Jonathan albon

Jonathan Albon: o coleccionador de títulos

18 setembro 2019
8 min
Jonathan Albon chegou à corrida há apenas dez anos. Vindo do hóquei em patins cedo começou a somar títulos nos Campeonatos do Mundo de trail, de ultra skyrunning e do Obstacle Course Racing Series World. Em entrevista à RUNning, Albon afirmou que não se considera muito competitivo.

Jonathan Albon chegou à corrida há apenas dez anos literalmente sobre rodas. Vindo do hóquei em patins cedo começou a somar títulos em todos os terrenos e esta época não houve obstáculos que o impedissem de cantar o hino inglês nos lugares mais altos dos pódios dos Campeonatos do Mundo de trail, de ultra skyrunning e do Obstacle Course Racing Series World. Apesar disso, em entrevista à RUNning, Albon afirmou que não se considera muito competitivo, mas que representar a sua selecção “apimenta” a vontade de vencer.

Texto: Carla Laureano

Foto: Harm Dommise

 

Quando é que a corrida entrou na sua vida?

Comecei a correr quando tinha 20 anos, com o objectivo de me manter em forma, depois de ter desistido do meu desporto de infância, o hóquei em patins. As coisas foram evoluindo e desde que fui viver para a Noruega, há cinco anos, consegui – através de patrocínios e de prémios – ser atleta profissional [embora mantenha um part- -time numa loja de desporto em Bergen].

 

Recorda-se das primeiras provas que fez?

A minha primeira prova foi uma meia maratona de estrada e logo a seguir fiz a Tough Guy - The Original Obstacle Race.

 

A tendência “multidisciplinar” veio logo dessa época inicial. O que retira de cada uma das modalidades (trail, skyrunning, obstáculos) a que se dedica?

Gosto de cada uma à sua maneira. Gosto de estar nas montanhas, porque é uma forma de “mergulhar” na natureza e algumas corridas de trail e de skyrunning permitem-nos isso mesmo, pois não encontramos muitas pessoas e podemos, por exemplo, beber água nos ribeiros, além de os percursos serem por terrenos diversificados. As corridas de obstáculos cativam-me por toda a variedade de exercícios físicos que exigem.

 

Treinar ao mais alto nível para uma modalidade é sempre muito exigente. Imaginamos que para três seja ainda mais difícil. Como é que estrutura os seus treinos no quotidiano?

O meu dia-a-dia resume-se a de coisas básicas como dormir, comer e treinar, com algum tempo reservado para responder a e-mails e para gerir a minha carreira. Quanto ao treino, este varia maioritariamente entre esquiar no Inverno e correr e andar de bicicleta no Verão. Depois há dias nos quais vou para a montanha e há outros para os quais programo sessões curtas de treino intervalado em subidas ou em pista, por exemplo.

 

 Que tipo de plano segue em termos nutricionais?

A minha alimentação é completamente normal, uma vez que não tenho regras específicas sobre o que devo ou não comer. A regra geral é ingerir menos comida processada, mas confesso que não sou muito bom a segui-la.

 Durante as provas, como é que gere a alimentação e a hidratação?

Esta temporada implementei uma táctica que consiste em ter um alarme sonoro no meu relógio a cada dez minutos. De cada vez que toca bebo água (a quantidade depende das condições meteorológicas, se está muito calor, entre outros factores) e a cada três vezes, ou seja, a cada 30 minutos, complemento, por exemplo, com um gel energético.

 

Além da parte desportiva, que ensinamentos para a vida tem retirado do seu percurso na corrida?

Toda a minha vida gira à volta do desporto, por isso tudo o que aí aprendi ajudou a tornar-me naquilo que sou hoje.

Campeão mundial de Ultra Skyrunning (2018), campeão mundial de Trail (2019) e vencedor da final do OCR Series World (2019). Que medalha o deixou mais orgulhoso?

Acho que vencer o Campeonato do Mundo de Trail [em Mirando do Corvo] foi um ponto alto para mim. Esta era uma prova na qual queria ter uma boa prestação e tentei preparar-me especificamente para ela, por isso vencê-la foi uma sensação fantástica.

 

 O que é que destaca da prova?

O Campeonato do Mundo foi uma grande experiência e gostei muito do percurso. Estava à espera do típico terreno seco e rochoso do sul da Europa, por isso, poder experimentar um piso que está sempre a mudar foi uma surpresa agradável.

 

 O sentimento é diferente quando se está a competir pela bandeira nacional?

Sinto a responsabilidade de me esforçar o máximo possível quando estou a representar a Grã-Bretanha. Sou menos competitivo do que se possa pensar, por isso fazê-lo pela minha selecção “apimenta” um pouco as coisas. Acredito que para continuarmos a melhorar não podemos levar demasiado a sério os resultados já alcançados.

 Como concilia a vida desportiva com a vida pessoal e familiar?

A minha vida pessoal e o desporto estão muito entrosados uma vez que a minha mulher [Henriette Albon] também adora treinar [é praticante de skyrunning] e ambos dedicamos a maioria do nosso tempo a ficar mais em forma.

 

 Onde é que ainda gostaria de competir?

Há muitas cadeias montanhosas onde não competi, sendo uma delas a da Patagónia. Talvez consiga marcar essa na minha lista até ao final deste ano.

 

 Quais são os próximos objectivos já definidos?

Os objectivos a curto prazo são o Campeonato do Mundo de Corrida de Obstáculos [11 a 13 de Outubro, Londres, Reino Unido], a final do Skyrunner World Series [19 de Outubro, Limone sul Garda, Itália] e o World Mountain Running Championships [15 de Novembro, Villa La Angostura, Argentina].

 

Jonathan Albon

19 de Abril de 1989

Nascido em Harlow,

Essex (Inglaterra)

Vive em Bergen, Noruega

Clube: TEAM VJ/GORE

 

Pelas subidas de um campeão

 

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Foi aos 20 anos que Jonathan Albon se iniciou no mundo da corrida, o que pode ser considerado tarde, mas a motivação e a procura de modalidades diversificadas fez com que começasse logo a “dar nas vistas”, particularmente nas corridas de obstáculos (Obstacle Course Racing [OCR]) no Reino Unido. A nível internacional tornou-se conhecido em 2014, ano em que venceu os Campeonatos do Mundo de Spartan e OCR, ambos disputados nos Estados Unidos da América.

Depois de ter revalidado estes títulos – e sendo apaixonado pelas montanhas – não é de estranhar que, quando se mudou para a Noruega, Jonathan tenha começado a treinar pelos trilhos em altitude e a aventurar-se no skyrunning, modalidade na qual também começou logo a sobressair. Em 2015 venceu o Tromsø Skyrace, organizado pelo então campeão mundial em título de ultra skyrunning, conhecido também como “a lenda viva” do ultra trail, Kilian Jornet.

Também nesta modalidade – no trail –, embora com menos frequência, o atleta britânico foi assumindo uma posição de destaque, tendo disputado pela primeira vez o Campeonato do Mundo em 2018, em Penyagolosa, Espanha, no qual alcançou o quarto lugar. Este ano voltou a tentar, em Miranda do Corvo, sagrando-se campeão. Esta não foi, de resto, a primeira vitória de Jonathan Albon no nosso país, tendo triunfado no Ultra SkyMarathon da Madeira em 2017 e 2018.

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