Trail

“Voltas do Impossível” desafia 50 atletas em Outubro

01 setembro 2020
5 min
Para participarem, os candidatos tinham de ter no seu "currículo", pelo menos, uma prova superior ou igual a 100 km.

Inicialmente agendada para 23 de Maio, as “Voltas do Impossível”, competição de trail que se diz capaz de colocar à prova os limites do impossível, vai agora acontecer a 3 de Outubro de 2020, na sequência da pandemia.

Será em Arouca, em pela Serra da Freita, que 50 audazes atletas enfrentam um percurso de mais de 100 km. Esta é uma prova inspirada nas histórias reais de milhares de mineiros – os “Pilhas” – que protagonizaram a corrida ao Volfrâmio durante a Grande Guerra Mundial.

A originalidade e o desafio são características inerentes a este trail tão peculiar e as vagas disponibilizadas foram preenchidas em poucas semanas por atletas nacionais e internacionais. Estes foram, porém, selecionados através de um processo de candidatura onde tiveram de expor os motivos da participação e enviar o currículo, que teria de incluir, pelo menos, uma prova superior ou igual a 100 km. Porém, Isso não parece ser problema para os selecionados, cujos extensos currículos revelam aventuras radicais com mais do dobro dos quilómetros de admissão, como é o caso de Jorge Serrazina, 64 anos, com um percurso acima dos 300kms e passagem por países como Espanha, França e Itália; e Simone Gfeller, 48 anos e de nacionalidade Suíça, com primeiro lugar no pódio em provas Dinamarquesas, Espanholas e Alemãs. Também Mário Elson Fonseca, de 39 anos, soma 767 provas feitas ao longo de 30 anos, e garante que “(…) a incerteza e a inquietude que as Voltas do Impossível me estão a causar, só se comparam ao nervoso miudinho que senti nas primeiras provas da minha vida.”

Para ser possível realizar a prova de forma segura no contexto da pandemia foi reduzido o número de participantes, que vão ter de usar máscara no momento inicial da prova, além de que a partida vai ser separada em dois grupos

“A natureza individual da competição e o cenário ao ar livre onde decorre faz com que estejam garantidas todas as condições de segurança necessárias à sua realização”, assegura a organização e desvenda ainda: “Além de seguro, o percurso é dotado de uma riqueza incalculável na sua biodiversidade, passando por trilhos e zonas de uma beleza natural verdadeiramente arrebatadora que não esconde, porém, a dureza e dificuldade de uma prova que não é para qualquer um”.

Um desafio entre o passado e o presente

José Moutinho, o “Pai do Trail Nacional”, inspirou-se no conceito das afamadas Maratonas de Berkeley – conhecidas pela sua dificuldade tão elevada que apenas poucos atletas são capazes de as concluir – e criou o enredo que repesca as duras memórias dos “Pilhas”, os mineiros que, nos inícios da década de 40, iam à caça do Volfrâmio nas imediações da Serra da Freita. Esta era, à data, palco privilegiado para a exploração deste metal essencial para o fabrico de armas durante a Grande Guerra.

As narrativas dos mineiros fazem parte da identidade da região e são a pedra basilar desta iniciativa, que pretende não só desafiar os limites físicos e emocionais dos atletas, mas também sensibilizar para um contexto histórico de grande relevo nacional.

Uma “carta de condolências” para cada participante, que deverá fazer-se acompanhar de uma cerveja artesanal e uma matrícula de automóvel; o aviso de partida que será dado pelo toque de uma corneta e o começo da prova sinalizado pelo acender de uma lanterna de petróleo são apenas alguns dos exemplos dos muitos detalhes simbólicos que permeiam esta prova e que recapitulam o seu contexto. Durante o percurso, os atletas recolherão Guias de Transporte – utilizadas então para transportar Volfrâmio – e aos desistentes, será feita uma homenagem com a célebre melodia “Taps”.

As 15 horas de prova terão de ser suficientes para completar as 5 voltas, cada uma com uma extensão de cerca de 21kms, percorridos apenas com recurso a material indispensável e obrigatório – um apito, uma manta térmica, um telemóvel e um relógio com GPS. À semelhança dos mineiros, os atletas apenas terão apoio alimentar ou material na base de partida.

Se, ainda assim, desafiando todas estas limitações, conseguirem terminar o percurso, os atletas verão a sua bravura gravada para todo o sempre numa rocha de Xisto gigante em Rio de Frades.

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