Caiu um recorde mundial em Taicanga, mas não é português

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António Fernandes
António Manuel Fernandes, jornalista profissional desde 1990, é atualmente colaborador do jornal Record, comentador na SportTv, editor de um magazine de notícias online, produzindo ainda trabalhos de comunicação para alguns organizadores de provas e é o correspondente do site da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF)) Autor do livro “Cem Anos de Maratona em Portugal”, foi co-fundador da primeira empresa profissional de organização de provas e colaborou em todos os diários desportivos e ainda nos diários generalistas Diário Popular (até à sua extinção) e Correio da Manhã.

Sábado e domingo, a cidade de Taicang, na China, acolheu o Campeonato do Mundo de Selecções de Marcha Atlética, onde Portugal esteve presente.

A selecção portuguesa tinha dois expoentes internacionais da Marcha, Inês Henriques, campeã e recordista mundial, e Ana Cabecinha, que nas últimas edições se classificar ente o quarto e o oitavo lugar.

Contudo, o primeiro dia foi aziago para as portuguesas, com Inês Henriques a desistir na prova de 50 km antes dos 30 km, e Ana Cabecinha a resistir nos 20 km mas a terminar em 18.º lugar, com uma marca menos boa (1h30m39s). Quanto às outras portuguesas nesta prova, Edna Barros foi 45.ª lugar, com um recorde pessoal (1h35m03s) e Mara Ribeiro ficou longe, sendo 72.ª (1h42m18s). Com isto Portugal foi apenas 10.º classificado por equipas. 

Homens sem destaque

Em masculinos, nos 20 km, o melhor foi João Vieira (35.º com 1h26m59s), seguindo-se Miguel Rodrigues (41.º com 1h27m47s) e Miguel Carvalho (69.º com 1h32m41s). Todos abaixo do que valem, no que resultou um 12.º lugar para a Portugal em termos colectivos.

Nos 50 km, Pedro Isidro, o nosso único representante, desistiu.

Quanto aos juniores, foi mais um momento de escalada na carreira. Em femininos, Maria Bernardo, que foi 14.ª (48m50s) na prova de 10 km, bateu o seu recorde pessoal em mais de um minuto (um minuto e seis segundos) e foi Joana Pontes, a ficar em 21.º lugar (50m50s), quem fechou a equipa num 8.º lugar da classificação por países. Inês Reis, desistiu.

Nos masculinos, Portugal só tinha um representante, Paulo Martins, que terminou em 37º lugar (44.59 minutos), perto do seu recorde pessoal (44.45), conseguido em Rio Maior, no mês passado.

Japão surpreendente

Em termos internacionais, a China venceu colectivamente as provas femininas de 20 e 50 km, e ambas as provas de juniores. A surpresa veio do Japão, que venceu a prova de 20 km (foi a primeira vez, depois de dois bronzes) e de 50 km (um triunfo inédito!).

Individualmente, o destaque maior vai para a chinesa Rui Liang (de 23 anos), vencedora dos 50 km, que obteve um novo recorde do Mundo (4h04m36s), melhorando em um minuto e 20 segundos o anterior máximo (4h05m56s), que pertencia a Inês Henriques.

Nos 20 km e nos 10 km femininos, o México triunfou. Maria Guadalupe Gonzalez repetiu o triunfo de há dois anos nos 20 km (com 1h26m38s), derrotando a chinesa Shijie Qieyang (vencedora do Grande Prémio de Rio Maior este ano), que fez 1h27m06s. E nas jovens, triunfou Alegna Gonzalez (45m08s), com recorde sul-americano de juniores.

Em masculinos, o Japão também colecionou vitórias individuais, com Hiroki Arai (3h44m25s) a ser o melhor nos 50 km (à frente de um pódio inteiro do país do Sol Nascente, com Hayato Katsuki – 3h44m31s -, e Satoshi Maruo – 3h44m52s).

Nos juniores masculinos, a chinesa salvou a honra com o triunfo de Yao Zhang (40m07s), com a melhor marca mundial de juniores do ano.


Internacional

Meeting de Doha a marcar o ano

Começou a Liga Diamante, com o primeiro meeting em Doha, e cedo começaram a sair os bons resultados, com várias melhores marcas mundiais do ano, como na prova de 400 metros planos, com Steven Gardiner (Bahamas) a fazer 43,87 segundos (também recorde do meeting e das Bahamas) e dos 400 metros barreiras, com Abderrahman Samba (Qatar) a correr em 47m57s, uma das melhores marcas dos últimos anos, que também é recorde da Liga Diamante, do meeting e também recorde do Qatar.

