08 julho 2019
A procrastinação de um atleta no 1.º Oeiras Trail

Foto: DR

Neste domingo soalheiro, juntamente com outros 499 atletas (o limite máximo para cada uma das provas era de 250 atletas e há alguns dias que a organização havia anunciado que as inscrições estavam encerradas), fiz-me aos trilhos da 1.ª edição do Oeiras Trail.

Mesmo tendo chegado em cima da hora de partida à Fábrica da Pólvora em Barcarena, Oeiras, apercebi-me de imediato do entusiasmo de muitos daqueles que, pela primeira vez, iriam participar numa prova de trail. Eles eram as poses para a foto, as recomendações audíveis, a verificação do material pronto a estrear, o nervosismo impossível de disfarçar e aqui “o gajo”, com uma simples garrafa na mão e sem dorsal sequer, que o companheiro de corrida que o havia levantado no dia anterior consegue atrasar-se mais do que eu.

Ainda a ajeitar a folha de papel com o número atribuído, iniciei a prova, ultrapassei uma pequeníssima subida e voltei para trás, passando novamente pela partida e posteriormente meta, num trajeto que permitiu aos familiares dos atletas que ainda ali permaneciam voltar a captar fotos que, certamente, ilustrariam os perfis das redes sociais de alguns deles.

Essas pequenas voltas foram uma constante ao longo do percurso, o que se compreende para perfazer a totalidade dos 20 km sem sair muito da mesma zona, mas que se torna um pouco aborrecida para quem os trilhos não são novidade. Além deste, outro aspeto que gostaria de ver melhorado é a qualidade dos abastecimentos. Não peço camarão nem uma máquina de imperiais, porém os abastecimentos foram demasiado frugais para o que já nos vamos habituando, o que mereceu críticas audíveis de um atleta mais, digamos, experimentado, a quem a idade não o coibiu de proferir expressões não passíveis de serem publicadas numa revista tão respeitável como esta.

Já que falo em abastecimentos, o ponto alto da prova deu-se perto do primeiro deles, quando seguia ao lado do parceiro de milhares de quilómetros e elogiei a capacidade de sofrimento que, decerto, o atleta que nos acabara de ultrapassar deveria ter, pois o seu pé esquerdo apontava de forma pronunciada para fora. O comentário que a seguir ouvi deixou-me, confesso, atónito: “É um procra…or, um procrast…or, #$#%$& (símbolos que visam criar no leitor a ideia do que foi proferido, sem, contudo, ferirem a sua sensibilidade) um pronador, caraças!”. Após longos minutos de riso partilhado, a “sentença” saiu disparada: “Já tens título para o artigo”.

Os restantes quilómetros foram percorridos sem grande dificuldade (até pareço um profissional) entre subidas pouco pronunciadas e trilhos com terra e palha, o que permitiu conversas animadas com quem ia encontrando. Só após cruzar a meta consegui perceber que os atletas que encabeçavam inicialmente o pelotão tinham seguido durante alguns metros por um caminho fora do percurso, o que não me impediu de me sentir orgulhoso por não ter perdido tanto tempo como o esperado.

Em jeito de conclusão, é uma prova que tem margem para crescer, sendo ideal para quem se quer aventurar pelo trail ou simplesmente correr durante o percurso todo. E como o dia convidava a uma cerveja e para não deixar dúvidas sobre a minha gentileza para com ele, ingeri duas.

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