Taça da Europa de 10 000 metros sem destaque português

Foto: Fotos do Zé
UTSM: José Silvério e Armanda Barroso no pódio
21 May, 2018
Foto: Rute Barbedo
Azores Trail Run: À descoberta da grande rota dos baleeiros
22 May, 2018
Foto: FPA
António Fernandes
António Manuel Fernandes, jornalista profissional desde 1990, é atualmente colaborador do jornal Record, comentador na SportTv, editor de um magazine de notícias online, produzindo ainda trabalhos de comunicação para alguns organizadores de provas e é o correspondente do site da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF)) Autor do livro “Cem Anos de Maratona em Portugal”, foi co-fundador da primeira empresa profissional de organização de provas e colaborou em todos os diários desportivos e ainda nos diários generalistas Diário Popular (até à sua extinção) e Correio da Manhã.

Foto: FPA

Iniciada pela vontade dos dois países ibéricos, Portugal e Espanha, que apoiaram a ideia do português Mário Moniz Pereira, a Taça da Europa de 10 000 metros tem um historial riquíssimo de participação e triunfos portugueses, mas este ano tudo foi muito mais discreto.

Nos últimos anos, a qualidade dos corredores de meio-fundo europeus, particularmente os de 10 000 metros, tornaram-se uma preocupação para os dirigentes europeus, que têm procurado ideias para reverter essa situação.

Por isso a Associação Europeia de Atletismo entendeu associar-se a um meeting só de provas de dupla légua e que tem vindo a subir na qualidade dos bons resultados ao longo dos anos: o “night of 10 k pb’s” (a noite dos recordes pessoais em 10 000 metros), que se realiza em Londres, na pista de Parliameent Hill.

Esta competição especial, permite a presença do público até metade da pista, tem uma tenda gigante por onde passam também os atletas, muita animação, écrans gigantes e muito interesse do público que criam condições únicas que empolgam os atletas.

Este ano isso voltou a acontecer e até houve mais participação de bom nível pelo facto de al se realizar a Taça da Europa, que teve em Espanha (masculinos) e Grã-Bretanha (femininos) os vencedores colectivos da competição.

Portugal não tinha equipas e limitou-se a dois representantes individuais, com sortes diferentes. Em femininos, Cátia Santos aproveitou bem a corrida e terminou com um recorde pessoal (33m21s98′), na 25.ª posição; em masculinos, Ricardo Dias (foi colocado na série B), não conseguiu terminar, enquanto outro português, António Silva, radicado em Londres, competiu terminando no 23.º lugar em 29m51s07′.

Em termos gerais, verificou-se uma excelente prova masculina, com sete atletas europeus abaixo dos 28 minutos na mesma prova, com triunfo do alemão Richard Ringer, medalha de bronze nos Europeus de 2016, em 5 000 metros, que fez a sua melhor marca de sempre e pela primeira vez abaixo dos 28 minutos (27m36s52′). Ficam aqui os outros seis sub-28: Morad Amdouni (FRA), 27m36s80′, Yemaneberhan Crippa (ITA), 27m44s21′, Adel Mechaal (ESP), 27m50s56′, Alexander Yee (GBR), 27m51s94′, Andy Vernon (GBR), 27m52s32′, e Chris Thompson (GBR), 27m52s56′.

Em femininos, duas atletas baixaram dos 32 minutos, ambas com recordes pessoais, com a favorita Lonah Salpeter Chemtai, de Israel, a triunfar em 31m33s03′, à frente da romena Ancuta Bobocel (31m43s12′). O terceiro lugar do pódio foi para a britânica Charlotte Arter, com 32m15s71′ (também recorde pessoal)


 

POR CÁ…

Recorde sub-23 para Jessica Inchude

A sportinguista Jessica Inchude brilhou no decorrer das provas-extra levadas a efeito pela Associação de Atletismo de Lisboa no decorrer das provas do Olímpico Jovem, na pista do Estádio Universitário. A atleta lançou 1,69,98 e ficou a escassos dois centímetros de chegar aos 17 metros, uma marca apenas alcançada pela recordista nacional absoluta, Teresa Machado (e apenas por três vezes: 17,26 metros, pista coberta, em 1998; 17,18 metros, em 1996, e 17,08 metros, em 1999.

Esta marca de Jessica Inchude melhora em 8 centímetros o anterior recorde (16,90 metros, em pista coberta), que já lhe pertencia desde o ano passado. Na mesma prova, Francislaine Serra fez 15,27 metros (recorde pessoal).

Mas houve mais resultados. Nos 3000 metros femininos, que o Sporting aproveitou para testar a condição das suas meio-fundistas, triunfou Catarina Ribeiro que cortou a meta em 9m10s74′, à frente de Inês Monteiro (9m13s04′) e de Ana Ferreira (9m38s21′).

No salto em comprimento, Evelise Veiga saltou 6,29 metros (v: +1,9), à frente de Lucinda Gomes (6,22, +2m3); nos 100 metros, Lorene Bazolo fez 11s53′ (v:+3,4); nos 400 m barreiras, Andreia Crespo fez 59s80′, todas do Sporting.