Nos saltos, Mutaz Essa Barshim (Qatar), o segundo melhor saltador de sempre (2,43 metros) voltou a passar os 2,40 metros, o que conseguiu pela décima vez, aproximando-se do recordista mundial, Javier Sotomayor (2,45 metros) que o fez 16 vezes! Depois, no triplo salto, Pedro Pablo Pichardo, saltou 17,95 metros (v: +0.6 m/s), fazendo a sua 5.ª marca de sempre.

Nos 200 metros, o jovem Noah Lyles (EUA), bateu o recorde do meeting com a marca de 19,84 metros (v:+1,3).

Nas provas femininas, destaque para o disco, com a croata Sandra Perkovic a lançar a 71,38 metros (a três centímetros do seu recorde pessoal), sendo esta marca também recorde da Liga Diamante e do meeting; e depois as corridas, de 100 metros, com triunfo de Marie-Josée Ta Lou (Costa do Marfim), com 10m85s (v: +1.5); Caster Semenya baixou dos quatro minutos pela primeira vez nos 1500 metros (3m59s92′) e Caroline Chepkoech Kipkirui (Quénia) surpreendeu toda a gente com uma vitória nos 3000 metros (8m29s05′). A norte-americana Sandi Morris venceu o salto com vara em recorde do meeting (4,84 metros).

 

Gallen Rupp vence em Praga

 

Depois de ter desistido em Boston, o norte-americano Galen Rupp foi a Praga e fez uma corrida excelente em 2h06m07s, provando que as suas palavras pré-competição, que poderia atacar o recorde americano (2h05m38s) não eram fúteis.

Em femininos triunfou a queniana Bornes Kitur em 2h24m19s, com Sara Moreira a desistir (Pedro Ribeiro também desistiu em masculinos).

 

“Mondo” Duplantis… de novo

 

O jovem sueco (mas nascido nos Estados Unidos) Armand “Mondo” Duplantis voltou a bater o recorde do mundo de juniores do salto com vara. Agora fez 4,93 metros no Campeonato de Louisiana, melhorando o anterior máximo que já lhe pertencia, em um centímetro!

 

Por cá

 

Abriu o Circuito de Meetings…

O Circuito de Meetings de Portugal 2018 conheceu o seu início no passado sábado, com a realização do Meeting Vítor tavares, em Faro, que proporcionou bons resultados, destacando-se as provas de velocidade.

Nos 100 metros masculinos, uma final emocionante com triunfo de José Pedro Lopes (SLB) em 10,44 segundos (vento: 0,9 m/s), em recorde pessoal, à frente de Rafael Jorge (10,48 segundos) a três centésimos do seu melhor, com mais cinco atletas até 10,80 segundos: Carlos Nascimento (SCP) 10,54, Frederico Curvelo (SLB) 10,62, André Costa (SLB) 10,66, Delvis Santos (SLB) 10,72 (júnior), Ricardo Pereira (SLB) 10,72. O recordista europeu, já veterano, Francis Obikwelu (10,92, mas 10,80 na meia-final), fechou as contas.

Nos 400 metros barreiras masculinos, registou-se uma boa prova, com Diogo Mestre a terminar em 51s42′, recorde pessoal, à frente do venezuelano Lucirio Garrido (52s30′); e nos 800 metros, triunfo de José C. Pinto (SLB) 1m49s66′, derrotando o júnior Marcelo Pereira (NA Taipas) que correu em 1m49s99′, sendo o 15.º júnior português de sempre e mínimos para o mundial de juniores por um centésimo!

A prova de estafeta também foi excelente. Venceu um quarteto do Benfica (José Pedro Lopes, Diogo Antunes, Ricardo Pereira e João Esteves), 40,10 segundos, à frente da equipa do Sporting (40,55) e de uma equipa júnior do Benfica (Rodrigo Rosa, João Geadas, Delvis Santos e João Coelho), que correu em 41,33 segundos, a segunda melhor marca de clubes de sempre, ficando a 12 centésimos do recorde nacional da categoria, 41,21 segundos, obtido por um quarteto do Benfica (André Destapado, João Ferreira, Rui Silva e Arnaldo Abrantes), em Leiria, a 4 de Maio de 2005!

