Swimrun: A correr e a nadar se vai ao longe

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SwimRun-(22)

O Parque Natural da Arrábida foi o cenário escolhido para a primeira prova portuguesa de swimrun, a 4 de Junho, uma modalidade nascida na Suécia e que em pouco mais de uma década se tornou num caso sério de popularidade em todo o mundo.

T: Miguel Judas    F: Pedro Lizardo

 

Juntar álcool com desporto não será, porventura, a mais feliz das combinações, mas é sabido que é à volta de um copo que muitas vezes surgem as melhores ideias. Assim aconteceu há cerca de dez anos, com um grupo de amigos suecos, que, embalados pela cerveja, fizeram entre si a aposta de correr ao longo de várias ilhas do arquipélago de Estocolmo, numa distância total de 75 quilómetros, sendo as ligações entre elas, cerca de 10 quilómetros, feitas a nado. Sem o saberem estavam a criar o swimrun, uma modalidade em franco crescimento um pouco por todo o mundo e que no próximo dia 4 de Junho chega a Portugal. O local escolhido para a realização da primeira prova foi o Parque Natural da Arrábida, “um cenário perfeito para a prática de swimrun”, como o descreve Bruno Safara, o organizador da Swimrun Portugal.

Voltando um pouco atrás, até à tal noite em Estocolmo, mal imaginavam os amigos que uma louca aposta de copos se viria também a tornar na prova de referência desta modalidade. A Otillo (que em sueco significa “de ilha para ilha”) é actualmente também o nome de um circuito mundial de swimrun, cuja etapa sueca é a mais importante. Tal como originalmente foi concebida, é disputada em equipas de dois elementos, ao longo das várias ilhas do arquipélago de Estocolmo, o que envolve, portanto, múltiplas transições entre a natação em águas abertas, e a corrida cross- -country, habitualmente em trilhos. E, ao contrário de desportos similares, como o aquatlo ou o triatlo, são vários os segmentos de natação e corridas existentes numa prova de swimrun.

Outra particularidade tem a ver com o facto de os participantes não mudarem de equipamento ao longo da prova, como acontece no aquatlo ou no triatlo. Ou seja, correm com o fato de neoprene ou o trisuit vulgarmente usado no triatlo. “Outra opção viável, quando o clima o permite, é o uso de calções e t-shirt de compressão”, sugere ainda Bruno Safara, que já participou numa prova do circuito Otillo realizada o ano passado na Escócia e prepara-se agora para a segunda, em Julho, na Suíça.

Quanto à natação é sempre realizada com os ténis calçados. “No início parece um pouco estranho, mas depois torna-se parte do desafio e dá um interesse acrescido à modalidade”, salienta o organizador, recordando que, para melhorar a mobilidade na água, “hoje são permitidas inúmeras soluções, como pullboys ou palas para as mãos”. Neste momento são várias as marcas desportivas, como a Head, a Salomon ou a Salming a apostar em equipamentos exclusivamente criados para a prática deste desporto, o que atesta bem o crescimento da modalidade e a própria Garmin já inclui, nalguns dos seus equipamentos, a opção swimrun. “Os fatos são parecidos com os de triatlo, mas têm o fecho situado à frente e são um pouco mais curtos e menos densos nas virilhas, de modo a facilitarem a corrida”, explica Bruno Safara.

E desengane-se quem pensa que o swimrun é um desporto apenas para atletas de elite ou com experiência anterior no triatlo ou no aquatlo. “Como não há distâncias padronizadas, as provas vão desde distâncias sprint, muito curtas e acessíveis a todos, a distâncias ultra, mais adequadas para os mais experientes”, sublinha o organizador, alertando que “apenas é necessário saber nadar em águas abertas”. Além disso e por razões de seguranças, os segmentos de natação são sempre acompanhados por barcos de apoio. Na estreia da modalidade em Portugal, a 4 de Junho, na Arrábida, serão duas as distâncias à escolha dos participantes: 14 km (12 a correr e 2 a nadar) e 6 km (5 a correr e 1 a nadar).

Apesar de ser originalmente disputado aos pares, esta primeira prova de swimrun em território nacional, que conta já com quase 200 inscrições, será individual. “Optámos por esta solução, para dar a oportunidade a todos de se iniciarem neste desporto”, sustenta o organizador. O que não significa que nos próximos eventos a mesma regra se mantenha: “O mais natural é aos poucos começarmos a introduzir a vertente original de equipa/dupla”. Sim, porque “o objectivo, a curto prazo, é começar a organizar um circuito nacional”. E quem sabe se, um dia, Portugal não poderá receber uma etapa Otillo? “É um dos nossos sonhos”, confessa Bruno Safara, até “porque temos condições únicas para o swimrun”, que aqui e ao contrário dos países nórdicos, pode ser praticado ao longo de todo o ano. Saiba mais em www.swimrunportugal.com.

 

Dicionário de equipamento para swimrun  

Wetsuit: Fato de neoprene

Paddels: Palas para as mãos

Pullboys: Flutuadores

Fins: Barbatana