Vidigalense: A juventude que nunca envelhece

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Fábrica de estrelas para os clubes da ribalta, centro de estágio para atletas de elite. “Em Leiria, as pessoas ainda não têm bem a noção da importância do que fazemos”, diz a presidente do Juventude Vidigalense, o clube que começou pequeno com sonhos grandes.

 

O futebol rouba os rapazes ao atletismo, seja em Vidigal ou em Madrid. Mas para quem se apaixona a sério pela corrida, lançamentos ou saltos não há bola que finte o caminho. No Juventude Vidigalense (JV), clube formado há 31 anos por Paulo Reis, o sexo feminino ganha em quantidade e qualidade: 75% da direcção (presidente incluída) e 60% do corpo de atletas são mulheres. São elas que, não tendo sucumbido
ao futebol, têm dado mais cartas, reconhece a presidente, Tatiana Fernandes Pereira, que nos recebe nas instalações leirienses.
Normalmente os treinos (de domingo a segunda) têm lugar no Estádio Municipal de Leiria, um dos gigantes construídos para o Euro 2004 – lá está o futebol a intrometer-se – que hoje alberga corridas em pista, saltos em altura, actividades do Programa de Ocupação de Férias, mas também festas de dance floor e concertos de Verão. “Hoje há um evento para crianças; temos de ir para o Centro Nacional de Lançamentos”, explica Tatiana. Treina-se, por isso, com pesos voltados para o céu, sob chuva miudinha.
O clube nasceu na aldeia de Vidigal, com três adolescentes entusiasmados, e hoje conta 300 atletas federados. A garra vidigalense já chegou a Europeus, Mundiais e Olímpicos e já fez tremer as pernas aos verdes e encarnados da capital em competições nacionais. “No ano passado conseguimos ficar à frente do Benfica”, congratula-se a presidente. Uma das vitórias mais recentes foi a de Evelise Veiga, orgulho do clube, que aos 20 anos (no ano passado) saltou mais em comprimento do que qualquer outro atleta do panorama português.

Campeões do pro bono

rgeheqyMas para chegar até aqui, foi preciso muita camisola e muito pro bono. Longe dos saldos financeiros dos clubes grandes, o JV esforçou-se por criar um “mini centro de alto rendimento”, como lhe chama Tatiana Pereira, com uma equipa multidisciplinar fixa, composta por um fisioterapeuta e quatro técnicos superiores de desporto, e o contributo de estagiários de áreas como a Psicologia ou a Nutrição e de muitos voluntários.
Além disso, fazem furor os célebres momentos “pau-para-toda-a-obra”, quando os treinadores Cátia Ferreira e Nataliel Lopes, por exemplo, se tornam motoristas de autocarro ou semi-contabilistas. “Não temos grandes capacidades financeiras, mas queremos dar-lhes [aos atletas] condições para que progridam”, afirma a presidente.
Até aos 11 anos, quem veste a camisola da Juventude aprende a disciplina do exercício físico, embrenha-se em sessões de ginástica, treina a respiração e a articulação de movimentos na piscina e, claro, dá os primeiros passos semi-profissionais de corrida. “A partir daí, passam por todas as disciplinas do atletismo e depois vão-se especializando por áreas”, relata Tatiana Pereira, que também seguiu todos os passos em competição pelo clube.
Desde 2013 que, entre as modalidades atléticas, existe também o trail, apadrinhado desde o início por André Rodrigues (apesar de, no ano passado, ter trocado de camisola). “É uma modalidade que envolve outro tipo de pessoas. E hoje podemos dizer que temos a melhor equipa feminina de trail do país”, reivindica a presidente.
Se a pergunta que persiste é sobre o segredo de chegar a tudo isto com tão pouco, Tatiana antecipa-se: “Não temos uma máquina por detrás, mas apostamos muito na formação. Tornámo-nos numa fábrica de campeões.”

Marcos

1989-1990
Surge o primeiro momento alto do clube: pela primeira vez, um atleta do JV estabelece um recorde nacional. Foi Carlos Dinis, no lançamento do peso (escalão de infantis).

1992-1993

Dois atletas, Dine Sousa e Carlos Dinis, representam pela primeira vez a Selecção Nacional.

1994-1995

Cláudia Gameiro estabelece um novo recorde nacional no salto em altura (escalão de iniciadas) e o clube atinge pela primeira vez a final do
Campeonato de Clubes, disputando a Terceira Divisão em ambos os sexos.

1995-1996

Chegam à Primeira Divisão nacional em seniores masculinos e à segunda em seniores femininos.

1996-1997

Pela primeira vez, um atleta do clube conquista a medalha de ouro numa competição internacional. Foi Bruno Carmo, ao vencer a prova de
salto em comprimento, nos Jogos da CPLP, em Moçambique.

2001-2002

Conquistam 15 medalhas no Campeonato Nacional.

2003-2004
Vânia Silva participa nos Jogos Olímpicos de Atenas, nos quais obteve a 34.ª posição. Paula Maurício vence a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Veteranos em Pista Coberta, na disciplina de 3000 metros marcha.

2005-2006
Pela primeira vez, sobem ao pódio no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, no sector feminino, batidos apenas pelo Sporting CP e pelo JOMA.

2009-2010

Têm 254 atletas filiados, 139 do género masculino e 115 do género feminino, sendo o clube do país com mais praticantes filiados.

2013-2014
Criam a “Escola de Talentos”, com o intuito de proporcionar um acompanhamento mais próximo e individualizado dos atletas; e introduzem a
modalidade de trail.

2014-2015

Organizam a Taça da Europa de Lançamentos, a Taça dos Clubes Campeões Europeus de Juniores, o XX Torneio Internacional de Lançamentos, o Meeting Internacional de Leiria e o Torneio Mini Craque.

2015-2016
Evelise Veiga conquista, aos 20 anos, o título nacional do salto em comprimento.

2016-2017

Rodrigo Agostinho estabelece, em Abrantes, um novo recorde nacional no salto em comprimento do escalão,
com a marca de 6.77 metros. O anterior máximo, 6.73 metros, havia sido conseguido, 38 anos antes, por João Ribeiro