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Energia a circular: eis o antídoto para o edema

02 setembro 2019
7 min
Inflamações e traumatismos podem ser o “prato do dia” na vida de um atleta e derivar para aquele inchaço incómodo – o edema – que em nada melhora sob temperaturas elevadas. Agora que chega o Verão, há que saber como prevenir e tratar.

nflamações e traumatismos podem ser o “prato do dia” na vida de um atleta e derivar para aquele inchaço incómodo – o edema – que em nada melhora sob temperaturas elevadas. Agora que chega o Verão, há que saber como prevenir e tratar.

Por Rute Barbedo 

Diferentes líquidos começam a confluir para uma parte do corpo, acumulando-se no espaço intersticial. No lugar do tornozelo fino ou das mãos em que conseguíamos destrinçar a forma dos ossos, a pele estica, fica avermelhada, por baixo surge o inchaço e, por fim, a dor. Eis o edema, um fenómeno rápido – frequente nos atletas – que pode ocorrer em diferentes partes do corpo e ter como causa factores como a actividade inflamatória e/ou um traumatismo, mas também a hipertensão arterial, a insuficiência renal ou situações posturais incorrectas.

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), especificamente, o edema relaciona-se com “os fenómenos de estagnação de líquidos orgânicos caracterizados por uma infiltração em diversos tecidos, nomeadamente, o tecido conjuntivo, o revestimento cutâneo ou o mucoso. Tem como causa principal um desequilíbrio da energia do pulmão, do baço e do rim, influenciando assim a energia do triplo aquecedor [um ‘órgão’ sem paralelo na medicina ocidental, que não corresponde a uma estrutura física, funcionando antes como um sistema energético e metabólico localizado entre o diafragma e a parte inferior ao umbigo] e da bexiga nas suas acções de evacuação”, resumem Filipa Teles e Marlene Caseiro, especialistas em MTC na clínica Essence Prime Care.

No cenário oposto, portanto, o edema não consegue florescer. Quando “a energia circula livremente nos seus meridianos e as estruturas fisiológicas são nutridas”, ou seja, quando não há estagnação de energia, sangue ou líquidos orgânicos, “não é possível gerar-se dor nem retenção de líquidos”, afirmam as profissionais.

 

Mais calor, mais edemas

Nos desportistas, o edema é mais frequente dada a constante sujeição a esforços físicos e situações de alto impacto. Filipa Teles e Marlene Caseiro explicam que, “se o exercício físico for bastante exigente e intenso, irá criar um chamado trauma muscular, por outras palavras, micro-rupturas nas fibras musculares”, o que obriga o organismo a reagir, sendo um dos mecanismos de defesa mais comuns envolver o músculo em líquido.

Mas também há factores externos que aumentam a probabilidade de formação do edema, como o calor e a humidade, “duas energias patogénicas que bloqueiam facilmente meridianos correspondentes a algumas estruturas fisiológicas, tais como os músculos, as articulações, os ligamentos e o tecido conjuntivo”, explicam as especialistas.

Por isso, e agora que chega o Verão, é importante ter em atenção as temperaturas elevadas, tentando contrariar ou minorar a sua acção com muita ingestão de líquidos, mas também com alongamentos antes e depois da actividade física. Já em casos de traumatismo, as terapeutas aconselham a aplicar gelo imediatamente após a prática de exercício. Menos calor, já se sabe, menor hipótese de edema.

Como prevenir e remediar?

Há diferentes técnicas da Medicina Tradicional Chinesa que ajudam a reduzir o impacto dos sintomas associados ao edema. Eis alguns exemplos:

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Dietética: Combinada com muita ingestão de líquidos, uma alimentação saudável é essencial a qualquer desportista. Conjugar “frutas, legumes, verduras e boas fontes de proteínas e de hidratos de carbono é uma excelente maneira de fazer o corpo voltar à homeostase”. Mas também há “ingredientes” a evitar ou reduzir, como o sódio, já que, juntamente com a água, é retido pelos rins, o que contribui para a formação do edema. Por outro lado, “alimentos ricos em farináceos, açúcares processados e lacticínios não são aconselhados” pela Medicina Chinesa, pois “depositam humidade no organismo e estagnam a energia e os líquidos orgânicos”. À necessidade de reposição dos níveis de açúcar pode responder-se com frutos secos como tâmaras, ameixas ou alperces, aconselham Filipa Teles e Marlene Caseiro.

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Ligaduras de quinésio: As ligaduras neuromusculares podem ser aplicadas de forma a promover a circulação sanguínea e linfática, diminuindo, assim, as possibilidades de retenção de líquidos e de edema. Recortadas no formato de uma mão, devem ser colocadas na direcção dos gânglios linfáticos. Mas é sempre aconselhável consultar um especialista para a sua aplicação.

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Acupunctura: Pode prevenir-se em vez de remediar? Sim. Neste ponto, a acupunctura contribui para um estado de harmonia do organismo em que é possível minorar o aparecimento de edemas. Tal acontece porque “a energia circula livremente nos seus meridianos e as estruturas fisiológicas são nutridas”.

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Moxibustão: Esta técnica terapêutica promove o fluxo de energia e do sangue no corpo. Tem um efeito semelhante ao da acupunctura, no entanto, a sua estimulação tem por base o calor.

 

Aroessential-oil-3816410materapia: “Os óleos essenciais devem ser sempre diluídos numa base de óleo vegetal (de coco, de amêndoas doces, de grainha de uva, de sésamo, etc.)”, afirmam Filipa Teles e Marlene Caseiro. Mas há alguns com “um potente efeito na circulação linfática, como é o caso do óleo essencial de cedro de atlas”. “Bastará utilizar duas gotas deste óleo diluídas numa colher de sopa de óleo vegetal à escolha e massajar nas áreas mais afectadas (sempre em direcção aos gânglios linfáticos).” Como “o cedro de atlas não possui furocumarinas, não mancha a pele se estiver em contacto com o sol”. Ainda assim, recomenda-se a sua aplicação na noite anterior e no período posterior à corrida.

Fitoterapia: Se depois de diferentes técnicas terapêuticas o problema persiste, “a solução poderá estar num suplemento alimentar à base de plantas”. A fitoterapia pode ajudar a resolver a estase de líquidos e a tonificar os meridianos bloqueados.

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