Prevenir infecções respiratórias? Treine a sua imunidade

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Dr.ª Maria João Sá, especialista em Medicina Geral e Familiar e Medicina Desportiva, no Centro de Medicina e Traumatologia Desportiva CUF Porto

 

As infecções respiratórias são bastante frequentes na população, registando-se cerca de um a seis “resfriados comuns” por ano nos adultos. Em atletas, os sintomas associados a estas infecções (congestão nasal, mal-estar geral, mialgias, cefaleias, dor de garganta) são alguns dos principais motivos de consulta médica, sendo mais frequentes do que na população em geral.

Habitualmente as formas de contágio são através de gotículas (espirros, material e superfícies contaminadas); as infecções são auto-limitadas (sete a 14 dias) e têm uma evolução benigna. Os vírus destacam-se como os principais agentes etiológicos identificados.

A actividade física moderada pode melhorar a função imunológica, pois promove as defesas imunitárias inatas. No entanto, em comparação com indivíduos menos activos, os atletas têm maior incidência de infecções respiratórias, particularmente após treinos intensos e competições. Nestas circunstâncias, verifica-se um efeito depressor sobre a função imunitária, criando uma janela de oportunidade para estas infecções. A associação entre o aumento do risco de infecção respiratória e os períodos de maior intensidade de treino desperta a atenção para algumas medidas que podem reduzir o risco de infecção.

O planeamento do treino, com carga e intensidade adequadas, bem como dos períodos de descanso, são fundamentais na redução desta janela de oportunidade. A recuperação é, assim, um aspecto decisivo. Estudos experimentais demonstraram que a privação do sono diminui a função imunitária e que o maior tempo de descanso está associado à redução do risco de sintomatologia respiratória.

Outro aspecto a realçar relaciona-se com o aporte insuficiente de hidratos de carbono que, comparativamente com dietas de valor normal ou superior, se acompanha de valores de hormonas de stresse e citocinas pró-inflamatórias mais altos após o exercício. Tal facto sugere que a ingestão de hidratos de carbono antes e durante o exercício ameniza alguns dos efeitos imunossupressores do exercício intenso.

Uma alimentação equilibrada e adaptada às necessidades individuais, a hidratação e o descanso adequados são estratégias basilares da prevenção das infecções respiratórias. A adopção destas medidas, integradas num plano de treino adequado e respeitador das características individuais, é fundamental na prevenção de infecções respiratórias em atletas.

 

Três palavras contra a gripe

Hidratação

Descanso

Hidratos de carbono