Campeonato Nacional de Trail

Campeões Nacionais de Trail 2018/2019

30 outubro 2019
7 min
No Grande Trail Serra d’Arga, disputado em finais de Setembro, conheceram-se os novos campeões nacionais de trail. Apenas três semanas depois de ombrearem com a elite internacional no Ultra Trail du Mont-Blanc, Dário Moitoso e Inês Marques foram os mais fortes nos 37 km da prova-campeonato.

T: Carla Laureano       F: Miro Cerqueira / Prozis

 

Dário Furtado Moitoso

26 anos | Natural da Horta (Faial) | Clube Independente de Atletismo Ilha Azul

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Cinco anos depois de ter começado a praticar trail sagrou-se campeão nacional. Imaginava-se a conquistar tão cedo este título?

No início não. No máximo poderia ser só um sonho.Mas há cerca de um ano e meio comecei a achar que poderia ser possível.

 

Uma vez que a prova do Campeonato Nacional se disputou pouco tempo depois do Orsières- -Champex-Chamonix (OCC) do Ultra Trail du Mont-Blanc (UTMB), como é que se preparou?

Foi tentar recuperar o mais rápido possível. Não sabia ao certo como reagiria o corpo e foi um autêntico contra-relógio. A principal dificuldade da prova foi tentar deixar a emoção de lado e manter a cabeça fria, para não cometer excessos na parte inicial que comprometessem o final da prova.

 

Em 2018 terminou em 9.º lugar no OCC e este ano superou esse resultado, ao ser o 7.º a chegar à meta. O que representam estas conquistas?

Foi uma sensação única competir contra os melhores atletas da modalidade. Correr pelos Alpes é algo realmente bonito e fantástico. O resultado foi um prémio por todo o trabalho e dedicação!

 

Em 2019 integrou, pela primeira vez, a Selecção Nacional de Trail. Que balanço faz dessa experiência?

Foi um orgulho enorme ter representado Portugal e o facto de corrermos “em casa” tornou tudo ainda mais bonito. Encarei esta presença na selecção nacional com muito respeito, mas com muita vontade de competir lado-a-lado com os melhores, sem medo. Sendo a primeira experiência deste tipo e com um nível competitivo quase sem comparação, um 35.º lugar foi muito bom. A nível colectivo foi o igualar da melhor qualificação de sempre de Portugal num mundial, mas com um nível competitivo muito mais alto, o que significa que cada vez temos mais e melhores atletas em Portugal.

 

Há alguém em particular que o tenha ajudado a evoluir nesta modalidade?

Um deles é o Mário Leal [director do Azores Trail Run], sem dúvida! Sem ele não estaria a competir como estou. Depois tenho também de referir o Hélio Fumo, que me treina há dois anos, e que foi fundamental para estes resultados recentes.

 

Como é que é ser atleta e agricultor no Faial?

Tenho alguma liberdade de horários, o que me permite conciliar o trabalho, os treinos e as provas da melhor forma. Tenho condições óptimas para a prática da modalidade durante todo o ano, seja pelos trilhos fantásticos que temos nas ilhas, seja pelo clima ameno, sem variações de temperatura acentuadas ao longo do ano. O obstáculo maior da insularidade é o transporte aéreo, que é muito dispendioso.

 

Onde é que ainda gostava de competir?

Não gosto de fazer listas, nem de pensar muito nisso. Mas as provas que mais rápido me vêm à cabeça são a Zegama-Aizkorri e a Transvulcania.

 

Inês Filipa Costa Marques

26 anos | Natural de Seixal | Na última época representou a Berg Outdoor

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Depois de se ter sagrado campeã nacional de trail ultra e skyrace, este ano juntou ao palmarés o Campeonato Nacional de Trail. Que significado tem esta conquista?

Esta vitória foi a cereja no topo do bolo para encerrar a época de trail. Veio reforçar a minha polivalência em várias distâncias e terrenos, afirmando-me como uma atleta completa no panorama nacional. Alinhei à partida mentalizada de que teria de fazer a “minha” prova e de que não me poderia desgastar demasiado no início. Não estava totalmente recuperada e senti- -me condicionada durante todo o percurso, pelo que a gestão do esforço foi a principal dificuldade sentida.

 

Este ano ficou em 10.º lugar no Courmayeur - Champex-Lac - Chamonix (CCC) do UTMB. Como foi percorrer esses 100 km?

O início foi doloroso, mas à medida que fui progredindo na prova, fui-me animando. Tinha a minha família a apoiar-me (um verdadeiro trabalho de equipa!), recebi palavras calorosas dos voluntários e as paisagens eram deslumbrantes. Pude desfrutar de momentos em que corri sozinha, bem como partilhar a aventura com atletas que me reconheciam de outras competições. Percorrer os últimos metros tocando na palma da mão dos que assistiam à minha chegada e ter a minha família à minha espera foi indescritível.

 

Durante quase dois anos e meio foi treinada pelo Hélio Fumo. Que papel é que ele teve na sua evolução?

Foi ele que me desafiou a correr pela primeira vez 50 km, no Trail de Vila de Rei, prova que acabei por vencer, carimbando o passaporte para o meu primeiro mundial. Aprendi muito com ele e sinto que evoluí como atleta de uma forma consistente. No entanto, por diversas razões, particularmente profissionais, após o Campeonato do Mundo deste ano resolvi deixar de ter treinador e ficar eu responsável pelo planeamento dos meus treinos até ao CCC, tendo em conta a minha experiência de 20 anos de atletismo.

 

Qual o balanço que faz desta época?

Para esta época estabeleci três objectivos principais: a maratona de estrada, o Campeonato do Mundo de Trail e os 100 km do CCC. Corri a maratona em 2h48min, um tempo do qual me orgulho bastante, tendo em conta que foi a minha estreia na distância mítica.

No Mundial tive muitos percalços que me condicionaram bastante e acabei por não me apresentar no pico da minha forma. Mas dei o meu melhor e o dia ficará para sempre marcado na minha memória pelo apoio ímpar dos portugueses que se deslocaram a Miranda do Corvo para apoiar a nossa selecção.

O CCC foi uma estreia, pois nunca tinha corrido uma distância tão longa. Faço um balanço muito positivo, tanto pelo lugar alcançado numa edição com um nível competitivo altíssimo, como pelo tempo que demorei (14h06min).

 

Onde é que ainda gostava de competir?

O The Coastal Challenge (Costa Rica), a Tarawera (Nova Zelândia), o Lavaredo Ultra Trail (Dolomitas, Itália), a Western States (EUA) e, um dia, desafiar- -me a percorrer as 100 milhas do UTMB!

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