Azores Trail Run

Açores, uma aposta ganha

26 novembro 2019
4 min
Pelo terceiro ano consecutivo, a Final da Taça de Portugal de Trail realizou-se no arquipélago açoriano, desta vez na ilha da Graciosa. Miguel Arsénio e Paula Soares subiram aos primeiros lugares do pódio, não sem antes relatarem a sua experiência à RUNning.

Por Miguel Judas

Foto: Pedro Silva

Foi uma final de estreias, a começar pelo local onde se realizou, a ilha da Graciosa, que nunca antes tinha recebido uma prova de trail, e a acabar nos vencedores, também eles estreantes no primeiro lugar do pódio desta competição. A segunda menor ilha e também a mais plana dos Açores revelou-se, no entanto, uma surpresa bastante agradável, com a organização, a cargo do Azores trail Run®, a surpreender os participantes com um percurso de 40 km de extensão e 1760 metros de desnível positivo, bastante variado, igualmente bonito e um grau de dificuldade elevado, como sempre se espera numa final.

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“Adorei a prova, o percurso estava muito bem conseguido e foi completamente diferente daquilo a que estou habituado, porque nunca antes tinha vindo a uma ilha”, disse à RUNning o vencedor masculino da Taça de Portugal, Miguel Arsénio, que terminou a prova com o tempo de 3h21m54s. O atleta da equipa Trilho Perdido Eventos/Imporlux referiu ainda que “o momento mais difícil” da prova foi “pelo quilómetro 25”, quando “uma subida com muita lama tornava a progressão complicada”. Já a descida à Caldeira da Graciosa descreve-a como “espectacular”, tal como “a possibilidade de correr dentro de uma cavidade vulcânica”, a Furna do Enxofre, considerada a maior cúpula vulcânica da Europa, que Miguel classifica como “uma experiência única”. E embora para o ano não tenha prevista qualquer prova nos Açores no seu calendário competitivo, ficou com vontade de voltar, “nem que seja como turista”. Quanto aos objectivos para a próxima época, assume que pretende “ser campeão nacional e ser pela primeira vez chamado à selecção nacional”.

A vencedora feminina, Paula Soares, da equipa AD Amarante, que conquistou a Taça com a marca de 4h16m13s, também elogia “os trilhos lindíssimos e as paisagens fantásticas” da Graciosa, destacando como maior dificuldade “algumas subidas”. A atleta, que já no ano passado tinha participado na final disputada na ilha das Flores, defende mesmo a continuidade da realização da mesma nos Açores: “É uma ideia muito boa, pois não só promove o trail em locais onde nunca antes houve provas, como permite aos atletas correrem em paisagens diferentes daquelas a que estão habituados.”

Foi a terceira vez consecutiva que a final da Taça de Portugal se realizou no arquipélago dos Açores e possivelmente ainda não foi a última, como revelou à RUNning o presidente da Associação de Trail Running de Portugal (ATRP), Rui Pinho. “Fazemos um balanço altamente positivo destas três edições nos Açores. No último ano a ATRP triplicou o número de classificados em todos os circuitos e a Taça de Portugal tem contribuído imenso para esse aumento”, começou por realçar, sublinhando que esse “sucesso” também se deve à forma como os atletas são apurados para a final – através de circuitos regionais e de provas que definem os campeões de cada região. “E é um sucesso porque toda a gente cá quer estar, o que torna esta final altamente competitiva, porque atrai os melhores atletas”, resumiu. O local da final do próximo ano ainda está em aberto, mas “é possível que volte a ser nos Açores”, desvendou. Para já depende apenas da relação com o Governo Regional, que segundo o dirigente “deverá manter-se na mesma linha”. E como “há interesse de todas as partes”, é possível que se volte a realizar numa outra ilha dos Açores.

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