Tri-Run: Mais de 900 atletas puseram o Algarve a mexer

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T: Teresa Mendes F: Celestino Santos

 

Uma coisa era já garantida antes de os atletas mergulharem no mar. Teríamos campeões na certa. Ana Filipa Santos e João Ferreira conquistaram o lugar mais alto do pódio do Campeonato Nacional Individual de Triatlo Longo e sagraram-se neste domingo, a 26 de Novembro, campeões nacionais da modalidade. O evento Algarve Tri-Run, dedicado aos amantes da longa distância, celebrou o encerrar do calendário competitivo nacional em Vilamoura, no Algarve. A RUNning não podia faltar à festa.

 

Mal tinha amanhecido e já os 180 athhletas inscritos no triatlo do Algarve Tri-Run 3.0. se preparavam para um mergulho na praia de Vilamoura, percorrendo os primeiros 1,9 km de uma prova, cujo fim se avistava longínquo. A seguir, teriam de “calçar as bicicletas” e fazer 91,5 km, e, já sem pedais, correr mais 21,1 km.

Entretanto, o vice-presidente da Federação Portuguesa de Triatlo (FPT), Fernando Correia, também membro da organização do evento, mostrava alguma inquietação. O mais importante é que tudo corra como planeado e em segurança. “Esta parceira entre a Federação e a Câmara de Loulé implica uma logística imensa, muito dinheiro investido, muitos abastecimentos, polícia no terreno, árbitros, staff, é muita gente…”, diz-nos por entre as chamadas no seu walkie-talkie. Para além disso, “não é sentado na secretária que se organizam eventos, é preciso ter amor à camisola”, acrescenta.

Até que tudo ganhe forma há um processo longo e trabalhoso. “Após colocar a data da prova no calendário, três meses antes começam os pedidos de autorização, os contactos com a polícia marítima, a GNR, a PSP e a Protecção Civil para preparar tudo no terreno e, depois, aferir os percursos. No último mês, entre outros aspectos, temos de alugar as infraestruturas”. Depois, todo o trabalho culmina em poucas horas, com a chegada dos atletas. E, mesmo que os prognósticos só se façam “no fim do jogo”, Fernando Correia lá deixou escapar que “entre o João Ferreira e o Fábio Azinheirinha, um deles irá ganhar”. Viria a ter razão.

 

“Um bicho que só existe no Algarve e em vias de extinção”

20171126_CS©_1044Duas horas depois da partida para o Campeonato Nacional de Triatlo Longo, a buzina, que tocou às 10h00, abriu passagem para dar início à Algarve Tri-Run 3.0 Meia Maratona, Mini Maratona e Caminhada.

E ainda os atletas do triatlo enfrentavam o duro percurso da Serra do Caldeirão com as suas bicicletas, quando Tiago Lopes, individual, cortou a meta da dos 12,50 km, com o tempo de 45m15’. Cristiano Reis, da Associação Académica da Bela Vista chegou pouco tempo depois, gastando mais 56 segundos que o vencedor, e Bruno Inácio, da Associação Cultural Sambrasense, mais 1hm42’ que Tiago Lopes.

Eva Alves, das Tartugas de Loulé, foi a vencedora destacada na geral feminina com o tempo de 53m19’, seguindo-se a veterana Dina Martins, da FC Ferreiras, com mais 1m07s, e Sara Silva, do Clube Oriental de Pechão, com mais 4m31s que a primeira classificada.

20171126_113108Feliz pela vitória, Eva Alves, quis partilhar a sua alegria com a RUNning. A jovem médica, de 25 anos, que está a iniciar a especialidade de Medicina Física e de Reabilitação, já tem “umas quantas corridas no corpo”, pois iniciou-se no atletismo com 13 anos.  Correr faz parte do ADN da atleta de Loulé, que trabalha e vive em Lisboa, e que assim que fez a mudança para a capital, tratou logo de arranjar “companhia nos treinos”. É com o Clube Oriental de Lisboa que treina, mas não se esquece das origens. O seu clube berço são Os Tartugas de Loulé, que hoje representou com orgulho.

Orgulhoso estava também o “presidente” dos Tartugas – entre aspas porque assim o quer Sérgio Sousa. Chamam-lhe presidente porque treinou quase todos os atletas do clube. “É o mister!”, diz Eva. Foi também Sérgio que impulsionou à formação deste grupo, que tem cerca de 12 anos de existência e mais de 30 elementos. O nome, surgiu por graça, e quando perguntam o seu significado, “dizemos que é de um bicho que só existe no Algarve e que está em vias de extinção” [risos]. Percebemos o porquê de os 68 anos parecerem estar a mais numa pessoa tão jovem. “Se calhar é por ter corrido toda a vida”, diz com uma gargalhada.

 

Gostava que fosse um atleta Algarvio a ganhar”

20171126_CS©_1133A conversa agradável continuou, mas ainda a tempo de ouvir pelos amplificadores de som os aplausos para o primeiro classificado da Meia Maratona que estava a chegar. E o desejo formulado à nossa revista pelo técnico superior de Desporto, da Câmara Municipal de Loulé, André Gomes, que “gostava que fosse um atleta Algarvio a ganhar”, concretizou-se. Jorge Varela, do Clube Desportivo Areias de São20171126_CS©_1132 João, em Albufeira, foi recebido em festa pelo público presente. O atleta cumpriu os 21,097 km em 1h09m12’. O segundo e terceiros lugares também ficaram “em casa”, com Manuel Ferraz, também Clube Desportivo Areias de São João, a chegar apenas 24 segundos depois do colega de equipa. Mussa Djau, da Associação Académica da Bela Vista, de Lagoa, foi terceiro classificado, com mais 1m49’ do que Varela.

