Ribeira Grande, Açores: Ponha aqui o seu pezinho…

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Aberto na Ribeira Grande há pouco mais de um ano, o primeiro Centro de Marcha e Corrida dos Açores é um sucesso prestes a ser multiplicado noutros concelhos do arquipélago.

Texto: Miguel Judas

Fotos: Celestino Santos

“Devagar, devagarinho”, como diz uma das mais famosas canções do folclore açoriano, tem-se chegado ao longe na Ribeira Grande. Foi aqui, nesta cidade da costa Norte da ilha de São Miguel, que, em Fevereiro de 2016, abriu o primeiro Centro de Marcha e Corrida no arquipélago dos Açores. E passado pouco mais de um ano, já são mais de cem os atletas (e aspirantes a atletas) a usufruir desta nova valência. “Tem corrido bastante bem e o objectivo, para a próxima época, passa por duplicarmos o número de presenças nos treinos”, revela à RUNning o coordenador da Zona Atlântica do Programa Nacional de Marcha e Corrida, Rui Durão.

Segundo este responsável, são muitas as razões que explicam o sucesso da iniciativa, a começar pelo “elevado número de praticantes de marcha e corrida” existente no concelho. “A maioria treinava de uma forma completamente anárquica e perceberam que aqui o poderiam fazer com o acompanhamento técnico adequado”, sublinha. E estes chamaram outros, quanto mais não fosse “por mera curiosidade ou pela gratuitidade do acompanhamento”.

Mas nem só de marcha e corrida vive este centro, como alerta Rui. “Já foi organizado o primeiro Simpósio de Desporto, Saúde e Bem-estar da Ribeira Grande, com cerca de 50 participantes e estamos a estabelecer parcerias com outras entidades públicas, para organizar, por exemplo, iniciativas com idosos e crianças. É um centro muito dinâmico, cujo exemplo levou a que já fôssemos contactados por outras autarquias açorianas, com interesse em replicar o projecto”.

Para a escolha da Ribeira Grande também contribuiu e muito, o interesse da câmara local em receber o Centro de Marcha e Corrida, disponibilizando, inclusive, um pavilhão desportivo para lhe servir de sede. “É um projecto que tem tudo a ver com a estratégia do município em promover um estilo de vida mais saudável”, refere o presidente da autarquia, Alexandre Gaudêncio, que também se tem esforçado por promover o centro junto dos seus munícipes. “Organizamos caminhadas pelos trilhos do concelho, bem como diversas provas de corrida ao longo do ano e tem sido um orgulho ver que há cada vez mais gente a usar as t-shirts cor-de-laranja do centro, especialmente senhoras”, salienta.

Além de ser “um projecto inédito nos Açores”, outro factor que ajudou a convencer o autarca foi “o alcance do serviço”, direccionado para toda a população e não apenas para os praticantes mais experientes. “Somos um concelho com uma grande tradição desportiva, com mais de mil atletas federados nas mais diversas modalidades, mas o nosso objectivo é que toda a população mantenha uma actividade física regular”, deseja Alexandre, ele próprio um antigo jogador de futebol.

Personalizar para mais de uma centena
acores2Os treinos são sempre ao fim da tarde, numa rotina que se repete às segundas, quartas e sextas. E foi numa sexta-feira, de Junho, que conhecemos este centro. Dentro do pavilhão, como habitualmente, à espera dos atletas, já estão os técnicos Raquel Furtado e Delfim Vieira, ambos do Clube Juventude Ilha Verde; ela responsável pela marcha e ele pelos treinos de corrida. “Está a ser uma experiência muito positiva para nós, enquanto treinadores, porque, em pouco de tempo, passámos de quase “personal trainers” a ter de gerir um grupo enorme, que continua a crescer a cada dia”, conta Raquel Furtado, lembrando que “algumas das pessoas que se iniciaram na caminhada já estão actualmente a correr”.

É o caso de Marina Medeiros, farmacêutica de 28 anos, que por várias vezes tentou ir para um ginásio, mas “acabava por desistir sempre”. Agora, desde o início do ano que não falha um treino. “Venho pelo convívio, pelas amizades que entretanto fiz, mas especialmente pelo modo como a Raquel puxa por nós. Melhorei em tudo, até o nível de colesterol baixou e entretanto, pela primeira vez na vida, também já comecei a correr”, confessa.

O trabalho é feito da forma mais personalizada possível, com os planos de treino a serem repensados e actualizados semanalmente, de acordo com a forma e a evolução de cada um. “Temos de ter esse cuidado, porque nem todas estas pessoas são propriamente atletas”, esclarece por seu turno Delfim Vieira, sem esconder o orgulho pela “quase ausência de lesões” no seu grupo de corrida, que actualmente abrange uma faixa etária dos 16 aos 70 anos. E acrescenta: “Apesar de não ser esse o objectivo, alguns até já perderam peso, pois aconselhamos sempre a complementar o exercício com uma dieta adequada.”

O treino começa com alguns exercícios de aquecimento e mobilidade, dentro do pavilhão, seguindo-se o percurso do dia, que neste quente e soalheiro fim de tarde de Verão incluía uma passagem pela praia de Santa Bárbara. No final, já com todos novamente juntos, há ainda tempo para uma retemperadora sessão de alongamentos.
A professora Maria de Lurdes Sousa, 52 anos, é quase sempre uma das primeiras a regressar. O desporto sempre fez parte da sua vida: jogou voleibol e, mais recentemente, “costumava ir ao ginásio no Inverno e dava umas corridas no Verão”.
Começou a treinar no centro há um ano e habituada que estava a correr sozinha, estranhou quando começou a fazê-lo em grupo. Mas apenas por pouco tempo. “Passei a ter alguém a motivar-me, a puxar por mim e graças a isso evolui bastante. Hoje corro muito mais em menos tempo.”