UTMB, da China à Argentina

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Texto e fotos: Rute Barbedo

 

São 92 as nacionalidades que compõem o ramalhete de mais de 8000 participantes no Ultra-Trail du Mont-Blanc (UTMB), que decorre esta semana, até 3 de Setembro. Nas ruas de Chamonix, com a neve sempre à espreita – embora as temperaturas se mantenham, durante estes dias, facilmente acima dos 25 º C – cruzamo-nos com portugueses, espanhóis, japoneses, nepaleses, russos, singapurenses, portugueses e marroquinos.

O que faz muitos deles atravessarem meio mundo para conhecer este petit coin dos Alpes franceses? Para María Eugénia, de 48 anos, que chegou ontem da Argentina, “tudo é mágico”, sendo que “o lugar, a gente e a organização” ajudam a querer regressar a cada ano que passa. Esta é a segunda vez que vem ao UTMB. “No ano passado, terminei o OCC [56 km] e este ano venho para o TDS [119 km]”, conta à RUNning. Se está preparada é algo que só saberemos amanhã ou depois. Para já, vai aproveitando o tempo entre caminhadas, bicicleta e parapente. “O bom disto é que se pode fazer muito em pouco tempo”, diz.

Mas, María, o que faz do UTMB um lugar tão mágico? “Há coisas difíceis de explicar e essa é uma delas. Mas há todo o envolvimento geográfico e topográfico. E há algo de diferente no ar. Temos muita montanha – e boa – na América Latina, mas isto são os Alpes!”, responde a argentina. Mas ainda mais a acontecer por estas bandas: “Nutrimo-nos de outras culturas, porque aqui não há fronteiras.”

 

A centena de Hong Kong
IMG_6788Foi a mesma imponência – aquela que emite o som do respeito – da natureza que fez com que Fred e Janis, de 50 e 42 anos, respectivamente, tivessem deixado para trás há dois dias os arranha-céus de Hong Kong, na China. “Sou mais um caminhante, na verdade”, conta Fred, afirmando que, ainda assim, está pronto para o desafio da competição pelos declives alpinos, longe do “cimento e muitas escadas” da cidade onde vive e corre há quatro anos. A tradição do trail, do outro lado do mundo, já tem pernas longas e musculadas. “Somos uma comunidade bastante grande e conhecemo-nos praticamente todos uns aos outros. E aqui somos mais de 100″, acrescenta Janis.
Não só é a primeira vez destes dois amigos no UTMB, como é “a estreia em França, Itália e Suíça”, congratula-se Fred, pelo feito – ainda por acontecer – de conhecer três países de uma assentada só. Espera-os o percurso mais curto, de 56 km, com partida agendada para esta quinta-feira. A corrida OCC começa em Orsières, no Vale de Entremont, entre os picos da fronteira franco-suíça, chegando a Champex.