Este ano foi a primeira vez que o percurso da Meia Maratona foi homologado, um processo que segundo o responsável da Câmara Municipal, “até se revelou fácil, uma vez que o percurso já estava quase perfeito para o efeito”. A partir de agora, “o Algarve passa a ser um terreno apetecível para bater recordes”, diz André Gomes satisfeito.

Não tardou a chegar a vencedora feminina, Cristiana Valente, do Recreio Desportivo de Águeda, que cumpriu a distância em 1h16m41’. Ana Cabecinha, do Clube Oriental de Pechão, foi segunda classificada, com mais 1m09’, e Vera Fernandes, da Associação Académica da Bela Vista, viria a conseguir a terceira posição pódio, com mais 1m44’ que a vencedora. O público queria que Ana Dias também subisse ao pódio, mas a atleta veterana do Cube Desportivo Areias de São João, que já é presença habitual na prova, ficou com um honroso quarto lugar, cumprindo o tempo de 1h19m40’.

 

“Verão no Algarve é todo o ano!”

20171126_CS©_1086Passadas cerca de três horas da partida do Triatlo Longo, a adrenalina para saber que seria o primeiro a entrar na zona de transição para a corrida foi crescendo. E foi João Ferreira, o atleta do Estoril Praia Fisiogaspar, que apareceu ao fundo da Alameda da Praia da Marina, pronto a trocar as quatro rodas pelas duas pernas. Foi a solo que entrou no parque de transição para dar início aos 21,10 km.

Com uma distância de um pouco mais de um minuto de João Ferreira, surgiu de seguida Marcus Ornellas, de Niterói, Rio de Janeiro. O terceiro a fazer a transição foi Fábio Azinheirinha, da Outsystems Olímpico de Oeiras, dando início ao segmento de corrida ao longo da costa entre Vilamoura e Quarteira, um terreno plano e misto entre asfalto e calçada a percorrer em 4 voltas.

Os participantes na marcha de 6,5 km apesar da “tarefa” cumprida, não arredaram pé. A curiosidade para saber quem ganha no triatlo e o bom tempo que se faz sentir são dois bons motivos para ficar. É o caso de Marta Faustino, de 43 anos, e de Carla Pereira, de 40 anos, que apesar de serem novatas nestas lides – caminham há cerca de dois meses –  já lhe ganharam o gosto. Começar a correr é um cenário que para já não equacionam. “Vimos acompanhar os nossos maridos que participaram na Mini e Meia Maratona”, contam.

20171126_CS©_1052Já António Santos, de 58 anos, foi caminheiro à força. “Hoje fui à marcha porque estou lesionado, mas costumo ir à mini e às vezes até à meia”, diz a sorrir. A lesão já dura há quase seis meses, mas não vai derrotar o atleta que, para o ano, pensa vir correr e conseguir uma classificação “dentro do possível”.

Também para o ano serão algumas as novidades do Tri-Run, adiantou à RUNning o técnico superior de Desporto, da Câmara Municipal de Loulé, André Gomes. “Estamos a trabalhar para antecipar a prova em 15 dias e associar este evento ao Verão de São Martinho, pois a mensagem que queremos divulgar é que o Verão no Algarve é todo o ano!”.

 

“O relógio marcava 4h21m15’”

20171126_CS©_1122Entretanto, na recta da meta, e sem surpresas, surge João Ferreira já com a bandeira do Estoril Praia na mão. O atleta vence em Vilamoura com o dorsal 68 – sem antes parar junto da sua claque -, sendo também a sua primeira conquista no Triatlo Longo. O relógio marcava 4h21m15’. Mais tarde, o atleta disse estar “muito contente” com o título de campeão nacional na distância. “Tinha treinado, dei o meu melhor e consegui, apresar de os meus adversários também terem estado muito bem”, afirmou.

Fábio Azinheirinha, da Outsystems Olímpico de Oeiras, chegou 8m3’ depois, e Jorge Duarte, da mesma equipa, fechou o pódio com mais 12m02’ do que o agora campeão nacional.

As três melhores triatletas do ano passado, voltam a Vilamoura para conseguir exactamente a mesma classificação. A grande candidata Ana Filipa Sousa, de Rio Maior, voltou a ganhar, defendendo assim o seu titulo de campeã nacional, com o tempo de 5h02ms16s, mas com Rita Lopes, do Sporting Clube de Espinho, que ficou novamente em segundo lugar (5h19m11s), e Liliana Veríssimo, do Núcleo do Sporting da Golegã, em terceiro (5h26m21s) sempre à espreita de um deslize, que não chegou a acontecer. Pode ser que, como se costuma dizer, que para o ano, à terceira seja de vez.

Resultados triatlo: http://www.federacao-triatlo.pt/ftp2015/resultados/.

Resultados da Meia e da Mini Maratona: http://www.aaalgarve.org/index.php/resultados-2017-2018/233-regulamentos-de-programas-horarios-da-epoca-2017-2018/2515-algarve-tri-run-3-0-meia-maratona.

 

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