Congresso Internacional da Corrida: “Mantenham o treino simples!”

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Esta maratona não é para quenianos
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T: Teresa Mendes

 

Manter o treino simples e não esquecer o fundamental é uma das principais mensagens a reter do VIII Congresso Internacional da Corrida, que decorreu este fim-de-semana na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa, uma iniciativa realizada com o apoio da Federação Portuguesa de Atletismo, que contou com inúmeras personalidades ligadas ao mundo da corrida e dos treinos.

“Fazer um treino simples, no momento certo e na ordem correcta” é a chave para o sucesso e boa performance dos atletas, como destacou o treinador da elite, o holandês Honoré Hoedt, na sua comunicação sobre “Filosofia do Treino de Resistência”. Treinador há 38 anos, Hoedt tem vindo a aperfeiçoar as técnicas de preparação dos atletas, concluindo que, para além de manter o treino simples e direccionado, “é fundamental estarmos atentos ao que os atletas fazem durante as horas que não estão a treinar”.

Sifan Hassan, medalha de bronze nos 5000 metros do Campeonato do Mundo de Atletismo, este ano, em Londres, e a jovem islandesa Aníta Hinriksdóttir, que já conta no seu palmarés com duas medalhas de ouro nos 800 metros (Europeu de Juniores e Mundial da Juventude, ambos em 2013) e uma de bronze (European Indoor Championship, em 2017), são duas das atletas treinadas pelo holandês.

 

Três factores que explicam 90% da capacidade de velocidade

Leif Inge Tjelta, investigador e professor no Departamento de Educação e Ciências Desportivas na Universidade de Stavanger, na Noruega, falou à audiência da FMH sobre papel dos factores fisiológicos no rendimento do atleta, recorrendo à apresentação de vários estudos.

Especificamente sobre os factores essenciais para que um atleta consiga passar dos 1500 metros para a maratona, o investigador explicou que é preciso ter em conta “o volume máximo de oxigénio, a economia na corrida e a percentagem e uso do volume máximo de oxigénio”. “Estes três factores explicam 90% da capacidade de velocidade no limiar anaeróbio”, afirmou.

 

O que está mal na postura do corredor

O treinador espanhol Joan Rius San fez uma apresentação muito prática sobre “Treino de Força e Técnica de Corrida”, com dicas e esclarecimentos sobre como fazer um diagnóstico do que possa estar mal na postura do corredor, bem como as alternativas existentes para recuperar ou corrigir a técnica de movimento, lembrando que “é importante determinar a primeira causa do erro ou da dor porque basta apenas um elemento do corpo humano para afectar todo o seu conjunto”.

 

O peso que a ciência pode ter no treino

Do Reino Unido veio Yannis Pitsiladis, professor de Ciência do Desporto e Exercício na Universidade de Brighton e na Universidade de Roma, para apresentar o “The Sub2Project”. O também biólogo molecular demonstrou o peso que a ciência pode ter no treino, mostrando à plateia vários gadgets que permitem, entre outros aspectos, medir a temperatura corporal do atleta, fornecer hidratos de carbono de forma constante ao organismo, através da ingestão de uma cápsula que se liberta no estômago -, ou ainda, sensores que permitem aos treinadores monitorizarem no seu computador, em tempo real, indicadores como pulsação, km/hora, gasto energético, temperatura ou níveis de transpiração perdida dos atletas durante as provas ou treinos.

O último dia do congresso terminou com uma homenagem a Paulo Guerra, com o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo Jorge Vieira, a reafirmar que o antigo atleta olímpico português, especialista em corta-mato, “um grande exemplo para todos os atletas”.

 

Riscos para a saúde do corredor e lesões

No dia anterior foi feito um retrato da modalidade em Portugal em 2017, bem como debatidos temas como as lesões e outros riscos para a saúde do corredor ou a aptidão aeróbia e desempenho académico.

Esta 8.ª edição contou ainda com a moderação de vários convidados especialistas, como Pedro Teixeira, professor na Faculdade de Motricidade Humana e diretor do Programa Nacional para a Promoção da Actividade Física da Direção-Geral da Saúde; Paulo Rocha, professor na FMH e membro do Instituto Português do Desporto e Juventude; João Beckert, responsável clínico do Centro de Alto Rendimento do Jamor; Orlando Fernandes, professor na Universidade de Évora; Domingos Henrique, investigador na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Foram parceiros do Congresso, a Direção-Geral de Saúde, a Câmara Municipal de Lisboa, a Universidade de Lisboa, o Centro Interdisciplinar de Performance Humana (CIPER), o Instituto Português do Desporto e Juventude, o Programa Nacional de Marcha e Corrida e ainda, o Programa Nacional para a Promoção da Actividade Física.

 

4.12.17