Nas provas masculinas, Tiago Aperta (Sporting) lançou o dardo a 67,47 metros; no triplo-salto, Tiago Pereira (Benfica) saltoiu 16,25 metros (v:+2,7) e Carlos Veiga fez 16,09 metros (+3,7). Oleksandr Lyashenko saltou 15,75 metros (0,4), mínimos para os Jogos do Mediterrâneo. Nos 100 metros masculinos (v: +1,1), André Prazeres (JOMA) fez 10s85′ e João Esteves (SLB) fez 10s87′.

 

Frederico Curvelo destaca-se nos 100 metros em Guimarães

Entretanto, em Guimarães, nas provas-extra que a Associação de Braga organizou, nos 100 metros masculinos (v: +1,2 m/s), vitória do benfiquista Frederico Curvelo (SLB) em 10s54′, à frente de Eduardo Sá (SCB), que fez 10,91. Curvelo conseguiu marca de qualificação para os Jogos do Mediterrâneo.


 

PARA LÁ DA FRONTEIRA

Ruben Antunes em destaque na Alemanha

Foto: @hwmfc

Foto: @hwmfc

Dois portugueses estiveram no Meeting de Lançamento do Martelo de Fränkisch-Crumbach, na Alemanha. No primeiro dia, sábado, Ruben Antunes, do Juventude Vidigalense, esteve em evidência vencendo a prova de sub-20 (martelo de 6 kg) com um lançamento de 71,02 metros, confirmando a marca de qualificação para os Mundiais de Juniores.

No dia seguinte, o sportinguista Miguel Carreira, foi o terceiro sub-23, lançando 62,64 metrps (martelo de 7,260 kg).

 

Marta Pen terceira na Jamaica

Marta Pen, que está a estudar na Universidade de Mississipi, nos Estados Unidos, “deu” um pulinho à Jamaica para participar no Meeting de Kingston, o primeiro do Circuito mundial da IAAF. A atleta do Benfica correu nos 1500 metros e foi terceira, com a marca de 4m16s09′, atrás das norte-americanas Stephanie Brown (4m12s.81′) e Rachel Schneider (4m13s39′).

 

Teresa Vaz de Carvalho exibe-se em Manchester

A cidade de Manchester recebeu os Great City Games, provas de atletismo que decorrem em pistas e caixas de saltos montadas nas ruas da cidade para exibição da modalidade e que contam com muitos espectadores e lá estiveram dois portugueses.

No salto em comprimento, a benfiquista Teresa Vaz de Carvalho fez a sua melhor marca da época com um salto de 6,16 metros (v: +0,6 m/s), para ser terceira na prova, atrás da francesa Eloyse Lesuer (6,58 metros) e da britânica Jazmin Sawyers (6,43 metros).

Na pouco usual prova de 150 metros (v: -0.3), triunfou o britânico Leon Reid (15s52′), derrotando o holandês Solomon Bockarie (15s57′), o norueguês Jonathan Quarcoo (15s75′), com o português David Lima (a residir na Inglaterra) a fazer 16s24′.

 

Varistas portugueses na Polónia

Entretanto, na Polónia, o vice-campeão mundial do salto com vara, Piotr Lisek, realizou uma prova na sua cidade natal, Duszniki, na Polónia, promovendo a especialidade e o atletismo numa organização que, segundo a imprensa local, juntou perto de duas mil pessoas.

Lisek, que venceu a prova com 5,75 metros, convidou os portugueses Diogo Ferreira, do Benfica (que fez 5,45 metros), e Edi Maia, do Sporting (que saltou 5,20 metros).

 

Leonor Tavares competiu em Grenoble

Entretanto, a portuguesa radicada em França, Maria Leonor Tavares, participou na final de Elite 2 do Campoenato de Clubes de França, saltando 4,20 metros na vara, a sua melhor marca deste ano ao ar livre (tem 4,26 metros em pista coberta)


 

 

INTERNACIONAL

Elaine Thompson Foto: Wikimedia Commons

Elaine Thompson (Foto: Wikimedia Commons)

Meeting de Kingston abre Circuito Mundial da IAAF

A Federação Internacional (IAAF) promove dois circuitos de meetings: a Liga Diamante, o mais rico, com melhores prémios e com finais que são autênticos mundiais; e o Circuito Mundial, que tem prémios menores, mas que participados também pelas grandes figuras mundiais.

Este Circuito mundial conheceu este fim-de-semana o seu início com a realização do Meeting de Kingston, na Jamaica, em que desta vez, as figuras da casa, não souberam brilhar tão alto.

Ainda assim, um dos pontos altos surgiu nos 100 metros femininos, com triunfo da dupla campeã olímpica, Elaine Thompson, em 11s06′ (-0,3), apesar de fortes dificuldades na partida por estar a recuperar de uma lesão no tendão de Aquiles. A segunda classificada foi Kerron Stewart (11s25′), que fez a sua despedida em pistas jamaicanas.

