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Pubalgia: a dor é o sinal de alarme

30 março 2020
5 min
As lesões púbicas e inguinais são bastante comuns nos corredores e jogadores de futebol. Não há como evitar, mas há como tratar. E quanto mais cedo, melhor!

Yuri Arcurs / Getty Images

A cintura pélvica é uma estrutura óssea - dentro da qual se localizam diversos órgãos dos sistemas reprodutivo e digestivo, bem como vários elementos vasculares e nervosos - à qual se ligam os músculos que descem para os membros inferiores ou que sobem para o tronco. Consequentemente, qualquer traumatismo nesta região pode ter graves consequências, dependendo das estruturas ou órgãos que forem atingidos.

Pubalgia é um termo lato que é dado às dores da região do púbis e que "engloba dezenas de etiologias diferentes para esta dor", explica Miguel Reis e Silva, médico e atleta, que integra a equipa médica da Selecção Nacional de Trail. Habituado a ver e tratar este tipo de lesões, o médico identifica como sendo mais comum "a dor muscular sem lesão estrutural objectivável dos músculos abdutores, nomeadamente do Adductor Longus que, se não tratada, evolui para uma tendinopatia na entese púbica deste músculo. Na minha prática, diria que a Neuropatia dos Nervos Ilioinguinal e Iliohipogástrico são a segunda etiologia mais frequente."

Quanto aos sintomas "de alarme" a ter em conta, para Miguel Reis e Silva a reposta é óbvia: a dor! De acordo com este especialista, esta pode mesmo ser "bastante incapacitante e, quando não tratada, tende a evoluir e a abranger outras etiologias de pubalgia." A pubalgia em homens é mais frequente do que em mulheres, mas quando surgem dores fortes, é sempre importante, em ambos os casos, despistar patologias ao nível dos órgãos reprodutivos.

Para cada tipo de lesão, há um tipo de tratamento, pelo que o diagnóstico correcto (e precoce) é fundamental. O diagnóstico da causa da síndrome pubálgica do desportista implica saber qual a estrutura que origina a dor (tendão, músculo, osso, etc.) e o motivo da mesma (inflamação, rotura, alteração da normal estrutura, etc.), sendo que pode existir mais do que uma causa. "O tratamento-base depende da etiologia específica da dor e passa por um programa de reabilitação estruturado. Os bloqueios de nervos periféricos guiados por ecografia são uma arma terapêutica muito eficaz que trouxe uma nova solução para os casos que, anteriormente, eram de difícil resolução", explica Miguel Reis e Silva.

O tempo de recuperação é variável, de acordo com o diagnóstico e com o tratamento. Ainda assim, na maioria dos casos de pubalgia do desportista, o atleta acaba por ficar sem queixas após a abordagem terapêutica adequada.

Foto 03 - Fonte British Jounal of Sport Medicine

Fonte: British Journal of Sport Medicine

 

O que é pubalgia?

A palavra pubalgia significa dor (algia) na região do púbis, ou seja, na união dos ossos da bacia (à frente, entre as coxas), mas é uma palavra normalmente utilizada para referir dor neste local e também na região abdominal inferior, na região inguinal (virilha) e na região superior da coxa (sobretudo nos adutores, que são os músculos da parte de dentro da coxa).

 

Pubalgia aguda e crónica

Em relação à duração da sintomatologia, podemos diferenciar a pubalgia em:

- Pubalgia aguda - dor súbita que surge durante a prática de um desporto e que mais frequentemente se deve a lesão muscular, quer seja a nível dos adutores ou de outros músculos nesta região. Deve ser feito o diagnóstico do tipo de lesão e devem ser afastadas complicações como um hematoma (acumulação de sangue) intra-muscular extenso.

- Pubalgia crónica - quando a dor possui três meses de duração (ou mais). É o quadro mais frequente a nível do desporto e habitualmente existem pelo menos duas causas associadas. Nestes quadros crónicos é muito importante despistar a existência de uma hérnia (inguinal ou femoral) e também de patologia a nível da articulação coxo-femoral (anca).

 

Factores de risco

- Movimentos repetitivos (fazer sempre o mesmo tipo de movimento);

- Posturas extremas das articulações (fazer movimentos muito amplos);

- Acelerações e desacelerações rápidas;

- Mudanças súbitas de direcção e/ou sentido;

- Saltos, sobretudo se em apoio uni-podálico (só num pé);

- Movimento de chutar.a

 

Tratamento (dependendo da patologia)

- Medicação anti-inflamatória;

- Analgésicos;

- Aplicação de gelo;

- Fisioterapia;

- Procedimentos guiados por ecografia (bloqueios de nervo periférico ou plasma rico em plaquetas, conforme a etiologia);

- Cirurgia em casos refratários às terapêuticas convencionais.

 

In RUNning n.º30

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