Trail

Será possível fazer as Voltas do Impossível?

30 setembro 2020
3 min
A organização garante que não, mas há 50 corajosos que este sábado vão tentar desafiar os seus limites pessoais na serra da Freita, em Arouca. Receberam todos uma carta de condolências.

Foto: Facebook As Voltas do Impossível

O trail, inédito em Portugal, é inspirado nas Maratonas de Berkeley, prova conhecida pela dificuldade tão elevada que poucos são os atletas capazes de a concluir. O conceito foi importado por José Moutinho, «pai do trail nacional», que o adaptou a uma realidade histórica portuguesa. As Voltas do Impossível são, assim, baseado nos “Pilhas”, mineiros que nos anos 40 partiam para a exploração do Volfrâmio nas imediações da Serra da Freita. Na altura, este era o local privilegiado para encontrar o metal essencial para o fabrico de armas durante a Grande Guerra. Mas não é só isso que torna esta corrida tão especial.

Além do contexto histórico, a organização da Confraria Trotamonte e do Município de Arouca criou toda uma simbologia para este trail. Para participar, os atletas tiveram de se submeter a um processo de selecção, enviando uma candidatura a expor as razões pelas quais deveriam ser escolhidos, bem como o currículo onde deveria constar, no mínimo, uma prova igual ou superior a 100 km.

Os 50 seleccionados receberam uma Carta de Condolências e devem pagar 19.58€ (que representa o ano do nascimento do criador da prova em Portugal), assim como terão a obrigatoriedade de oferecer uma cerveja artesanal e uma matrícula de automóvel.

Se pensa que é difícil chegar até aqui, imagine o que vem a seguir. O percurso é constituído por cinco voltas, cada uma com cerca de 21 km e 1500 m de desnível. O itinerário começa e termina na aldeia de Rio de Frades, iniciando-se no sentido dos ponteiros do relógio e alternando a sua orientação nas voltas seguintes.

Os atletas são informados da partida - que pode ser algures entre a meia-noite e o meio dia do dia da prova - com uma hora de antecedência pelo toque de uma corneta (que ajuda na caracterização de um ambiente fúnebre) e a partida é dada com o acender de uma lanterna de petróleo.

Durante o percurso - que terá de ser feito num limite máximo de 15 horas - os participantes terão de recolher 13 caixas com livros de Guias de Transporte (utilizadas na altura para transportar Volfrâmio), o que funciona como comprovativo de passagem no local e cuja falta leva à desqualificação.

O material permitido e resume-se a um apito, uma manta térmica, um telemóvel e um relógio com GPS. O apoio alimentar ou material é feito unica e exclusivamente na base de partida.

Para os desistentes, a organização reserva uma homenagem especial: será tocada a célebre melodia do «Toque do Silêncio» (Taps, em inglês), comummente associada aos funerais militares das Forças Armadas dos Estados Unidos da América.

Já os bravos que conseguirem finalizar a prova, terão o seu nome gravado numa rocha de Xisto gigante em Rio de Frades.

A corrida chegou a estar marcada para Maio, mas devido à Covid-19 foi reagendada para 3 de Outubro, tendo sido limitada a 50 participantes que partirão em dois grupos separados, com máscara nos momentos iniciais. Serão eles capazes de deixar o nome escrito na história do impossível?

Cátia Mogo
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