Depois, uma nota para o regresso à competição, depois de longa paragem por lesão, de Diogo Ferreira, do Benfica, no salto com vara, com 5,35 metros, derrotando o seu colega de treino e de clube Ícaro Miranda (5,00 metros)

Provas femininas também em bom tom

Em femininos, na final dos 100 metros (v: 1,4 m/s) registou-se o triunfo da venezuelana Andrea Purica (11s46′), derrotando as sportinguistas Lorene Bazolo (11s61′) e Rosalina Santos (11s85′).

As sportinguistas estiveram melhor nas eliminatórias. Lorene correu em 11s59′ (v:-1,4 m/s) e Rosalina em 11s73′(v: -1,0).

Estas duas atletas, conjuntamente com Olímpia Barbosa e Filipa Martins, fizeram parte do quarteto do Sporting que terminou a estafeta de 4×100 metros em 44s91′, a segunda melhor marca de sempre de uma equipa de clube.

Depois, nos 800 metros, as sportinguistas Cátia Azevedo (2m06s35′) e Salomé Afonso (2m07s30′), e a júnior benfiquista Patrícia Silva (2m09s00′), ficaram perto dos seus recordes pessoais.

Lançadoras à solta no Minho

Mais a norte, em Vila Nova de Cerveira, houve vários resultados interessantes no fim-de-semana, que acolheu a jornada habitual de lançamentos (sábado) e um Torneio Internacional (domingo), com destaque para a discóbula Irina Rodrigues que lançou 58,64 metros, enquanto a juvenil Eva Gonçalves, do NA Cucujães, lançou 42,80 metros no disco, subindo a décima juvenil de sempre, e alcançando os mínimos para os Europeus de juvenis.

No lançamento do martelo, a sportinguista Vânia Silva alcançou os 63,65 metros (61,75 na véspera), e a atleta do Sporting de Braga, Andreia Venade, fez 55,43 metros, destacando-se ainda a júnior Cecília Rebocho com 49,19 metros.

Entre os homens, os resultados de domingo foram mais proeminentes, com António Vital e Silva (Benfica) de novo acima dos 70 metros (70,01, melhor que os 66,79 da véspera), à frente de Dário Manso (Benfica), que lançou 65,95 metros, e de Décio Andrade (Estreito), que fez 62,73 metros (menos do que conseguira na véspera, 65,15 metros a lançar a 65,95 metros.

No lançamento do dardo, o júnior Leandro Ramos confirmou novamente os mínimos para o Mundial da categoria ao lançar o engenho a 71,588 metros.

Para lá da fronteira

Vera Nunes a melhor na Global Run

Foto: Red Bull

Foto: Red Bull

A portuguesa Vera Nunes, do Benfica, foi a grande vencedora da Wings for Life World Run, uma iniciativa global, de corrida, disputada simultaneamente em 66 países e que contou com cerca de 100 mil participantes este ano.

Nesta iniciativa, em que os corredores correm o maior número de quilómetros até serem “apanhados” pelo carro oficial da prova, os vencedores anuais em cada país têm como prémio a participação no ano seguinte noutro país que acolha a prova e Vera Nunes escolheu Munique para seu destino, percorrendo 53,78 km até ao carro meta a apanhar.

Na mesma prova correu o português António Sousa, que foi 17.º global, com 60,67 km.

Outro português Luís Ricardo Pereira, correu em Taiwan, sendo o vencedor com 58,74 km (22.º global).

Segundo a organização, em 2018 foram percorridos 934.484 km por todos os participantes, que deram mais de três milhões de euros de donativos.

Portugueses em destaque nos grandes meetings

Este fim-de-semana foi marcado pelo início da Liga Diamante (ver internacional), em Doha, no Qatar, que proporcionou ao recente português Pedro Pablo Pichardo (do Benfica) a marca de 17,95 metros triunfando no triplo salto. Este resultado será novo recorde de Portugal (como a RUNning noticiou), se ratificado pela Federação Portuguesa de Atletismo.

Foto:DR/Wipidedia

Foto:DR/Wipidedia

 

O anterior detentor do recorde, Nelson Évora, foi quarto na prova com 17,04 metros, uma das melhores aberturas de sempre do sportinguista.

Antes, nos Estados Unidos, em Palo Alto, Samuel Barata fez a melhor marca portuguesa desde 2011 nos 10 000 metros, correndo a distância em 28m24s25′, confirmando os mínimos para os Europeus de Berlim.

Na mesma reunião, participaram Emanuel Rolim (5.º classificado na série 2 de 1500 metros, com 3m44s04′) e Hugo Rocha (vencedor da série 3 com a marca de 3m45s74′).