem-se frequências cardíacas mais elevadas e há uma maior percepção de esforço na areia, em comparação com outras superfícies, como a relva. Uma superfície mais “suave”, menos estável e com menor retorno de energia elástica, obrigada a um maior esforço por parte do atleta. Assim, a corrida em areia seca permite um desafio adicional ao corredor habitual ou uma experiência diferente ao atleta principiante.

Lesões mais frequentes

A corrida em areia molhada, mais compacta, é mais semelhante à corrida em outras superfícies mais “duras”. Assim, pode existir o risco de sobrecarga das estruturas do pé, sobretudo em atletas que fazem o impacto no solo com a parte posterior do pé (calcanhar) e transmissão de forças para a coluna vertebral. Podem surgir dores na planta do pé, compatíveis com a inflamação da fáscia plantar, uma estrutura de tecido conjuntivo que apoia o arco interno do pé, desde o calcâneo até aos metatarsos. No entanto, se o atleta conseguir fazer o impacto no solo mais com a porção média e anterior do pé, poderá “amortecer” o impacto, fazendo um contacto mais rápido com o solo e ao mesmo tempo fortalecer os músculos intrínsecos do pé.

Além das lesões de sobrecarga já mencionadas, correr na areia pode causar traumatismos nos dedos dos pés. Pode ocorrer uma flexão plantar exagerada da articulação metarsofalângica no contacto com o solo, mais frequentemente do primeiro dedo de pé, podendo haver uma lesão ligamentar e do tendão extensor do dedo (sand toe).