Uma história de superação no desporto, na vida e no feminino

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“Corre, Corre Coração” é uma história de superação no desporto, na vida e no feminino. A RUNning conversou com a autora, Dulce Várzea, farmacêutica de profissão, que até aos 44 anos nunca tinha praticado exercício e que agora “corre para viajar e viaja para correr”.

 

Texto: Teresa Mendes

 

O livro “Corre, Corre Coração – Uma História de Superação Pessoal” é um repositório de vivências desportivas em formato autobiográfico, constituindo um testemunho raro de intimidade, que transmite o desejo de correr, pela felicidade que isso nos dá.

Após de ter sido apresentada em Setembro, no Parque das Nações, em Lisboa, por altura da Corrida das Nações, a obra, apadrinhado pelo professor Fernando Pádua, autor do prefácio, e pela junta de Freguesia do Parque das Nações, vai ser novamente divulgada na Expofarma, em Lisboa, no próximo dia 13 de Outubro.

 

Como nasce este livro?

Quando chegava a casa das provas fazia sempre questão de dedicar alguns momentos a registar o tempo que tinha feito, por onde tinha passado, o que tinha sentido. Acontece que ao fim das muitas corridas fiquei um documento escrito.

Então aproveitou para passar as anotações à estampa…

Essa ideia não foi imediata, na altura os meus amigos diziam-me para o fazer, mas eu achava um disparate. Então disse-lhes que quando fizesse a minha primeira maratona pensava nisso. Afinal, não foi preciso esperar muito tempo [risos].

Tendo em conta que nunca tinha praticado desporto, o percurso até à maratona foi rápido… Como é que aconteceu?

Até aos 44 anos nunca tinha feito praticamente exercício físico e, de repente, o meu querido amigo Miguel Boavida desafiou-me a correr com ele. Na altura disse-lhe “nem penses, nunca gostei de correr”. Ou seja, eu nem corria 5 metros, quanto mais 42 km! Aos poucos fui aumentando as distâncias nos treinos e quando dei por mim estava a inscrever-me numa prova de 10 km, a Corrida do Tejo. Éramos quatro amigos e lembro-me que estávamos todos comprometidos porque nenhum de nós sabia quanto tempo íamos aguentar. Mas, conseguimos superar esse desafio que viria a ser o primeiro de muitos.

E a seguir aos 10 km?

Os treinos continuaram e, de vez em quando, assomava-se a ideia de fazer os 21 km, uma maluquice! Mas a verdade é que esse foi o próximo desafio, ainda por cima acompanhada pelo António Goucha Soares, o autor do livro “A Maratona de Nova Iorque”, alguém que eu admirava muito.

Como o conheceu?

Foi por acaso. Um dia estava a treinar no Estádio Universitário e vejo-o a passar. Como era fã dele, fui a correr atrás dele, apresentei-me e ficámos amigos. Lembro-me de ele despedir-se e dizer “vou para casa a correr, vou fazer os meus 15 km do dia”. Passado uns tempos foi um orgulho correr com ele a meia maratona.

Depois da meia maratona o pensamento era a maratona…

Sim, pensava que ia demorar mais tempo, mas passados dois anos de treino, em 2014, estava a fazer a minha primeira maratona, a Maratona de Berlim, e quando consegui atingir esse objectivo levitei durante três dias [risos]. Tudo compensa, porque treinar para a maratona é muito difícil, é pior do que fazer a maratona, devido ao rigor e persistência dos treinos. Mas, foi mais uma história de superação na minha vida.

Costuma treinar sozinha?

Nem pensar, aliás, se não fossem os amigos que me acompanham nos treinos eu não teria conseguido chegar aqui. Detesto correr sozinha pois sou muito conversadora. Mesmo às 5 da manhã há sempre quem corra comigo. Tenho essa sorte. Posso dizer que desde 2010 até hoje nunca desmarquei nenhum treino e isso também é uma grande motivação. São estas energias que nos motivam.

Gostava de deixar algum agradecimento em especial?

Sim, para além de todos os meus amigos, quero agradecer especialmente ao Luís Mira, que me tem acompanhado nestes 6 mil km, que percorri desde 2010 a 2014. Se não fosse ele não tinha chegado onde cheguei, pois tivermos a sorte de ter objectivos semelhantes. Gostava também de prestar homenagem a um homem que tem uma história de superação, o meu amigo José Massuça, campeão mundial de Epic5 Challenge,

O que espera conseguir com o livro?

Para além de ajudar quem precisa – as receitas revertem para várias IPSS – se eu conseguir pôr alguém a afazer exercício físico com as minhas palavras, fico muito satisfeita.

E agora?

A minha viagem vai continuar.

 

 Dulce Várzea vista por…

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Fernando de Pádua, cardiologista e autor do prefácio

“Este livro é invulgar como é invulgar a pessoa que o escreveu. É quase mais uma arma de arremesso, uma defesa do desporto”

Figueiredo Costa, vogal da Cultura e Desporto da Junta de Freguesia do Parque das Nações

“A Dulce é uma mulher vulcão. Ela não corre por prémios, mas pela felicidade e auto-estima”

 “O seu livro é de uma simplicidade enorme e quando se chega ao fim tem-se vontade de começar novamente. Em determinadas partes sente-se o suor dela”

José Moreno, presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações

“A Dulce não precisa de um expositor, corre pela medalha da felicidade”