“Vamos apresentar um panorama rigoroso e representativo da corrida em Portugal”

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Investigadores da Faculdade de Motricidade Humana apresentaram ontem o projecto de investigação “Keep on Running”, que irá permitir identificar e caracterizar os corredores portugueses. A RUNning falou com três elementos desta equipa interessada no conhecimento como forma de promoção da saúde e do bem-estar através da corrida.

 

Quantos portugueses correm? Quem são? Quando correm? Porque correm e como correm? A resposta a estas questões será dada pelos resultados do projecto de investigação “Keep on Running (KOR)” desenvolvido pela Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa e apresentado ontem no Seminário com o mesmo nome, que decorreu no Salão Nobre da FMH, numa organização conjunta com a B2Run. António Palmeira, Pedro Teixeira (investigador principal) e Hugo Pereira são três dos investigadores deste projecto que promete revelar os primeiros dados dentro de seis meses.

Porque é que decidiram estudar a população portuguesa que pratica corrida?

António Palmeira (AP) - Além do Prof. Pedro Teixeira são vários os elementos da equipa que correm e/ou praticam desporto. Sendo a corrida uma prática em crescimento em Portugal, faz sentido que seja estudada, porque apesar de cada vez vermos mais pessoas a correr, a verdade é que não sabemos nada sobre elas.

Como é que passaram da ideia à prática?

AP - A ideia surgiu há cerca de quatro anos, mas queríamos desenvolver o projecto de uma forma sustentada, ou seja, com financiamento. Candidatámo-nos a um apoio, mas o projecto não ganhou. Neste contexto, começámos a fazer estudos mais pequenos, no âmbito de projectos de Mestrado e de Licenciatura, através dos quais começámos a recolher alguns dados. Há cerca de um ano e meio decidimos avançar com o projecto “mais a sério” e estabelecemos contactos internos e externos.

Hugo Pereira (HP) - Sempre que falamos com outros investigadores notamos que ficam muito entusiasmados com o projecto, porque também têm curiosidade em conhecer melhor esta população. Neste momento, beneficiamos da minha bolsa de doutoramento, que nos vai permitir estudar este tema durante três anos.

O que é que este estudo nos vai permitir saber sobre os corredores portugueses?

AP - Em primeiro lugar, o que leva as pessoas a correr e a manter a prática da actividade, a que chamamos a manutenção do comportamento, portanto, vamos verificar quais são os motivos para a continuidade da prática. A segunda coisa será identificar os benefícios que as pessoas sentem quando continuam a correr.

HP - Vamos apresentar um panorama rigoroso e representativo da corrida em Portugal. Ou seja, quantos correm, quando é que correm, como correm. Neste último caso, por exemplo, se correm na estrada ou nos trilhos, sozinhos ou acompanhados, que aplicações e gadgets utilizam, entre outros.

Qual será a aplicabilidade deste conhecimento?

AP - Conhecendo as motivações das pessoas podemos fazer intervenções específicas no âmbito da promoção da saúde. Ou seja, podemos utilizar essas motivações para desenvolver programas de intervenção que levem as pessoas a correr e/ou a manter a prática.

Quando estarão em condições de revelar os primeiros dados?

AP - Cremos que dentro de seis meses já será possível termos os primeiros dados na mão.

HP - Sim, pelo menos os primeiros dados descritivos e epidemiológicos. Depois, a parte mais qualitativa, comportamental, talvez dentro de oito ou nove meses.