Algarviana Ultra Trail

Patrícia Carvalho: A vencedora do ALUT quer conquistar Cuillin Ridge

06 dezembro 2019
5 min
À terceira tentativa, Patrícia Carvalho, a representar a ATR, venceu o Algarviana Ultra Trail. A atleta, natural de Olhão, a residir no Norte da Escócia, e que tem provado que as mulheres podem dar cartas na ultramaratona, disse à RUNning, que quer fazer travessia da Cuillin Ridge, na ilha de Skye.

Texto e foto: Vanessa Pais

Antes de entrar na entrevista propriamente dita, é importante referir que Patrícia Carvalho falou com a RUNning logo após terminar os 300 km do Algarviana Ultra Trail (ALUT), prova que completou em 63h47m. O sorriso aberto não escondia a felicidade de, ao fim de três edições (na primeira, em 2017, desistiu por lesão; em 2018 foi a francesa Sylvie Mathis que levou a melhor), ter conquistado o lugar mais alto do pódio. No entanto, enquanto aceitava o recovery deste desafio – uma fatia de pão com manteiga de amendoim e banana –, que uma das colaboradoras do evento lhe estendia, disse que não estava totalmente satisfeita, porque acredita que é possível fazer um tempo melhor. “Acho que uma mulher pode fazer uma prova destas em 50 horas”, defendeu.

Melhorar os teus tempos é o que te faz repetir provas como o ALUT?

Sempre gostei de desafios e antes de aceitar este em 2017 tinha feito apenas 100 milhas, numa prova de 24 horas. Então quando surgiu a oportunidade de ser a primeira mulher em Portugal a tentar fazer os 300 km não poderia dizer que não. Na altura não estava preparada, mas tinha de tentar na mesma.

A motivação para a segunda edição, claro, foi a de terminar, uma vez que à primeira não foi possível. Depois para esta edição motivou-me a teoria de que as mulheres conseguem fazer muito melhor do que aquilo que é esperado. Queria provar que não são só os homens que conseguem fazer ultramaratonas. Não sou muito rápida, mas nestas provas há uma grande diferença entre mulheres e homens e acredito que é possível atenuar essa diferença.

Como é que te prepararas para este tipo de desafios?

Desde a primeira experiência, comecei a correr muito mais quilómetros por semana. Actualmente faço entre 100 a 115, dependendo da distância a que estou da prova e do terreno. Moro no Norte da Escócia, pelo que tenho montanhas perto e, assim, o treino tem sido mais vertical. A par disto, mudei a minha alimentação. Tornei-me vegan já depois da minha primeira experiência no ALUT e notei que a recuperação durante e após a prova é muito melhor. Claro que tenho de pensar mais no que devo comer durante a prova, mas sinto que melhorei bastante.

Preferes correr na Escócia ou em Portugal?

Gosto mais de competir em Portugal. O terreno é mais desafiante, porque é mais técnico. Na Escócia há provas desafiantes, mas as mais famosas não são tão técnicas como gostaria que fossem. Gostava de poder fazer mais provas em Portugal, mas não é fácil.

Quais são os próximos objectivos?

Para o ano gostava de melhorar o meu tempo nos 200 km do Oh Meu Deus, na Serra da Estrela, agora que já sei o que me espera [risos]. Não tenho nada planeado em concreto. Inscrevi-me numa prova de Skyrunning no País de Gales. Estou a trabalhar para um fazer a travessia da Cuillin Ridge, na ilha de Skye [inclui 30 cumes ao longo de 12 quilómetros e 11 munros (montanhas que ultrapassam os 914,4 metros)], na ilha de Skye, na Escócia], que é um desafio mais de nicho, mas é um projecto a longo termo. Nem todos os meus projectos passam por provas, sendo que alguns são apenas coisas que gostaria apenas de ver se é possível.

Quem são os teus ultramaratonistas de referência?

O Paul Giblin [vencedor do ALUT] e alguns dos atletas que ele treina. É um dos meus melhores amigos, pelo que tenho sorte de as pessoas que admiro serem minhas amigas.

Pensas voltar a vir viver um dia para Portugal?

Não sei se vou regressar. Estou a tornar-me quase nómada [risos]. Gostaria de ter oportunidade de ir vivendo uns meses em cada sítio.

BI

Patrícia Carvalho

31 anos

Natural de Olhão

Reside na Escócia há 10 anos – “Aceitei o desafio de uns amigos para ir para lá trabalhar e fui à aventura”

Trabalha actualmente numa destilaria, mas já tem experiência em hotelaria desde os 15 anos

Corre “desde miúda”

Começou a participar em provas na Escócia porque “queria ser mais saudável e manter a forma”

Fez a primeira ultra em 2015, na Escócia

Há três anos, no Trilhos dos Abutres, conheceu Bruno Rodrigues, na altura presidente da ATR, e juntou-se à equipa algarvia

No Oh Meu Deus – Ultra Trail Serra da Estrela, em 2019, com o tempo de 41h56m29s, tornou-se na primeira mulher portuguesa “viriato”, nome atribuído pela organização aos participantes que terminem as 100 milhas da prova e continuem para totalizarem 200 km.

 

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