Já nas provas masculinas, destaque para Ronnie Baker (EUA), que venceu os 100 metros (+2,0), em 10s00′, quatro centésimos mais rápido que o seu compatriota Michael Rodgers; e o jamaicano Christopher Taylor (20s49′) derrotou o americano LaShawn Merritt (20s70′) nos 200 metros (v:0,0).

Uma prova muito aguardada, embora pareça estranho, foi a do lançamento do peso feminino, já que tinha a presença da jamaicana Danniel Thomas-Dodd, recém-coroada campeã dos Jogos da Comunidade Britânica, que decorreram em Gold Coast, na Austrália.  Mas Thomas-Dodd não conseguiu o brilho intenso da vitória ao alcançar os 17,96 metros, aquém do resultado de Jeneva Stevens, dos EUA, com 18,17 metros.

E, a propósito, no lançamento do martelo brilhou outra americana, DeAnna Price, que lançou 76,27 metros, melhor marca mundial do ano. Esta foi a primeira prova do Challenge da IAAF de lançamento do martelo.

 

Cinco recordes em Osaka

Um dia depois de Kingston, o Circuito “voou” para o Japão, com o Meeting de Osaka, que também recebia o Challenge da IAAF de lançamento do martelo, com o polaco Pawel Fajdek, tricampeão mundial, a vencer em 78,51 metros.

Neste meeting, para além da marca registada no martelo, caíram mais quatro recordes, todos em provas femininas, com a chinesa Liu Shiying a lançar 67,12 metros no dardo; Kristen Hixson (Estados Unidos) a fazer 4,61 metros na vara; a queniana Emily Cherotich Tuie, com 2m00s22′, nos 800 metros; e a etíope Shuru Bulo a vencer os 3000 metros em 8m47s24′.

Uma nota para o regresso aos triunfos do campeão mundial dos 100 metros, o norte-americano Justin Gatlin, que venceu com 10s06′; e também para outro triunfo, de Isaac Makwaala nos 200 metros (19s96′).

 

Provas de exibição em Manchester…

Já abordámos nesta crónica as provas de exibição que tiveram atletas portugueses. Agora falamos na parte internacional. Em Manchester (Inglaterra), nos Great City Games, nas provas masculinos, registe-se o francês Stanley Joseph, na vara (5,60 metros); nos 200 metros barreiras, triunfo do norte-americano Bershawn Jackson (22s58′, v: 2,0); nos 100 metros (v:0.5), só com britânicos, venceu Harry Aikines-Aryeetey (10s35′); e nos 110 metros barreiras (v:0,2), triunfou o polaco Damian Czykier (13s67′), com o recordista mundial da disciplina, Aries Merritt, em quarto (14s34′).

Já nas provas femininas, a bielorussa Alina Talay foi a vencedora dos 100 metros barreiras (12s74′, v: 0.7); e nos 1500 metros (v: 1.6), a costa-marfinense Marie Josee Ta Lou (16s60′) derrotou a estrela norte-americana Allyson Felix (16s72′).

 

… e em Boston!

Noah Lyles (Foto: @LylesNoah)

Noah Lyles (Foto: @LylesNoah)

Nos Estados Unidos também houve exibição, com os Boost Boston Games, que trouxeram grandes resultados nas provas de 150 metros, com Shaunae Miller-Uibo, das Bahamas, a vencer a prova feminina em 16,23 segundos, melhor marca mundial de sempre nesta pouco usual prova (e que não é reconhecida para recordes mundiais)!

Na prova masculina, o jovem Noah Lyles (EUA), arrasou correndo em 14,77 segundos, o quinto tempo mais rápido de sempre!

Depois, Steven Gardiner, das Bahamas, correu os 200 metros em 19s88′, enquanto Zarnell Hughes (Grã-Bretanha) correu os 100 metros abaixo dos 10 segundos (9s99′), mas com ajuda ilegal do vento (+2m4 m/S).

 

Montreuil campeão de França

Em França realizaram-se as finais de elite e da I divisão dos campeonatos de clubes, com triunfo da formação do Montreuil.

Nestes campeonatos, em que contam as performances masculinas e femininas, o clube vencedor beneficiou dos zero pontos conseguidos pelo segundo classificado, o EFCVO (Val d’Oise), na prova de 110 metros barreiras, já que o substituto do lesionado Mohamed Koussi (Marrocos) não compareceu nos blocos para a partida.

O Lille foi o terceiro classificado, à frente do Clermont Athlétisme Auvergne, que perdeu o pódio com a desclassificação da equipa feminina de 4×100 metros.

Uma nota só para dizer que no Clermont pontifica o pluri-campeão do salto com vara, Renaud Lavillennie, que desta vez participou em duas outras disciplinas: o comprimento, saltando 7,23 metros, e os 110 metros barreiras, correndo em 14,93 segundos!